#34 – Ciclodrama

22/10/2018 às 14:01. Comente esta notícia!

Aumentou o número de ciclistas pela cidade. Coisa boa, afinal a bicicleta traz consigo um oxigênio necessário para um trânsito mais saudável.

Contudo, também aumentou a presença deles no pronto-socorro. Comecei a escrever a crônica de hoje após atender a um ciclista atropelado.

O cenário, a canaleta do expresso. O horário, rush. O protagonista, um biarticulado de 12 toneladas descendo socado pela Sete de Setembro. Nem preciso dizer que o final da história não é legal.

História antiga essa de proibir o pessoal de circular na canaleta dos ônibus. História bizarra essa de forçar o ciclista a andar por entre os carros. É como escorregar da frigideira para o fogo. Sim, tem algo de muito estranho em misturar bicicletas com veículos a motor.

Não vou mentir para você. Acidente com bike é oito ou oitenta. Ou fica na escoriação ou vai direto pro centro cirúrgico. Isso quando vai, porque quando pega na cabeça…

Curitiba recebe todos os meses cerca de 4000 novos veículos. Com uma infra-estrutura urbana estagnada, é fácil perceber o desafio que o ciclista precisa enfrentar. Para complicar, não existe uma cultura de respeito ao ciclista. Na verdade nunca houve.

Aproveito a oportunidade para também cutucar o ciclista desatento ou aquele que insiste em se comportar de maneira ofensiva no trânsito. Custa preservar a boa imagem que o ciclista merece ter?

Por fim, um recado direto da sala de emergência para você, ciclista que tem a inocência de acreditar que pedala em uma cidade como Copenhagen. Entenda que o trânsito da nossa cidade é injusto e violento. Então, quando utilizar a tão celebrada ciclofaixa, lembre-se de utilizar roupas claras, equipamentos de segurança, dispositivos luminosos e, claro, espelhos retrovisores do tamanho daqueles que a gente tem no banheiro.

Pense nisso. Até a próxima, se cuida!

 

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#34 – Ciclodrama
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