Gif mostra pouso da cápsula oreon no mar — Foto: Reprodução
Por g1
A volta da missão Artemis II à Terra acontece em uma sequência rápida e altamente controlada. Em exatos 13 minutos, a cápsula Orion sai do espaço, atravessa a atmosfera e pousa no oceano —em um dos processos mais complexos da engenharia espacial e considerado o momento mais crítico de toda a missão.
1. Separação e ajuste de trajetória
Cerca de 20 minutos antes da reentrada, o módulo de serviço (responsável por energia, propulsão e suporte à missão) é descartado. A partir desse momento, apenas a cápsula Orion, onde estão os astronautas, segue viagem.
Na sequência, a nave realiza uma breve queima de motores para ajustar com precisão o ângulo de entrada na atmosfera. Esse detalhe é crucial: se a cápsula entrar inclinada demais, pode sofrer aquecimento excessivo e danos estruturais; se entrar rasa demais, pode não “grudar” na atmosfera e ser arremessada de volta ao espaço.
2. Entrada na atmosfera (122 km)
A reentrada começa a cerca de 122 km de altitude, no ponto chamado de “interface de entrada”. Nesse momento, a cápsula ainda viaja a mais de 40 mil km/h —cerca de 30 vezes a velocidade do som.
É a partir daí que a nave deixa o ambiente praticamente sem ar do espaço e passa a interagir com as primeiras camadas da atmosfera terrestre, iniciando um processo intenso de desaceleração.
3. Atrito, calor extremo e desaceleração
Com o aumento da densidade do ar, o atrito passa a atuar como o principal mecanismo de frenagem. A cápsula foi projetada para não ser aerodinâmica: ao contrário, seu formato ajuda a gerar arrasto e reduzir a velocidade rapidamente.
Esse processo transforma energia cinética em calor. As temperaturas ao redor do escudo térmico podem ultrapassar 2.700 °C, suficientes para ionizar os gases da atmosfera e formar um plasma ao redor da nave.
Ao longo de poucos minutos, a Orion perde dezenas de milhares de km/h, reduzindo drasticamente sua velocidade.