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Karatê fortalece autoestima e qualidade de vida de mulheres em projeto liderado por Grão-Mestre Edson Carlos de Oliveira

13 de março de 2026

Foto: Davi Santos

Na associação comandada pelo Grão-Mestre Edson, mulheres já representam 50% dos praticantes e destacam benefícios para saúde, autoestima e segurança

Por Larissa Zanato/98FM

Em um cenário em que os casos de violência contra a mulher continuam mobilizando autoridades e a sociedade, a Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid) do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJPR) fez um levantamento que apontou somente no mês de janeiro 5.783 casos de violência doméstica no Paraná, ou seja, 186 casos por dia, quase 8 por hora. É nesse contexto que o Grão-Mestre Edson Carlos de Oliveira, fundador da Associação de Artes Marciais Karatê Shubu-Dô, tem utilizado a arte marcial como ferramenta de qualidade de vida, fortalecimento feminino e defesa pessoal.

Foto: Divulgação

Com 45 anos de experiência, Edson é o presidente fundador do karatê Shubu-Dô, que tem origem em Curitiba e é um método de arte marcial focado na defesa pessoal. Atualmente, a associação possui 80 profissionais e 70 academias filiadas à modalidade, que acreditam na transformação por meio da luta. “Toda arte marcial bem orientada, com profissional capacitado, realmente vai trazer grandes benefícios físicos e psicológicos para o seu praticante. Mas isso vai depender muito da formação e capacitação dos professores, porque eles acabam, no decorrer do treino e da vida, sendo formadores de opinião. Um exemplo é que eu tenho vários alunos que treinam comigo aqui há mais de 30 anos”, afirma o mestre Edson.

Foto: Divulgação

Diante dos números crescentes de violência contra mulheres, a presença feminina nas artes marciais tem crescido nos últimos anos. Na associação liderada pelo professor Edson, as mulheres já representam 50% dos alunos matriculados. “Hoje, no Shubu-Dô, 50% dos seus praticantes são mulheres, meninas e senhoras. Nós temos um projeto chamado ‘Primeira Infância’, que vai dos 3 até os 6 anos. Depois, dos 7 anos até os 78, que é a idade de uma senhora que temos que treina conosco”, diz Edson.

Foto: Divulgação

Dentro desses 50% está Eliane Miotto de Andrade, que conheceu o karatê por meio de uma colega de trabalho que a convidou para uma aula experimental. “Nunca tinha pisado em um tatame, inclusive tinha um pouco de preconceito, achava que seria algo violento. Depois da aula experimental percebi que o karatê Shubu-Dô era muito mais do que apenas uma atividade física. Encontrei um ambiente de respeito, disciplina e acolhimento. Isso me motivou a continuar treinando e fazer do karatê parte da minha rotina e do meu estilo de vida”, destaca Eliane.

Foto: Arquivo Pessoal

Além das técnicas de defesa pessoal, o karatê também tem refletido diretamente na qualidade de vida dos alunos. Eliane, que treina há 6 anos, conta que a modalidade trouxe benefícios para a saúde e mais disposição para conciliar trabalho, família e as tarefas do dia a dia. “Perdi 20 kg, diminui dores no corpo, ganhei muita energia e disposição. Quando conheci o karatê estava passando por um quadro de depressão e síndrome do pânico bem complicado. A busca pela atividade física foi orientação do psiquiatra. Eu tomava muita medicação e fazia terapias. Hoje consegui parar com toda a medicação e sou uma pessoa muito mais sociável.”

Na avaliação de Eliane, aprender técnicas de defesa e disciplina pode trazer impactos importantes para a autoestima e para a forma como as mulheres se posicionam no dia a dia. A prática do karatê vai além da atividade física e contribui para fortalecer a confiança, a segurança pessoal e a autonomia feminina, independentemente da idade. “Todas as mulheres deveriam aprender essa arte marcial. Ela traz confiança, segurança, aumenta a autoestima e, principalmente, aprendemos a nos posicionar como mulheres, independentemente da idade”, finaliza.

Foto: Arquivo Pessoal

Em meio aos números preocupantes de violência contra a mulher, iniciativas que incentivam a prática esportiva e o fortalecimento pessoal ganham ainda mais relevância. Nos tatames, muitas mulheres encontram não apenas uma atividade física, mas também confiança, disciplina e ferramentas para se sentirem mais seguras no dia a dia.