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Victoria’s Secret cancela seu desfile de lingerie para sempre

22/11/2019 às 09:56.

Pronto, agora é oficial. Na tarde desta quinta-feira, 21.11, a L Brands, empresa dona da Victoria’s Secret, finalmente confirmou os rumores de que o tradicional desfile de lingerie vai deixar de existir. Yep, o Victoria’s Secret Fashion Show foi cancelado para sempre! “Nós vamos continuar nos comunicando com as consumidoras, mas de nenhuma maneira similar à magnitude do desfile”, declarou o CEO Stu Burdoerfer.

Nos próximos dias, milhares de textos irão surgir comemorando esse acontecimento. Muitos dirão que essa é mais uma vitória nos debates sobre diversidade – mas eu não sei se concordo.

Na primeira vez que falamos na possibilidade do cancelamento do evento, eu achei um fato importante e icônico. Encarei como um marco ver este símbolo dos padrões inalcançáveis ruir. No entanto, com o passar do imediatismo, veio a reflexão… E fiquei triste ao perceber que, para eles, foi mais fácil acabar com o desfile mais famoso do mundo do que incluir mulheres de tamanhos reais no seu casting. A escolha foi aposentar asas, brilhos, paetês e lingeries tamanho 0 ao invés de colocar outros perfis de beleza na comunicação da marca.

As  angels sempre representaram mais do que um grupo seleto (e milionário) de modelos. Por todos esses anos, a beleza das tops que carregavam esse título no currículo não era questionada, pois se aproximava de algo “divino” ou “angelical”… Era mais do que humana, era quase impossível de ser alcançada por uma comum mortal, como eu e você.

Aliás, tais corpos eram difíceis de ser alcançados até pelas próprias angels. Não é raro encontrar entrevistas antigas onde essas modelos dão dicas de dietas ultra restritivas e comportamentos que se encaixam facilmente em sintomas de transtornos alimentares. Era esse o preço desse rótulo de beleza; da “barriga negativa”; de ter “o corpo”. E, por muito tempo acreditamos que isso era algo a ser alcançado…

Recentemente, algumas mudanças aconteceram na Victoria’s Secret: houve a contratação da top brasileira trans Valentina Sampaio. O diretor de marketing Ed Razek, famoso pelas declarações gordofóbicas e transfóbicas, pediu para sair. Mais de 100 modelos expuseram a marca por casos de assédio sexual. Ainda assim, me espanta ver que é mais fácil acabar com um evento gigantesco do que trazer diversidade para dentro da Victoria’s Secret (que, vale lembrar, sempre teve uma grade relativamente  inclusiva – mas nunca comunicava isso).

Infelizmente, o mercado de moda costuma ter uma visão míope sobre magreza e corpos. Toda uma indústria nasceu de gerar desejo sobre padrões de beleza que uma mulher comum não poderia ter, e as estratégias de venda sempre foram pautadas em cima do inatingível. Só que o mundo mudou – e esse discurso não cola mais. Nós queremos nos sentir representadas.

Quando o desfile de lingerie da Victoria’s Secret é encerrado, quem vence não é a diversidade: é a supremacia do corpo magro como modelo único e divino a ser perseguido.

Via: Revista Glamour