Trabalho sem carteira assinada e ‘por conta própria’ supera pela 1ª vez emprego formal

01/02/2018 às 08:34.

Queda do desemprego em 2017 foi puxada pelo crescimento do trabalho informal; Brasil tem menor número de pessoas empregadas com carteira assinada desde 2012.

Desemprego fecha 2017 em 12,7%, o maior desde 2012, início da pesquisa

Desemprego fecha 2017 em 12,7%, o maior desde 2012, início da pesquisa

Emprego sem carteira assinada

No final de 2012, havia 10,97 milhões de trabalhadores sem carteira. Esse número foi recuando gradativamente até 2016, quando voltou a crescer e chegou a 10,51 milhões. No quarto trimestre do ano passado, no entanto, esse contingente aumentou de novo e atingiu 11,11 milhões de pessoas.

Conta própria

Além de quem trabalha sem carteira, também contribuiu para o aumento da informalidade a quantidade de trabalhadores por conta própria. No final de 2012, o trabalho por conta própria envolvia 20,61 milhões de pessoas. Em 2017, passou para 22,7 milhões – ou 25% do total de trabalhadores, de acordo com o IBGE.

“O aumento da participação desta categoria no mercado de trabalho se deu em função do aumento de 2,2 milhões de trabalhadores nesta forma de inserção em relação a 2012. Em relação a 2014, foi observado um crescimento de 1,4 milhão nesta forma de inserção”, afirmou, em nota.

Mariana Sola e Eduardo Silva são paulistanos e começaram a vender brigadeiro nas ruas da capital em 2016. Um ano depois, eles conseguiram reconquistar alguns hábitos de consumo que haviam abandonado em meio à recessão. No entanto, permanecem com marcas da crise e ainda lutam para virar a página completamente.

Mariana, por exemplo, ainda está procurando emprego com carteira assinada. Enquanto isso, a solução é tocar o próprio negócio, em mais um exemplo de empreendedorismo por necessidade que ganha força no Brasil.

O casal Mariana Marcon Sola e Eduardo Silveira Silva em 2016 (à esquerda) vendendo brigadeiros na rua e em 2017 (à direita) com produtos novos na loja (Foto: Caio Kenji e Marcelo Brandt/G1)

O casal Mariana Marcon Sola e Eduardo Silveira Silva em 2016 (à esquerda) vendendo brigadeiros na rua e em 2017 (à direita) com produtos novos na loja (Foto: Caio Kenji e Marcelo Brandt/G1)

“2017 é um ano de desaceleração da desocupação. No entanto, não houve nenhum sinal de recuperação dos serviços com carteira de trabalho assinada”, afirma Cimar Azeredo.

Nem todo trabalhador “por conta própria” é informal. A categoria inclui também os microempreendedores individuais (MEIs), que são pequenos empresários formais. A estimativa oficial é de que existem 7,8 milhões de MEIs cadastrados no país, mas não há dados sobre quantos deles estão ativos.

Domésticas

Em 2017, também cresceu o número de empregadas domésticas: de 5,97 milhões no final de 2012, subiu para 6,41 milhões no último trimestre do ano passado. Na avaliação do coordenador da pesquisa, esse não é um bom sinal.

“Empregos domésticos não exigem qualificação especial e também não contribuem em nada no que se refere a políticas públicas, uma vez que boa parte desses trabalhadores não contribui para a Previdência. Esse tipo de emprego é uma forma de sobrevivência e isso é mais que compreensível. Mas, a longo prazo, isso não é bom nem para o trabalhador, nem para o país.”

Via: G1