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“Trabalhei na linha de frente da covid-19 todo o tempo”, diz mãe que descobriu gestação na hora do parto

20/08/2020 às 15:32.

A funcionária pública Michaella Mignone, 30 anos, de Marataízes, no Espírito Santo, já tinha duas filhas — Drica, 11 anos, e Érika, 8 — e não pretendia ter mais filhos. “Tomava anticoncepcional injetável há anos. Inclusive, em março, meu marido e eu conversamos sobre ele fazer vasectomia”, disse ela, em entrevista à CRESCER. Mas Michaella levou um grande susto dois meses depois: “Senti uma cólica e comecei a fazer xixi com sangue. Resolvemos ir para o hospital, mas eu não consegui nem chegar no carro. Quando estava na porta, disse para o meu marido: ‘Me ajuda a deitar porque eu acho que estou parindo’. Ele riu e disse: ‘Você ta zoando, né?'”, lembra.

Michaella deu à luz à caçula ali mesmo, na sala de casa, sem nem desconfiar que pudesse estar grávida de 40 semanas e 2 dias. Durante os nove meses, ela ainda conta que trabalhou na linha de frente contra o coronavírus. “Isso me deixou muito abalada”, afirma. Confira, abaixo, o relato completo dessa história.

“Quando a Cecília nasceu, fiquei sem acreditar. Eu estava fazendo tratamento para uma hérnia umbilical. Esse problema nunca me incomodou, até que meu umbigo começou a saltar, parecia dilatado. Na época, eu estava um pouco acima do peso, mas minha barriga estava normal. A Cecília não mexia. Do umbigo para cima, eu tinha uma barriga levemente pontuda, mas no umbigo para baixo, não tinha nada, estava até meio flácida, mas comecei a sentir como se algo tivesse puxando meu umbigo.

Eu tomo anticoncepcional injetável há muito tempo e, por isso, não menstruo. Até mesmo por isso, nunca suspeitei de gravidez. Tenho outras duas filhas: Drica, 11 anos, e Érika, 8. Nas gestações das duas, eu enjoei muito, desde o início, fiquei inchada, tive desejos… Então, descobri muito cedo nas duas vezes. Mas da Cecília, eu não tive nada disso! E eu ainda trabalho na área da saúde. Com a pandemia, eu estava trabalhando na linha de frente, indo a postos de saúde e fazendo diversas reuniões. Trabalhei normalmente com meu uniforme, usando meus jeans.

Somente em abril, minha barriga deu uma dilatada e comecei a sentir dores. Fui ao médico e ele acreditou que fosse a hérnia. Recomendou dieta e repouso. Na época, por causa do meu peso, também estava fazendo dieta com acompanhamento de uma nutricionista. Mesmo grávida sem saber, eu estava perdendo cerca de um quilo por mês. Mas eu sentia que algo estava errado. Então, procurei uma UPA. O médico me avaliou e disse que eu teria que operar urgentemente a hérnia; receitou uma medicação para dor e antibiótico que, graças a Deus, não cheguei a tomar. Voltei pra minha casa, tomei um banho e dormi a noite toda.

No dia seguinte, 18 de maio, por volta do meio-dia, eu senti uma cólica e comecei a fazer xixi com sangue. Meu marido e eu resolvemos ir para o hospital, mas eu não consegui nem chegar no carro. Quando estava na porta, eu disse para ele: ‘Me ajuda a deitar porque eu acho que estou parindo’. Ele riu e disse: ‘Você tá zoando, né?’ Eu respondi que não, pois estava com a mesma sensação de quando minhas outras filhas nasceram. E foi instantâneo! Ele começou a ligar para o meu primo, que é enfermeiro, e para o meu tio, que é socorrista, para pedir orientações. Meu primo disse que estava a caminho, mas não deu tempo, foi muito rápido! Senti apenas uma cólica, menos dolorida que a de menstruação e Cecília nasceu! Fiquei sem acreditar! Meu marido perguntava: ‘O que eu faço?’ Foi ele que fez o parto! Em seguida, a ambulância chegou e fomos imediatamente encaminhadas para a maternidade.

Michaella e Cecília na ambulância, com o socorrista (Foto: Arquivo pessoal)
Michaella e Cecília na ambulância, com o socorrista (Foto: Arquivo pessoal)

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Eu fiquei muito preocupada, pois não fiz pré-natal e estava trabalhando na linha de frente contra o coronavírus. Então, isso tudo me deixou muito abalada, muito abalada mesmo. Mas foi impressionante a mobilização da comunidade. Minha família é muito unida e a chegada da Cecília trouxe um ‘refresco’, já que todos estavam tão abalados com a questão da covid. Mas amigos e até desconhecidos se reuniram e doaram tantas coisas que eu não precisei comprar nada! Ganhei tudo! Eu vi nas pessoas uma felicidade que nunca vou poder agradecer o suficiente. Cecília é uma criança saudável demais, passou por uma bateria de exames, completou 3 meses e é muito esperta! Ela tem uma manchinha em formato de coração na testa, que deixou todo mundo apaixonado!”

Á esquerda, Cecília logo após o nascimento; e, á direita, com três meses (Foto: Arquivo pessoal)

Á esquerda, Cecília logo após o nascimento; e, á direita, com três meses (Foto: Arquivo pessoal)

Via: Revista Crescer