Testemunha disse ter ouvido Cristiana Brittes falar: ‘Não deixem matar ele aqui dentro de casa’, sobre Daniel

22/02/2019 às 16:38. Comente esta notícia!

A Justiça do Paraná divulgou, na tarde desta quinta-feira (21), os vídeos das primeiras audiências realizadas no caso que investiga a morte do jogador Daniel Correa Freitas, em outubro de 2018.

Cinco testemunhas, que estavam em uma festa na casa da família Brittes, prestaram depoimento em sigilo. Assista ao vídeo acima.

Uma delas disse que ouviu Cristiana Brittes, mulher de Edison Brittes, que confessou ter matado o jogador, falando para Allana Brittes, que é filha do casal, a seguinte frase: “Não deixem matar ele aqui dentro de casa”.

“Daí a Alllana olhou pra ela e falou: ‘Mãe você sabe como é o pai’ e saiu pra fora”, contou.

A testemunha afirmou que depois disso, as agressões contra Daniel continuaram. “E daí eu sentei lá. Fiquei chocada. Sem saber o que fazer”, disse.

Outra versão

Outra testemunha também comentou sobre o mesmo momento, mas com uma versão diferente. Ela disse que Cristiana disse para Allana: “Não deixa seu pai fazer isso dentro da minha casa. Você sabe como ele é”.

Ao ser questionada se Cristiana queria evitar agressões com o comentário, a testemunhas respondeu: “Agressões provavelmente não, porque já tinham agredido o piá o suficiente”.

A testemunha também foi questionada se ao dizer a frase, estaria incentivando o homicídio. “No meu ponto de vista, não”, relatou.

Daniel Correa foi morto depois de participar das comemorações do aniversário de Allana Brittes — Foto: Divulgação/ EC São Bento

Daniel Correa foi morto depois de participar das comemorações do aniversário de Allana Brittes — Foto: Divulgação/ EC São Bento

As agressões

Uma das testemunhas também relatou que dois homens que estavam na casa da família Brittes tentaram intervir nas agressões contra Daniel, mas que “não tinha o que fizesse parar”. Ao ser questionada se alguma mulher também tentou evitar o espancamento, ela respondeu que “não”.

“A gente nem… a Stephany foi tentar chamar o Samu, e o Edison mandou todo mundo fazer nada e ficar quieto”, disse.

Outra testemunha argumentou que quatro pessoas agrediram o jogador na casa. Ela disse que foi um momento que todos os presentes na casa estavam nervosos. “O Edison falava, olha, o cara tava estuprando a minha mulher”.

A roupa do jogador e o pedido de socorro

Uma testemunha sigilosa disse na audiência que apesar de não saber exatamente quem foi, ela se recordava de um dos quatro agressores tirar a cueca de Daniel ainda na casa.

“E eu escutei também que falaram que tinha mexido com mulher de bandido e ia morrer”, relatou.

A testemunha disse acreditar que quem teria dito a frase seria David William da Silva e Ygor King, que são réus.

Ela disse ainda que ouviu gritos de socorro de Daniel quando ainda estava dentro do quarto. “Ele pedia que era pra alguém ajudar ele, ele pedia socorro e que não queria morrer”, relatou a testemunha.

Questionada se a testemunha tentou ajudar, a resposta foi a seguinte: “Eu entrei, essa hora que estavam os quatro, entrei dentro do quarto e pedi: falei nossa, o jeito que ele tava, vai matar ele. Daí eles me empurraram e falaram que era pra mim parar de tentar separar que senão ia apanhar junto”.

As audiências

Ao todo, dez testemunhas de acusação e três informantes foram ouvidos pela juíza Luciani Martins de Paula entre segunda (18) e esta quarta-feira (20). Todos foram ouvidos no fórum de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

Daniel Correa foi morto depois de participar das comemorações no aniversário de 18 anos de Allana Brittes. A festa começou em uma casa noturna, em Curitiba, e se estendeu à casa da família Brittes, em São José dos Pinhais.

A defesa de Edison Brittes afirma que Daniel tentou estuprar Cristiana, esposa de Edison, e defende que o réu matou o jogador para defender a mulher. Segundo a investigação, Daniel tirou fotos ao lado de Cristiana, no quarto do casal, antes do crime.

O jogador foi espancado na casa da família, e levado de carro até um matagal, onde foi mutilado e morto.

O que diz a defesa da família Brittes

Em nota, a defesa da família Brittes afirmou que os trechos extraídos na reportagem não retratam a realidade do contexto real da prova produzida pelas testemunhas.

O advogado disse ainda que outras testemunhas ouvidas nessa fase contradizem o que as testemunhas sigilosas alegaram a respeito do papel de Cristiana no episódio.

Veja a lista com sete réus no processo e os respectivos crimes

  • Edison Brittes Júnior – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual, corrupção de menor e coação no curso do processo (preso);
  • Cristiana Brittes – homicídio qualificado por motivo torpe, coação do curso de processo, fraude processual e corrupção de menor (presa);
  • Allana Brittes – coação no curso do processo, fraude processual e corrupção de menor (preso);
  • Eduardo da Silva – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de menor (preso);
  • Ygor King – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de menor (preso);
  • David William da Silva – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual, corrupção de menor e denunciação caluniosa (preso);
  • Evellyn Brisola Perusso – denunciação caluniosa e falso testemunho (responde em liberdade).