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‘Snyder Cut’: nova versão de ‘Liga da Justiça’ já está entre nós!

18/03/2021 às 14:00.

No fim da história, um grupo de fãs motivados se reúne e convoca seres poderosos para tentar salvar sua saga de heróis favorita. Muito resumidamente, foi isso que aconteceu com “Liga da Justiça de Zack Snyder”, que está disponível para aluguel por R$ 49,90 em lojas digitais como Apple TV, Claro, Looke e Google Play — depois, entra no catálogo do HBO Max, previsto para chegar ao Brasil em junho.

Lançado em 2017, quando foi visto como um novo fracasso da DC pelos críticos e como insuficiente para os fãs fervorosos, “Liga da Justiça” agora ganha uma segunda chance de fazer jus ao sucesso dos quadrinhos pelas mãos de Zack Snyder, cineasta responsável por criar a franquia.

Tragédia familiar

Para entender esta trama da vida real, é preciso um flashback. Diretor também de “O homem de aço” (2013) e “Batman vs Superman: A origem da Justiça” (2016), Snyder se encontrava em meio a  embates criativos com a Warner Bros., estúdio que produz os filmes inspirados nas histórias da DC. A ideia era tentar suavizar o tom sombrio que o diretor apresentava em seus filmes, e explorar um lado mais leve e cômico, que tanto funciona para a rival Marvel. O estúdio convocou, então, o roteirista Joss Whedon — que assina um dos acertos da concorrência, “Os Vingadores” (2012) — como uma espécie de consultor.

Enquanto isso, Snyder precisou lidar com uma tragédia familiar: o suicídio da filha Autumn, de 20 anos. Decidiu, então, abandonar o projeto na pós-produção, e Whedon finalizou o filme.

“A decisão de sair foi 100% minha”, garante Snyder em entrevista ao “New York Times”. “Eu sabia da luta que travava com eles, e minha família precisava de mim, e eu dela. Eu estava lutando em casa, e ir para meu local de trabalho enfrentar outra luta parecia algo ultrajante de se fazer a mim e aos meus entes queridos.”

#ReleaseTheSnyderCut

“Liga da Justiça” saiu, fez US$ 657 milhões nas bilheterias pelo mundo, mas os fãs sempre souberam que aquela não era a versão que Snyder soltaria. Desde então, virou uma espécie de culto pop de redes sociais a ideia de que existia um corte do diretor, impulsionada pela hashtag #ReleaseTheSnyderCut (“lance o corte de Snyder”), que virou um meme incentivado pelo próprio cineasta. Em partes, porque era divertido para ele, mas também porque efetivamente existia esta versão.

“Quase todo filme que eu fiz tem um corte do diretor. Quando larguei o projeto, pedi a um dos editores (Carlos Castillón) que o montasse da melhor maneira possível e me mandasse”, revela Snyder. “Mas nunca imaginei que uma empresa grande como a Warner consideraria essa ideia por conta do barulhos dos fãs. Talvez em dez anos, num DVD…”

Batman de Affleck, Coringa de Jared Leto

Numa reviravolta, um plot twist digno de filme de heróis, a Warner não só deu o sinal verde como disponibilizou mais US$ 70 milhões, além dos US$ 300 milhões do orçamento original, para Snyder filmar cenas extras — como um aguardado encontro entre o Batman de Ben Affleck com o Coringa de Jared Leto — e entregar sua melhor versão possível. Mesmo que isso signifique um filme de quatro horas e dois minutos de duração.

“É como ‘O irlandês’ com ação. Ou ‘O poderoso chefão’ dos filmes de super-heróis. Também seria uma boa crítica”, brinca Snyder. “Isso mostra que o consumidor não está errado. Dizer ‘eles não aguentam nada com mais de duas horas, vão enlouquecer’ é subestimar o público.”

Despedida de Snyder, com final aberto

Com tempo e orçamento disponíveis, Snyder desenvolveu melhor a origem de personagens como Flash (Ezra Miller) e Cyborg (Ray Fisher), além de conduzir a trama de maneira mais verossímil para a ressurreição do Superman (Henry Cavill), e deixar um final aberto para o que faria na sequência. Mesmo sabendo que a Warner optou por se distanciar da franquia que ele vinha criando com os filmes subsequentes — como “Aquaman” e “Shazam!” — e que ele não faz mais parte desse universo cinematográfico.

“Eles consideram a versão original de ‘Liga da Justiça’ como cânone. É a decisão deles, e desejo o melhor, que acertem um blockbuster atrás do outro. Os astros desses filmes são meus amigos, quero que eles prosperem”, ele diz.

Em suma, “Liga da Justiça de Zack Snyder” é o maior e mais caro fan service — expressão para cenas pensadas em agradar fãs de quadrinhos — do cinema: “É o culminar de toda essa experiência: eu lutei, usei a hashtag #ReleaseTheSnyderCut, e ela está no meu mundo, no meu computador, na minha TV. Não acho que alguém possa quantificar o que isso significa ainda”, conclui o diretor.

Fonte: O globo