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Servida em mais de 100 bares de Curitiba, a carne de onça foi registrada como patrimônio cultural

04/10/2017 às 08:53.

Qual a história da carne de onça? Conheça as duas versões

Servida em mais de 100 bares de Curitiba, a carne de onça foi registrada como patrimônio cultural e virou tema de festival gastronômico. Conheça a história da carne de onça

O preparo é tão característico de Curitiba que o Prêmio Bom Gourmet premia a melhor carne de onça de Curitiba desde 2014 pelo Sabor Popular. O sistema de votação on-line é feito em duas etapas: o público indica o bar que prepara sua carne de onça preferida. Em seguida, os três mais indicados são revelados e abre-se a votação on-line. Em 2017, a carne de onça eleita pelo público foi a do Bar Baran.

Carne Onça do Barbaran. Foto: Divulgação

Carne de onça do Bar Baran. Foto: Divulgação

“Fizemos a primeira edição do Festival em 2014, antes da lei que declarou a carne de onça como nosso patrimônio imaterial. A inspiração veio do pão no bafo, intrinsecamente ligado à identidade cultural de Palmeira, e de uma pesquisa que fizemos em Santa Catarina, ao constatar que a receita mais parecida com a nossa é o hackepeter alemão”, conta Medeiros. “Como leva mais temperos, tem uma apresentação diferente, como antepasto, e não é individual, podemos afirmar que carne de onça só existe em Curitiba”, explica o editor, cujo levantamento aponta mais de 100 bares que servem a iguaria na cidade.

Mas de onde veio essa receita e nome, tão peculiares?

Britânia e bafo de onça

Constantemente servida na capital paranaense desde a década de 1950, a carne de onça tem duas histórias de origem conhecidas. A mais antiga data de 1938, no bar Toca do Tatu, no cruzamento da Marechal Floriano com a Marechal Deodoro, no Centro, e era contada por Ronaldo Abrão, o lendário Ligeirinho, falecido no ano passado, e testemunhada por Luiz Geraldo Mazza, “decano” do jornalismo paranaense.

“O Ligeirinho jogava no Britânia, cujo diretor, Cristiano Schmidt, era também dono do Toca do Tatu. Como ele não pagava o ‘bicho’ aos jogadores após as vitórias, servia uma baciada de carne crua sobre fatias de broa. Um dia o goleiro Duia reclamou que o diretor só servia ‘essa carne que nem onça come’, nome que acabou pegando e se tornou um dos pratos mais pedidos do bar”, conta Sergio Medeiros.

Por sua vez, o jornalista João José Werzbitzki, morto este ano, relatava que seu pai Leonardo “Onha” Werzbitzki preparava a carne de onça, na forma como conhecemos hoje, desde a década de 1950 em seu primeiro restaurante, o Embaixador. “Ninguém sabe ao certo a origem do nome do prato – que, na verdade, não tem relação com onça ou qualquer felino –, mas, dizia meu pai, o nome ficou assim porque o ‘bafo é de onça’, depois de comer aquela iguaria, preparada com carne crua, cebolas e temperos”, escreveu JJ em 2014, em um texto publicado no Huff Post Brasil.

Temperos e pães variados

Seja originada na Toca do Tatu, seja no Embaixador, o fato é que mais de 60 anos depois a carne de onça é a preferida dos curitibanos – que apreciam tanto a versão tradicional, quanto as variações que vêm surgindo ao longo dos anos.

“Nossa única exigência aos bares que participam do Festival é que não desvirtuem demais a receita, trocando o tipo de carne, por exemplo. Mas os temperos variam – a Cantina do Délio serve com alcaparras e carne picada, por exemplo – e às vezes até a broa dá lugar a outro tipo de pão, como o Mr. Hoppy Beer & Burger, que utiliza pão de hambúrguer”, detalha Medeiros.

Via: Gazeta Do Povo