“Se situação complicar, as escolas podem fechar”, diz ministro da Saúde do Brasil

12/03/2020 às 08:52.

Preocupação de Luiz Henrique Mandetta é que, se essa medida for necessária, muitas das crianças poderiam ficar com os avós, que são o grupo de maior risco

O Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta admitiu em coletiva de imprensa nesta quarta (11) estar discutindo com sua equipe o fechamento de escolas por causa do coronavírus. “Quando isso acontece (as escolas fecham), as crianças geralmente são deixadas com os avós e quem queremos proteger desse vírus são justamente os mais idosos. Então fechar as escolas colocaria um dilema. É possível? Sim. Talvez seja necessário em algum momento? Sim, mas quero lembrar sempre que os idosos e os doentes crônicos são objeto principal de proteção nessa crise”, afirmou o ministro.

Em vídeo publicado nas redes sociais, nesta quarta (11), o ministro da Educação, Abraham Weintraub, também ponderou sobre o que pode ser feito caso seja necessário fechar as escolas. Weintraub afirmou que medidas já estão sendo tomadas e que será montado um “plano de aulas remotas”.

A declaração do ministro veio no mesmo dia em que a Organização Mundial de Saúde declarou que o coronavírus pode ser classificado como pandemia, ou seja, tem presença e transmissão sustentada em diversos continentes. Por causa da decisão da OMS, Mandetta afirmou que qualquer pessoa que chegue ao Brasil de um voo internacional, independente do país de origem, e apresente febre, tosse ou outros sintomas similares à gripe pode ser considerada um caso suspeito de coronavírus. De acordo com dados apresentados pelo Ministério da Saúde, a letalidade do coronavírus no mundo, é, em média, de 3,5%, sendo que a China registra taxa de 3,9%; a Europa de 3,5%; e o Sudeste Asiático, 2,2%.

Coronavírus no Brasil

Para o ministro, o vírus provavelmente terá um “impacto grande” no SUS. “O vírus derruba os sistemas de saúde, porque, apesar da letalidade relativamente baixa, já foi verificado em outros países, como é o caso da Itália, que, quando a transmissão sustentada se confirma, ocorre um aumento muito agudo e rápido de pessoas necessitando de tratamento”, disse o ministro. “Nessa crise, precisamos fazer bom uso do sistema de saúde, dos kits de diagnóstico e dos aparelhos de respiração assistida”.

Mandetta ressaltou ainda que, por ser um país muito grande, é possível que o ritmo de transmissão do coronavírus varie bastante de estado para estado. “Não teremos uma receita de bolo que funcionará para todo o Brasil, teremos que avaliar região por região”, afirmou.

De acordo com o último boletim divulgado pelo Ministério da Saúde, o Brasil tem 52 casos confirmados de coronavírus. A maior incidência é em São Paulo, com 30 casos, seguido pelo Rio de Janeiro, com 13. Também há casos confimados na Bahia (2), Distrito Federal (2), io Grande do Sul (2), Minas Gerais (1), Espírito Santo (1) e Alagoas (1).

Como se prevenir

Mandetta ressaltou a importância de medidas preventivas. “Todo brasileiro tem que fazer o que está ao se alcance. Lavar as mãos com frequência, não visitar pessoas idosas se estiver gripado ou resfriado, evitar o contato social para pessoas acima de 60 anos ou com doença crônica e estimular o trabalho em horários alternativos em escala, reuniões virtuais e home office”, defendeu o ministro.

Entre as medidas que serão tomadas pelo Ministério, destaca-se a ampliação do Programa Saúde na Hora, de 1,5 mil para 6,7 mil postos de saúde. “Esse programa oferece o primeiro atendimento até às 22h. A porta de entrada para o tratamento será pela atenção primária já que a grande maioria dos casos de coronavírus evolui muito bem até sem remédio. Os pacientes com sintomas devem procurar primeiro os postos de saúde e não os hospitais”, explicou o ministro.

Via: Revista Crescer