‘Se eu demoro mais 10 ou 15 minutos, ela não estaria viva’, diz zelador que socorreu vítima de agressões

21/02/2019 às 08:24.

O zelador do prédio onde a paisagista Elaine Perez Caparroz foi agredida no fim de semana prestou depoimento na manhã desta quarta-feira (20) na 16ª DP, na Barra da Tijuca. Juciley de Souza Andrade contou que o socorro à vítima foi feito por ele e pelos outros funcionários do prédio e que, ao contrário do que havia sido divulgado, não foi chamado por moradores do condomínio.

Foto: Reprodução/TV Globo

“Se eu demoro mais 10 ou 15 minutos, acho que ela não estaria mais viva não. Porque se o socorro demorasse mais um pouco ela não estaria viva”, explicou o funcionário.

Ele contou que estava fazendo uma vistoria habitual pelo prédio durante o horário entre 3h30 e 4h quando escutou os gritos de Elaine.

“Eu praticamente salvei a vítima. Eu vinha descendo e fazendo a minha ronda e escutei o pedido de socorro e me desloquei até o apartamento. Primeiro apertei a campainha e nada de atender. Então comecei a bater na porta muito forte, então a vítima parou de pedir socorro. A minha intenção era quebrar a porta. Mas eu desci e chamei a viatura para o policial me acompanhar”, explicou o funcionário.

Polícia Civil ouve segurança do condomínio onde mora Elaine Caparroz

Polícia Civil ouve segurança do condomínio onde mora Elaine Caparroz

Juciley de Souza Andrade, que socorreu a paisagista em prédio na Barra da Tijuca — Foto: Reprodução/ TV Globo Juciley de Souza Andrade, que socorreu a paisagista em prédio na Barra da Tijuca — Foto: Reprodução/ TV Globo

Juciley de Souza Andrade, que socorreu a paisagista em prédio na Barra da Tijuca — Foto: Reprodução/ TV Globo

Juciley desceu até a portaria e ligou para a polícia. Quando ele voltava ao apartamento, encontrou Vinícius Batista Serra, com quem Elaine jantou na noite anterior. Eles conversavam havia oito meses por uma rede social e marcaram de se encontrar na casa dela. Elaine disse que acordou com socos. Segundo o zelador, a roupa dele estava suja de sangue.

“Eu rendi e mandei ele sentar e aguardar a chegada da polícia. Ele não reagiu”, explicou o funcionário do condomínio.

Ao retornar ao imóvel, ele contou que estava acompanhado por um policial e se chocou com o estado de Elaine, que estava consciente, mas muito machucada e coberta de sangue.

“O apartamento ficou totalmente destruído. Tinha sangue nas paredes, no banheiro. Ela estava com uma parte do corpo para o quarto e outra para o banheiro”, explicou Juciley.

Segundo ele, a vítima chegou a pedir água, mas ele e o policial acharam melhor não dar e aguardar orientações dos profissionais de saúde da ambulância chamada para socorrê-la.

Elaine Caparroz ainda prestará depoimento, que ainda não havia sido tomado antes porque desde domingo (17) a vítima estava no CTI do Hospital Casa de Portugal, que fica no Rio Comprido, Zona Norte. Na terça-feira (19), Elaine teve leve melhora e saiu do CTI.

Na terça-feira, os investigadores ouviram o síndico e a subsíndica do condomínio onde mora Elaine. A subsíndica disse que as câmeras do prédio não registraram nenhuma imagem que possa ajudar na investigação. A polícia está checando câmeras das ruas próximas.

Já o síndico confirmou que Vinícius se identificou como Felipe, na portaria. Os porteiros devem depor na próxima quinta-feira (21).

Os pais do agressor Vinícius Batista Serra também foram intimados, mas não apareceram na delegacia. Vinícius está preso preventivamente, sem prazo para sair, e vai passar por um exame psiquiátrico, já que alegou ter sofrido um surto.

“Não acredito nessa possibilidade. Ele já tem um perfil violento, tanto é assim que um segurança, na medida que a vítima gritava pedindo socorro, pediu para ele abrir a porta e ele disse que não abriria. Só se arrombasse”, disse a delegada.

O estudante de direito já tinha sido acusado de violência, há três anos, pelo pai, depois de bater no irmão com deficiência e no próprio pai. Nesta terça, a delegada que investiga o caso confirmou que recebeu a informação de que Vinícius teria batido também na mãe, mas ela não quis prestar queixa contra o filho. O depoimento dos pais é importante para a polícia tentar traçar um perfil do agressor.

Via: G1