Ao Vivo

Sanepar vai implantar rodízio mais duro em Curitiba e RMC se reservatórios caírem a 25%

14/09/2020 às 08:12.
Represa Piraquara 1, que abastece Curitiba, sem água. Foto: Lineu Filho / Tribuna do Paraná

A cada mês que passa, a estiagem aperta e a crise hídrica fica cada vez mais severa em Curitiba e região metropolitana. Dados da Companhia Paranaense de Saneamento (Sanepar) mostra que a população até tem colaborado em não desperdiçar água. O mês de agosto apresentou redução de 14% no consumo em relação a abril, quando o governo do estado declarou a crise hídrica. A queda foi de 10 mil litros para 8,5 mil litros por residência. Mas ainda não é o suficiente. Com o tempo cada dia mais seco, o desavio da Sanepar à população é chegar à economia de 20% no consumo de água.

Os reservatórios que abastecem Curitiba e região metropolitana seguem com apenas 33% da capacidade total. Para que a água não falte de vez, a Sanepar adotou um de rodízio no abastecimento mais severo a partir de agosto, com 1,5 dia com água e 1,5 sem água nos imóveis. E a Sanepar alerta: se a seca prosseguir e a população não chegar à marca de 20% de economia no consumo de água, o rodízio vai ficar ainda mais duro. A perspectiva da Sanepar é adotar um novo rodízio, com menos horas de água nos imóveis, se os reservatórios caírem para 25% da capacidade.

“Queremos evitar ao máximo a mudança no modelo do rodízio. Por isso a gente pede o entendimento da sociedade. Estamos bastante preocupados e temos batido sempre nessa mesma tecla, de que se faça o uso econômico da água neste momento”, apela o gerente de produção de água da Sanepar, Fabio Basso. A prioridade do uso da água deve ser sempre higiene pessoal e alimentação – lembrando que durante a pandemia de coronavírus precisamos lavar as mãos constantemente.

Apesar de estar numa região de planalto, com temperaturas amenas e características típicas de um clima subtropical, a Curitiba “cinza” e da garoa enfrenta a pior seca dos últimos 100 anos. “Com concentração populacional de 4 milhões de pessoas, a disponibilidade hídrica de Curitiba e região é comparada a do semiárido brasileiro”, dá ideia do tamanho do problema o gerente de produção de água da Sanepar.

Chove abaixo da média histórica desde meados de outubro de 2019 em Curitiba e infelizmente a situação parece estar longe de se resolver. Em abril, a reportagem da Tribuna foi atrás de respostas para saber quando toda situação poderia voltar ao normal. Naquela época, o gerente de processos de água da Sanepar Celso Thomaz cogitou que as chuvas mais significativas da primavera poderiam normalizar a situação.

Mas setembro chegou, já é quase primavera, e desde o começo do mês nenhuma gota de água caiu. O período de seca continua e as altas temperaturas dos próximos dias podem piorar ainda mais a crise. “Estamos num défict acima de 600 mil litros, com estiagem severa e chuvas abaixo da média há mais de um ano. Em agosto, na segunda quinzena, mas foi apenas um alento. A situação dos reservatórios ainda é crítica”, enfatiza o gerente da Sanepar, Fabio Basso.

Um novo reservatório resolveria o problema?

Para abastecer toda a grande Curitiba, a Sanepar conta hoje com quatro barragens: duas na região de Piraquara, uma na região do Passaúna, em Araucária, e outra em Iraí, entre Pinhais e Piraquara. Uma quinta barragem segue em construção, em São José dos Pinhais. Com previsão para ser concluída em dezembro, a barragem do Miringuava contou com investimentos de R$ 160 milhões e pode incrementar em até 38 bilhões de litros de água o sistema de abastecimento local.

No entanto, de acordo com Fabio Basso, o sistema de rodízio continuaria em vigor mesmo se nova barragem já estivesse em funcionamento. “Ela é um plano de investimento consistente que vai garantir regularidade no abastecimento nas próximas secas. Então, ela precisaria ser abastecida num período chuvoso. A disponibilidade hídrica depende do ciclo da água, se não tiver chuva com regularidade, não tem água para a população”, esclarece. Enquanto Miringuava não fica pronta, a companhia investe também em obras de melhorias de distribuição, produção e reservação.

Evitar uma outra estiagem severa como essa nos próximos anos é um trabalho que envolve vários atores na visão de Basso. “Começa pela preservação do meio ambiente, de uma conscientização que mostre o quanto é importante a preservação das matas, de um controle do crescimento das cidades sobre as áreas de mananciais”, defende. Aliado a tudo isso, o técnico relembra também a importância do uso consciente da água pela população.

Denuncie o desperdício!

Diante dessa crise, o aprendizado que fica é: se não usar água com consciência, ela vai faltar. Por isso, mesmo em dias quentes, não gaste água para lavar a calçada, regar todo o jardim e lavar o carro. O calor deste fim de semana, inclusive, causa preocupação na Sanepar de que a população desperdice água nessas atividades. “A natureza dá sinais do que o homem fez ao longo do tempo. Temos que usar enquanto temos, da melhor maneira possível”, alerta o técnico.

O ideal é que todo mundo faça a sua parte. Ao ver alguma situação de desperdício, denuncie! Para isso, a Sanepar criou em agosto um canal para centralizar todas as denúncias de uso inconsciente de água. Em menos de um mês, o Alerta Água já recebeu mais de 2 mil denúncias com fotos e vídeos de uso irresponsável de água em Curitiba e região. O número é (41) 99521-3022, que atende pelo Whatsapp. Quem pratica o desperdício é alertado e abordado de forma socioeducativa.

Dicas para economizar água

  • Um banho de 15 minutos exige 105 litros de água. Reduza o tempo para 05 minutos, e o consumo cai para 70 litros
  • Cada vez que você lava as mãos com a torneira aberta o tempo todo, são gastos 7 litros de água
  • Para fazer a barba, com a torneira aberta, um homem gasta 65 litros de água. Feche a torneira enquanto faz a barba, e só volte a usar água para enxaguar. Com a torneira fechada o consumo será inferior a um litro
  • Ao escovar os dentes é necessário apenas um copo de água, mas as pessoas  que não fecham a torneira durante a  escovação  gastam 10 litros
  • A válvula de descarga é um grande vilão no consumo de água. Sozinho o vaso sanitário pode ser responsável por 50% do que se gasta em uma residência
  • Nunca jogue cigarros, absorventes ou papéis no vaso, porque haverá maior consumo de água para mandar esse lixo embora
  • Deixar a mangueira aberta enquanto lava o carro, nem pensar! Se você fizer isso vai gastar 360 litros. Não lave o carro. Se for imprescindível, use apenas a água de um balde  pequeno
  • A água da mangueira não é para varrer a sujeira – use a vassoura
  • Lavar a louça da família também exige mudança de hábito. Se continuar lavando com a torneira aberta o tempo todo, serão gastos 112 litros por pessoa. Mude o hábito. Feche a cuba da pia, encha de água. Ensaboe toda a louça e enxágue com água limpa. Se fizer assim, você vai consumir menos de 10 litros para lavar a louça
  • Procure usar a capacidade máxima da máquina de lavar roupas. Não lave roupas todos os dias. Espere acumular. Você vai economizar água e energia. A água que fez o último enxágue das roupas, no tanque ou na máquina pode perfeitamente ser usada para ensaboar tapetes, tênis e cobertores. Também serve para molhar plantas, lavar carro, pisos e calçadas
  • Recomendações gerais: Quando você for viajar, feche o registro do cavalete de entrada d’água, evitando qualquer desperdício durante sua ausência. Atenção com vazamentos, pois eles são vilões. É fundamental observar se a válvula de descarga está funcionando perfeitamente, se não há manchas de umidade nas paredes e calçadas e também se todas as torneiras estão vedando adequadamente. Uma torneira que fica gotejando durante um mês representa um desperdício de 2 metros cúbicos, o suficiente para atender as necessidades de uma pessoa por 14 dias.

Via: Tribuna Do Paraná