Saiba como o Jardim da Ressurreição se transformou no #Cemi mais querido das redes sociais

04/08/2017 às 13:34. Comente esta notícia!

Foto: Reprodução

 

No bairro de Gurupi em Teresina (PI) está localizado o Cemitério Jardim da Ressurreição. Coordenado pelo grupo Geraldo Oliveira o empreendimento realiza velórios e sepultamentos desde 1973. Tradicional na região, a empresa sabia que precisava atualizar o discurso e convidou uma agência digital para cuidar de sua imagem nas redes sociais.

Coordenada pelo casal Cyntia Freitas e Eudes Júnior, a CJflash aceitou a missão e começou a pensar formas para aumentar a base e engajar o público a partir de uma fanpage que começaria do zero. Desde o primeiro momento, a ideia da dupla era trazer mais leveza a um tema tão pesado como a morte. Vista com otimismo pelos clientes, a estratégia do casal foi bem aceita e eles puderam trabalhar suas ideias no Facebook.

A parceria se iniciou em 2015 com mensagens motivacionais, correntes que falassem de saudade. As postagens gradativamente começaram a usar expressões como “estou morto de fome” e “humanização” das estátuas para trazer mais leveza à página oficial. A virada ocorreu quando um post usou a liberação do casamento gay nos Estados Unidos para falar de cremação.

 

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Daí pra frente os seguidores multiplicaram, o trabalho da agência de Teresina já apareceu em jornais de várias partes do mundo e hoje o tradicional empreendimento do Nordeste do país é o #Cemi mais querido da internet.

Para entender como tudo isso aconteceu conversamos com Cyntia Freitas, sócia da CJFlash e atendimento da conta do grupo Geraldo Oliveira, e o time da CJFlash. Confira abaixo a entrevista:

 

(da esquerda pra direita Eudes Júnior, Leonardo Santos, Cyntia Freitas, Onildo Filho , Diego Oliveira e Cunha Jr)

 

Como surgiu a ideia de tratar de modo bem-humorado um tema tão sério?

A CJFlash já atendia o Grupo Geraldo Oliveira há algum tempo, então no nosso planejamento propomos ao cliente criar uma página no Facebook, com a ideia de desmistificar o tema morte, quebrar esse tabu tratando o assunto com naturalidade e com humor.

Quando os vendedores iam visitar os clientes, muitos não queriam nem receber, com “pavor” de pensarem que um dia morreriam. Expomos os riscos, e traçamos a estratégia para o cliente e ele deu carta branca pra gente, o que foi determinante para o sucesso. O grande propósito da página não era fazer vendas de jazigos e sim trabalhar o tema morte deixando-o mais leve, facilitando a atuação do comercial, que é o que vem acontecendo e nos deixou muito feliz.

Hoje as pessoas já aceitam intervenções midiáticas com muito mais naturalidade.

 

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Como a CJ Flash, agência que administra a conta, equilibra briefing, visão do cemitério, resposta dos familiares que enterraram seus entes e o público?

A CJFlash tem bem definido o propósito da Página: desmistificar o tema morte, e torná-lo um assunto leve. Ninguém pode fugir dessa realidade. No início, assim que iniciamos o processo de mudança indo para uma linha mais humorística, tivemos algumas reações negativas inclusive do público local, mas logo passaram a entender que a página não estava tirando onda com a memória e/ou das pessoas que estavam sepultadas no cemitério.

Já nos perguntaram se os velórios e sepultamentos no cemitério são “zoeiros” como os posts. Claro que não. A CJFlash e o cliente reproduzem o acolhimento que cada ambiente necessita, no virtual todo mundo quer se divertir, sorrir, zoar, já no real, temos um ambiente leve, com capelas, jardins, serviço especializado, criando todo um contexto pra acolher da melhor maneira aquelas pessoas que estão passando por aquele momento tão triste.

Hoje isso é bem claro também para o público e ficamos muito orgulhosos do cliente também confiar na nossa estratégia.

 

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Em meados de 2015 apareceram as primeiras postagens bem-humoradas. Como se deu a trajetória para que um cemitério privado como outros tantos se tornasse o #cemi mais famoso da web?

Queríamos ser diferentes e acreditamos nisso desde o início. Como sabíamos do risco de sermos um hit negativo na internet por tentar fazer uma rede social de cemitério e ainda mais estando no Piauí, decidimos adotar a estratégia de iniciar com testes de postagens bem planejados.

Começamos com mensagens motivacionais, depois tentamos criar uma corrente referenciando saudade, mudamos e começamos a falar de morte com um pouco de humor tipo “estou morto de fome”, “vou te matar de beijos”…, e então passamos para o momento de humanização com as estátuas e começamos a brincar de fato também com o público, mas ainda era muito tímido, deveríamos ter apenas uns 800 seguidores…quando aconteceu a virada com o post da purpurina homenageando a liberação do casamento gay nos EUA, fomos uma das primeiras página da internet a fazer o post e então dentro de poucos minutos caímos na graça do público que começou a compartilhar o post e exaltar o cemitério.

A situação era muito fora da caixa, um cemitério, do Piauí, falando de casamento gay e cremação, então a partir daí a página passou a ser o “cemi”, e ganhamos uma legião de fãs e defensores.

 

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De que maneira o aumento no número de seguidores na fanpage reflete financeiramente na marca?

O primeiro ponto é o fato de o Jardim da Ressureição não ser mais um corpo estranho, a maioria das pessoas ou o tem no bolso, no computador ou já ouviu falar, então isso facilita o trabalho do comercial por não ter uma alta taxa de rejeição como antes, e no último ano o aumento das vendas foi de 40%. A diretoria da empresa acompanhou as mudanças com investimentos no local, inclusive equipe comercial e estrutura física.

 

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Como Gurupi, bairro de Teresina onde está localizado o Jardim da Ressurreição, se relaciona com o #cemi da cidade?

Ótimo, muita gente usa o espaço pra caminhar e relaxar, além de frequentar os cultos e missas que acontecem na capela do cemitério. As missas aos domingos estão cada vez com mais pessoas. Há domingos que chega a 400 participantes.

 

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Já houve algum problema sério com a publicação de alguma postagem?

Problema sério não, mas já tivemos algumas rejeições no início e já apagamos alguns posts que os fãs não curtiram e sugeriram que fossem apagados. Temos uma relação muito boa com os seguidores inclusive existe um grupo fã do cemi onde recebemos várias sugestão de posts, feedbacks e muita conversa inbox.

Nesse período acho que tivemos apenas umas 3 ou 4 postagens que tiramos do ar rapidamente por sugestão do público, que sempre fazem as críticas construtivas no privado…isso é fantástico pra gente, porque sentimos a preocupação que eles têm com a página falam com a certeza que vão ser escutados e respeitados.

 

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Quais os cinco posts que vocês mais gostaram de ter feito?

Pergunta difícil de responder, tem muitos posts bacanas inclusive alertando para várias causas como homofobia, suicídio, trânsito, estupro,… mas os que mais nos enchem de orgulho são os de maior alcance, rsrsrsr. O da Purpurina do casamento gay, foi o marco da virada, depois tivemos a do lançamento do Filme Star Wars, a do Potinho divulgando crematório também e por último, essa do meme “se juntas imagine juntas” que nos deu um alcance de 8 milhões de pessoas.

 

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Depois de ganhar as redes sociais, importantes veículos nacionais e até aparecer na BBC o que esperam do futuro?

Queremos continuar crescendo com a página do cemi e de outros clientes que nos derem (ao menos parcialmente) liberdade criativa. O interessante é que todos querem ser o “cemi”, mas ninguém aceita correr riscos.

Nós da CJFlash estamos reestruturando o setor de marketing digital para atender o mercado fora de Teresina também. Já estamos com uma conta de uma empresa do Rio Grande do Sul e uma de Miami/Brasil e vimos que é perfeitamente possível, graças às novas tecnologias, gerarmos resultados desta forma.

 

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Fonte: AdNews