Projeto voluntário permite que universitárias deixem filhos com cuidadores durante aulas em universidade

21/12/2018 às 09:14.

É um grande desafio ser uma mãe universitária e equilibrar a devida atenção ao filho, os estudos e a presença em sala de aula na universidade.

Milhares de universitárias que engravidam sofrem dificuldades por, muitas vezes, não terem com quem deixar suas crianças enquanto estão em aulas, atrasando o progresso do curso e até adiando a formação.

De modo a ajudar essas mulheres, um grupo de alunos do curso de Enfermagem da UFAL – Universidade Federal de Alagoas, criaram um projeto chamado Rede Mãos Dadas de Apoio às Mães Universitárias (REMAD), no qual estudantes voluntários se oferecem para cuidar dos filhos de universitárias enquanto elas estão estudando.

A iniciativa surgiu a partir da história de uma aluna que, como tantas outras, não tinha onde deixar seu filho para frequentar as aulas; ela acabou desistindo do curso.

Decididos a fazer algo à respeito, os alunos de Enfermagem encaminharam o esboço do projeto ao Centro Acadêmico (CA), que aprovou a ideia, escrevendo-a para homologação na Pró-Reitoria Estudantil (PROEST), mais tarde concedido.

Elisabeth Maia, de 25 anos, é estudante de Nutrição e mãe do pequeno Miguel, que tem pouco mais de um ano de vida. Ela relata que encontrou o projeto e viu nele a oportunidade de poder continuar seus estudos mantendo seu filho num lugar seguro e, sobretudo, próximo à ela, na própria universidade.

“Conheci o projeto pela internet, vi que ele estava relacionado à ajuda das mães universitárias e isso me interessou muito, pois a minha família não tinha mais condições de ficar com meu filho, pois minha mãe estava com problemas de saúde. Pra mim foi muito proveitoso porque eu não tinha com quem deixar, e fiquei feliz sabendo que o projeto me ajudaria de alguma forma”, disse a estudante.

Para Elizabeth, o projeto REMAD foi vital para ela poder continuar os seus estudos, já que as aulas são em tempo integral. Sem a iniciativa, ela não teria onde deixar Miguel, já que não conseguiu vaga no Núcleo de Desenvolvimento Infantil (NTI) da UFAL, uma vez que a repartição só aceitam crianças de dois anos ou mais.

“Eu passo o dia todo aqui, chego ás 8h e vou embora ás 17h, no horário que eu não estou em aula estou estudando na biblioteca, já que em casa não posso estudar mais. Depois do projeto até o vínculo com o Miguel melhorou”, disse Elizabeth.

Para tirar a ideia do papel, os estudantes levaram cerca de seis meses para cumprir todos os pré-requisitos da academia. Foram realizados minicursos, arrecadação de brinquedos e rifas para captar recursos.

Brinquedos doados divertem as crianças enquanto mães estudam em universidade — Foto: Divulgação/Remad

Após um longo processo, o Remad foi finalmente aberto, em outubro deste ano. A iniciativa, considerada inovadora e bastante nobre, rapidamente repercutiu pelo ambiente da universidade e ganhou visibilidade UFAL afora. Em questão de dias, dezenas de mães manifestaram interesse em obter vagas.

“Desde o início acreditamos no projeto, tanto é que começamos sem sala. Nos precisamos de espaço, precisamos de uma sala pra ser referência como sala de extensão, a universidade permitiu que nós utilizássemos uma sala não fixa e outros poucos materiais que foi adquirido pelo grupo, ainda falta muito pra que esse projeto continue” afirmou Anne Laura, professora de saúde da criança e orientadora do projeto.

Se você quiser ajudar o projeto Rede Mãos Dadas de Apoio às Mães Universitárias, pode entrar em contato com sua coordenação pelo Instagram – @projmaosdadas