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Projeto de praça flutuante sobre o Terminal do Guadalupe ameaça terminal histórico

13/04/2017 às 09:43.
Imagens: Prefeitura de Curitiba/Facebook/ReproduçãoImagens: Prefeitura de Curitiba/Facebook/Reprodução

Projeto de praça flutuante sobre o Terminal do Guadalupe despertou críticas de arquitetos e especialistas em patrimônio da cidade

A Prefeitura de Curitiba anunciou nesta terça-feira (11) que pretende revitalizar a área onde estão localizados o Santuário Nossa Senhora de Guadalupe e o Terminal Guadalupe, no Centro de Curitiba. O projeto inicial propõe uma transformação radical na área que faz parte da memória e do dia a dia de gerações de curitibanos e está sendo bastante criticado por arquitetos e especialistas em patrimônio da capital.

De acordo com a gestão municipal, a proposta é revitalizar o espaço e transformá-lo em um polo de turismo religioso nacional. Para isso, prevê a construção de uma praça elevada sobre o terminal de ônibus, a partir do nível de acesso da igreja. Com isso, o santuário passaria a ser o ponto focal da área e serviria como uma espécie de mirante para a região do Rebouças.

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“Queremos criar uma praça de convívio urbano na região do Guadalupe, oferecer um espaço mais qualificado do que o atual. Essa é a intenção do projeto”, resume o presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Reginaldo Luiz Reinert.

Segundo ele, a prefeitura tem como meta a requalificação urbana de alguns pontos da cidade, entre eles o do Guadalupe. Ao mesmo tempo, o santuário havia apresentado a necessidade de modificar e ampliar suas instalações, o que contribuiu para que o projeto de requalificação fosse “startado”. “Unimos o útil ao agradável, pois podemos fazer disso um processo de devolução do espaço público para a cidade”, acrescenta o presidente.

Ele reforça, ainda, que a praça será uma espécie de complemento aos serviços urbanos presentes no local. Isso porque, sob ela, funcionarão o terminal de transporte e as áreas comercial e de estacionamento. O projeto ainda prevê um espaço reservado à TV Evangelizar.

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Críticas

É ponto pacífico que a região do Guadalupe demanda um projeto de revitalização que devolva a segurança e a qualidade do espaço urbano ao local. A proposta apresentada pela prefeitura, no entanto, tem recebido críticas de arquitetos, urbanistas e especialistas que questionam a qualidade arquitetônica do projeto e sua possível interferência sobre o patrimônio construído da cidade.

Isso porque o Guadalupe foi o primeiro terminal rodoviário de Curitiba (sendo substituído na década de 1970 pela Estação Rodoferroviária) e teve seu projeto assinado pelo engenheiro Rubens Meister, como lembra o arquiteto e urbanista Fábio Domingos Batista, da Grifo Arquitetura. Meister foi um dos expoentes da arquitetura moderna da capital, sendo responsável, também, por projetos como o do Teatro Guaíra e do Centro Politécnico.

Prefeito Rafael Greca esta promentendo um revitalização no Terminal Guadalupe. O local será transformado em um centro de turismo religioso . Na foto area do terminal do Guadalupe, onde acontecera a revitalização .

Foto: Aniele Nascimento/Gazeta do Povo

“O que me espantou neste projeto é que ele irá demolir ou criar uma grande área coberta em um prédio que tem uma importância histórica para a cidade substituindo-o por algo que não tem uma qualidade arquitetônica melhor”, aponta Batista.

Moisés Stival, mestre em arquitetura e chefe substituto da divisão técnica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), concorda. Na opinião dele, o que precisaria ser feito era uma intervenção urbana que tentasse restaurar o conjunto urbano reconhecendo os valores culturais daquele bem. “Investir na conservação urbana é uma atitude contemporânea. A partir do momento que se desfigura a arquitetura de tal forma, começa a se esconder os valores que a obra tem”, acrescenta.

Os profissionais questionam, ainda, o fato de a prefeitura apresentar uma proposta de revitalização fechada, ao invés de discuti-la com a comunidade e/ou de abrir um concurso público para sua escolha. Segundo Batista, isso faria com que arquitetos de todo o país pudessem pensar na melhor proposta para aquela área, ampliando as soluções para sua requalificação. “A cidade poderia ganhar muito com isso”, resume.

Via: Gazeta Do Povo