Professora aposentada de 82 anos dedica seus dias a ensinar alunos com necessidades especiais

10/10/2018 às 08:45.

Mesmo após se aposentar, uma mulher de 82 anos se mantém disposta a transformar vidas em São Carlos (SP). Professora há 61 anos, Lélia Altina Silva se especializou em educação especial e hoje se dedica a ensinar crianças especiais.

Foto: Felipe Lazzarotto/EPTV

Após anos ensinando em turmas de primeira série, a professora ao invés de descansar e curtir a aposentadoria preferiu se especializar na área de educação e assumir o mais belo compromisso da carreira, com o diz.

Para Lélia, mesmo com tanta experiência, ela tem aprendido muita coisa que não sabia.

“Gosto de qualquer tipo de aluno, mas os especiais são realmente especiais. Quando me pedem ajuda, eu não consigo negar porque sei o quanto difícil é. Se eu puder facilitar a vida de alguém, eu facilito”, disse a professora.

Aluno especial

Por suas mãos já passaram mais de 50 alunos, entre eles o filho Aloisio que possui síndrome de Down. Com a mãe ele aprendeu a ler, escrever e calcular.

O filho foi uma das principais motivações para a professora realizar pós graduação e se especializar na área. Lélia disse que aprendeu que a combinação de amor e dedicação funciona de verdade no ensino.

“Ensinar é uma tarefa simples que cabe em duas palavras. Primeiro de tudo é amor, gostar do que faz. A segunda é paciência, se dedicar e ser paciente para ensinar”, contou a professora. 

Transformação

A estudante Djenifer Polido é uma das alunas que teve a vida transformada após ter aulas particulares com a professora. A jovem sempre teve muitas dificuldade em aprender e passou por vários professores e especialistas que a diagnosticaram com hiperatividade.

“Muitos profissionais rotularam ela como uma criança com transtorno de atenção. A Lélia foi a primeira a dizer que ela não tinha problema e ajudou a aprender e gostar de estudar”, disse a mãe da estudante, Roseane Polido.

Com as aulas, Djenifer começou a se concentrar mais e tirar melhores notas. Hoje a jovem não tem mais dificuldade, participa de olímpiadas de matemática e, por estímulo da professora, aprendeu a tocar três instrumentos.

“Ela foi um anjo de Deus na nossa vida, a gente não consegue expressar a gratidão porque ela abraçou a causa junto nós. Me lembra muito uma frase do Paulo Freire: ‘Não se ensina sem amor'”, disse Roseane.

A estudante contou que além de aprender a estudar também aprendeu a sonhar. “Quero uma profissão boa para o futuro, ser neurocirurgiã. Depois das aulas eu aprendi a gostar de aprender”, disse Djenifer.