Primeiro medicamento para depressão pós-parto deve ser comercializado ainda este ano nos EUA

11/04/2019 às 08:46.

O brexanolone – que recebeu o nome comercial de Zulresso – deve estar disponível para o público a partir de junho nos Estados Unidos e promete acabar com os sintomas da depressão pós-parto em poucos dias

Nos Estados Unidos, estima-se que todos os anos, mais de 400 mil bebês nascem de mães que estão deprimidas. A americana Stephanie Hathaway, de Connecticut, faz parte dessa estatística. Ela chegou do hospital com seu primeiro filho nos braços e estava tão empolgada e nervosa quanto a maioria das novas mães. Mas logo, passou a ter crises de choro e pensamentos perturbadores que não conseguia evitar. “Nas duas primeiras semanas, eu estava chorando demais, depois passei a ter pensamentos como ‘sua filha merece uma mãe melhor’ e ‘seu marido merece uma esposa melhor'”, conta. Depois de ser diagnosticada com depressão pós-parto, ela deu inicio a um tratamento com medicamentos antidepressivos tradicionais, que, segundo ela, ajudaram “com o tempo”.

Medicamento age rapidamente contra sintomas da depressão pós-parto (Foto: Pexels)

No entanto, após a segunda gravidez, esses mesmos medicamentos não fizeram mais efeito. Foi então, que um amigo contou à ela sobre uma nova droga que estava em fase de testes. Stephanie não teve dúvidas e se escreveu para participar. “Foi uma infusão de 60 horas e nas primeiras 12 a 18 horas senti a maior diferença”, afirma. “Aqueles pensamentos intrusivos foram embora e não voltaram”, conta. Nesse tempo, o único efeito colateral que ele disse ter sentido foi tontura.

Stephanie com o primeiro filho (Foto: The Sun)

Além de Stephanie, o brexanolone – que recebeu o nome comercial de Zulresso – foi testado em outras duzentas mulheres que apresentavam sintomas de depressão pós-parto, as quais foram avaliadas por escalas de pesquisa padronizadas. Todas elas foram acompanhadas por mais de 30 dias.

Nesses estudos, algumas das mulheres receberam infusões 60 horas com doses menores ou maiores de brexanolona, ​​enquanto outras receberam um placebo. Os pesquisadores descobriram que 75% das mulheres que receberam injeções de brexanolona tiveram melhoras de pelo menos 50% nos sintomas. Além disso, 94% não recaíram no decorrer de 30 dias. Os efeitos colaterais mais comuns incluíram cefaleia em 15,7% dos pacientes; tontura em 13,6%; e sonolência ou sonolência excessiva em 10,7%.

Segundo os cientistas, a droga é capaz de regular alguns hormônios que contribuem para o desenvolvimento da depressão pós-parto e interfere positivamente em neurotransmissores associados ao bem-estar. Mas os próprios pesquisadores admitem que os estudos tem algumas limitações, como o fato de as mulheres terem sido observadas pelo período de 30 dias. Portanto, a duração dos efeitos do tratamento além disso não foi incluída nos dados. O uso do medicamento também pode interromper a amamentação. Por isso, as pacientes são orientadas a discutir os riscos e benefícios com o médico.

Diante dos resultados, a Food and Drug Administration (FDA) – a Anvisa dos americanos – aprovou a droga que deve ser comercializada a partir de junho. “A depressão pós-parto é uma condição séria que, quando grave, pode ser fatal. As mulheres podem ter pensamentos sobre se machucar ou prejudicar o filho. A depressão pós-parto também pode interferir no vínculo materno-infantil. Essa aprovação marca a primeira vez que uma droga foi especificamente aprovada para tratar a depressão pós-parto, fornecendo uma importante nova opção de tratamento”, declarou Tiffany Farchione, diretora interina da Divisão de Produtos de Psiquiatria do Centro de Avaliação e Pesquisa de Drogas da FDA.

Segundo a CNN, o Zulresso estará disponível apenas para pacientes por meio de um programa de distribuição restrita em instalações de saúde certificadas, onde o prestador de cuidados de saúde pode monitorar cuidadosamente o paciente. Quanto ao valor, segundo a Sage Therapeutics, empresa que desenvolveu o medicamento, o preço de tabela inicial nos Estados Unidos será de US $ 7.450 por frasco, resultando em um custo médio de terapia de US $ 34 mil por paciente. No entanto, o número de frascos pode variar de um paciente para outro.

“O que tem sido consistente é que o brexanolone teve uma resposta muito robusta – e o mais empolgante para mim foi o rápido início da resposta”, conclui Samantha Meltzer-Brody, uma das pesquisadoras que participou dos testes do medicamento.

Via: Revista Crescer