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Pinheirinho é o bairro com mais casos e mortes por covid-19, apontam pesquisadores da UFPR

10/06/2021 às 06:37.

O bairro Pinheirinho, na zona Sul de Curitiba, é a região da capital mais afetada pela pandemia de covid-19, tanto na incidência de casos confirmados, quanto na taxa de mortalidade. A informação foi revelada por pesquisadores da Rede Cooperativa de Pesquisa em Modelagem da Epidemia de Covid-19 e Intervenções não Farmacológicas (Modinterv), com base na análise de dados do Portal Modinterv Paraná Covid-19 – novo projeto que disponibiliza informações da curva epidemiológica da pandemia em diversas localidades do estado do Paraná.

O modelo matemático utilizado na ferramenta pelos pesquisadores compila dados publicados pelas secretarias municipal e estadual de saúde e pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O projeto foi desenvolvido, em conjunto, por estudiosos da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e das universidades federais de Pernambuco (UFPE) e de Sergipe (UFS).

A ferramenta aponta que, a cada cem mil habitantes, quase 13 mil foram infectados com o novo coronavírus no distrito sanitário do Pinheirinho, que engloba esse e outros bairros próximos. A segunda maior incidência de casos ocorre no distrito sanitário da Cidade Industrial, com quase 12 mil contaminados. Os menores índices foram encontrados nas regiões do Cajuru e de Santa Felicidade, com nove e oito mil contaminados a cada cem mil habitantes, respectivamente.

Com relação à taxa de mortalidade por Covid-19, a região do Pinheirinho também lidera com cerca de 365 mortes a cada cem mil habitantes. Em segundo lugar nesse aspecto está o distrito sanitário do Boqueirão, com 306 falecimentos. Santa Felicidade permanece no último lugar, com 205 registros a cada cem mil pessoas. Os dados utilizados nessas projeções são de 1º de junho.

Por que no Pinheirinho?

O fato de o bairro Pinheirinho e seus arredores serem os mais afetados pela pandemia, segundo os pesquisadores, está atrelado ao número de pessoas que circulam diariamente por essa região. Para Maria Carolina Maziviero, professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFPR, o terminal do Pinheirinho, responsável pela integração com municípios da região metropolitana como Fazenda Rio Grande e Araucária, pode ser um dos principais focos de disseminação do vírus.

“É um terminal por onde circula uma grande quantidade de pessoas, gerando maior risco de disseminação do coronavírus. Esses dados apontam a necessidade de pensar ações emergenciais em escala regional, que extrapolem o perímetro dos municípios. Também é fundamental prever intervenções rápidas e baratas nos terminais para mitigar a transmissão do coronavírus, além de ser imprescindível a revisão da gestão e do financiamento do transporte coletivo de modo a evitar as superlotações”, revela Maria Carolina, que também é uma das idealizadoras da iniciativa Paraná Contra a Covid-19 – projeto com o intuito de estudar os impactos da pandemia nos diversos segmentos sociais.

Casos no Paraná

Ao analisar os dados do Paraná com base nas regionais distribuídas pelo estado, os pesquisadores concluíram que a regional de Foz do Iguaçu é a principal acometida pela pandemia em incidência de casos e em taxa de mortalidade. A cada cem mil pessoas, aproximadamente 14 mil se contaminaram com o coronavírus e 292 faleceram em decorrência da doença na região.

Seguindo Foz de Iguaçu de perto na taxa de mortalidade está a regional de Paranaguá. De acordo com os registros, a cada cem mil habitantes da região, cerca de 11.500 se infectaram e 286 morreram. Já em incidência de casos, é a regional de Telêmaco Borba que ocupa a segunda posição, com mais de 12 mil ocorrências a cada cem mil pessoas. Contudo, o número de óbitos é menor, 259, fazendo com que o local fique atrás das regionais de Apucarana e Cornélio Procópio, além de Paranaguá e Foz do Iguaçu.

Para a arquiteta e urbanista, o motivo que leva essas cidades e seu entorno a se tornarem as mais impactadas pela pandemia é o mesmo observado nos distritos sanitários de Curitiba: grande circulação de pessoas. Foz do Iguaçu é a cidade com maior população de fronteira do Brasil, de acordo com o Censo do IBGE de 2010, e faz divisa com Argentina e Paraguai. Enquanto Paranaguá abriga o maior porto exportador de produtos agrícolas do Brasil e um dos maiores da América Latina.

“À medida que a doença se tornou global, a circulação de pessoas e mercadorias se tornaram também vetores da circulação do vírus pelo mundo. Deve-se levar em conta que pré-sintomáticos, pessoas com sintomas leves e, sobretudo, os assintomáticos têm papel significativo na disseminação do vírus, porque podem ser transmissores anônimos”, destaca Maria Carolina.

De acordo com estudo de pesquisadores brasileiros do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), publicado na revista The Lancet, a desigualdade social também tem papel decisivo em mortes e em casos de Covid-19 no Brasil. Segundo o documento, grupos que estão em situação de vulnerabilidade e que sofrem, historicamente, violações de direitos básicos, como direito à moradia e ao saneamento universal, são os mais afetados.

“É fundamental, portanto, pensar em ações emergenciais de forma integrada, incluindo moradia – como conter despejos e apoiar a população desabrigada –, saúde, assistência social, dificuldades econômicas, educação, saneamento universal, entre outras questões. O que vimos durante a pandemia no Brasil são planos de emergência centrados no sistema de saúde, sem levar em conta outros assuntos inter-relacionados, como habitação”, considera a professora.

Via: Tribuna do Paraná