Pesquisa detecta febre amarela em Aedes albopictus em MG; capacidade de transmissão ainda é desconhecida

16/02/2018 às 09:11.

Mosquitos, conhecidos como ‘Tigres Asiáticos’, foram capturados nos municípios mineiros de Itueta e Alvarenga. Instituto fará estudo para confirmar capacidade de transmissão vetorial do mosquito.

Originário das áreas tropicais e subtropicais da Asia, Aedes albopictus se espalhou por vários países do mundo (Foto: SPL/Barcroft Media /Sinclair Stammers)

Originário das áreas tropicais e subtropicais da Asia, Aedes albopictus se espalhou por vários países do mundo (Foto: SPL/Barcroft Media /Sinclair Stammers)

O Instituto Evandro Chagas (IEC) informou, nesta quinta-feira (15), que o vírus da febre amarela foi encontrado nos mosquitos Aedes albopictus, conhecidos como “Tigres Asiáticos”. A febre amarela silvestre é transmitida apenas pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes.

Segundo o pesquisador e diretor do IEC Pedro Vasconcelos, o órgão capturou os insetos no primeiro semestre de 2017 em áreas rurais próximas aos municípios de Itueta e Alvarenga, em Minas Gerais, e, agora, analisará se eles podem transmitir a doença. O resultado da pesquisa deverá sair em até 60 dias.

O pesquisador explicou que a presença do vírus no mosquito não significa, necessariamente, que o inseto possa exercer o papel de vetor da febre amarela e, por isso, afirmou que ainda não se pode falar em “risco”. Somente após a conclusão dos estudos, o instituto poderá afirmar se o Aedes albopictus tem essa capacidade de disseminar o vírus.

“A gente não pode falar em risco. Esse é um mosquito mais silvestre que urbano. Como ele se adapta bem a áreas florestais, ele pode ter sido infectado por macacos, mas não se sabe ainda a capacidade vetorial dele”, disse.

De acordo com Vasconcelos, na prática, a presença do vírus no mosquito significa que o Aedes albopictus está suscetível ao vírus da febre amarela em ambiente silvestre ou rural. Se houver transporte para áreas urbanas, o inseto poderia servir de vetor de ligação entre os dois ciclos possíveis no Brasil (silvestre e urbano) em um ciclo rural, como ocorre na África. Não há casos de febre amarela urbana no país desde 1942.

“Sempre existiu a possibilidade do Aedes albopictus vir a fazer esse papel de transmissor intermediário, ou seja, nas bordas das florestas e nas áreas periurbanas, mas nós não sabemos se ele tem a capacidade vetorial, de fato.”

O Aedes albopictus está presente em diversas regiões do país e há competição entre essa espécie e o Aedes aegypti, que habita o meio urbano e é transmissor potencial da febre amarela, além da dengue, zika e chikungunya.

“Encontrar o vírus no mosquito, por si só, não autoriza ninguém a afirmar que ele seja transmissor da febre amarela. Vários mosquitos são encontrados nas florestas infectados, mas somente os Haemagogus e o Sabethes são os transmissores da febre amarela silvestre”, completou o diretor do Instituto Evandro Chagas.

Via: G1