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Pediatra é acusada de matar filho de 3 anos por overdose

13/03/2019 às 08:20.

A Justiça do Distrito Federal começou a julgar, nesta segunda-feira (11), a pediatra acusada de matar o filho de 3 anos com overdose de remédios, em junho do ano passado. Juliana de Pina Araújo está internada em uma clínica psiquiátrica particular há sete meses.

Ele chegou à audiência de instrução – primeira fase do júri – de ambulância e não foi interrogada. Apenas as testemunhas de acusação e de defesa foram ouvidas.

A pediatra responde por homicídio qualificado, meio cruel e por dificultar a defesa da vítima. O menino João Lucas de Pina morreu por “insuficiência respiratória por intenso edema pulmonar”, provavelmente “causado por intoxicação externa medicamentosa”.

O acompanhamento médico para Juliana seria “para evitar risco de surto”, explicou a advogada da ré.

Laudo psiquiátrico

Esta é a segunda vez, desde a internação compulsória, que Juliana deixa a clínica. A outra ocasião foi para fazer exames no Instituto Médico Legal (IML) no fim do ano passado. À época, um laudo psiquiátrico constatou que a médica é “semi-imputável”, segundo a defesa. O documento está em segredo de justiça.

“Psiquiatras concluíram que, apesar de ter discernimento, Juliana não tinha condições de se autodeterminar de forma diversa do que fez”, afirma a advogada Cláudia Duarte.

“Ela tinha discernimento, mas não tinha condições de ter uma escolha, por conta de todo quadro dela.”

Uma nova audiência está prevista para maio. Dessa vez, o Ministério Público pede a intimação de uma nova testemunha. A defesa da médica acusada também pede que a Justiça interrogue uma outra pessoa no caso.

Médica do SAMU é acusada de matar o filho

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Próximos passos

Após a oitiva das testemunhas, o juiz à frente do processo deve avaliar se o caso apresenta indícios suficientes que indiquem que a morte de João Lucas de Pina, de 3 anos, foi um crime doloso – aquele em que há intenção de matar.

Caso a situação seja comprovada, a médica que trabalhava no SAMU pode ser julgada pelo Tribunal do Júri. Caso não, o processo deve ser remetido à vara criminal.

Relembre o caso

Juliana de Pina foi indiciada pela polícia pelo assassinato do filho. O laudo cadavérico creditou a morte de João Lucas de Pina por “insuficiência respiratória por intenso edema pulmonar”, provavelmente “causado por intoxicação externa medicamentosa”.

O inquérito aponta que, no lugar onde a criança morreu, foram encontradas duas cartelas vazias de frontal – cada uma, originalmente, tinha 30 comprimidos – e um pacote de ritalina faltando 18 pílulas.

Além de ter provavelmente ingerido os remédios, o menino apresentava um corte na veia do fêmur direito, na altura da virilha, segundo o delegado responsável pela investigação, João de Ataliba.

“A lesão ocorreu com a criança ainda em vida. Apesar do fato de que tal lesão poderia levar ao óbito por choque hemorrágico, esta não foi a causa da morte”, disse.

O machucado pode ter sido provocado por um bisturi também encontrado no local do crime, de acordo com Ataliba.

João Lucas já havia sido internado em janeiro de 2018, em um hospital particular de Brasília, com um quadro de intoxicação medicamentosa.

Via: G1 DF.