“Parasita” faz história e é o grande vencedor do Oscar 2020; saiba tudo o que rolou

 

Finalmente chegamos à noite de 9 de fevereiro, data escolhida pela Academia para a entrega as estatuetas do Oscar 2020! O momento entrou pra história porque “Parasita“, filme do diretor Bong Joon Ho e um dos grandes favoritos, sagrou-se como o maior vencedor desta edição. Além de abocanhar os prêmios de Melhor Diretor, vencer o prêmio de Melhor Filme Internacional e Melhor Roteiro, o longa também ficou com Melhor Filme, categoria mais importante da noite.

O feito é inédito, visto que nunca antes na história do Oscar uma produção não-americana havia vencido a honraria. Em seus discursos de agradecimento, Joon Ho se disse surpreso, enalteceu ídolos que nesta noite eram seus concorrentes e agradeceu ao público coreano. Ele também ressaltou a importância da mudança de título de uma das categorias. Melhor Filme Estrangeiro passa a se chamar nesta edição Melhor Filme Internacional.

“Obrigado, é uma grande honra. A categoria tem um novo nome agora, de Filme Estrangeiro para Filme Internacional. Fico feliz de ser o primeiro a receber este prêmio. Eu aplaudo e apoio a nova direção que essa mudança simboliza. (…) Quando estudava, estudei os filmes do Scorsese e foi uma grande honra estar indicado. Quando as pessoas não conheciam meu filme, Quentin sempre colocava meus filmes na lista dele. Quentin, eu te amo! Agora vou beber até amanhã!”.

Ah, ele também admirou sua própria estatueta hahahaha

 

 

Quem também fez bonito foi “1917”, que confirmando as previsões ficou em segundo colocado na lista de maiores vencedores. Foram 3 estatuetas, voltadas majoritariamente para categorias técnicas, entre elas a de Melhor Fotografia, que envolveu uma disputa acirrada com outras produções como “O Farol”, “Era uma vez em… Hollywood” e “Coringa”. Estes dois últimos, aliás, não saíram de mãos abanando. Cada um levou pra casa duas estatuetas, entre elas a de Melhor Ator Coadjuvante, que ficou com Brad Pitt, e Melhor Ator, para Joaquin Phoenix.

O intérprete do Coringa, por sua vez, promoveu um dos momentos mais políticos e emocionantes da noite ao falar sobre ativismo ambiental e união. Ele também lembrou a morte do irmão, River Phoenix, há 23 anos.

Quando eu tinha 17 anos, meu irmão escreveu uma letra que dizia: corra em direção ao amor que a paz seguirá. (…) Às vezes nos fazem sentir que defendemos causas diferentes, mas para mim existe comunhão. Se estamos falando de igualdade, direitos LGBTQ+, racismo, direitos dos animais, tudo isso diz respeito a Justiça. (…) Nos desligamos do mundo natural e temos a crença de que somos o centro do universo, merecedores de ter uma vaca e inseminá-la artificialmente para depois roubar seu filhote. Os seres humanos são criativos, engenhosos, quando utilizamos o amor e a compaixão, podemos criar mais.”

 

 

As mulheres também brilharam. Enquanto Laura Dern ficou com o troféu de Melhor Atriz Coadjuvante por “História de Um Casamento” (alguém ficou surpreso?), Renée Zellweger surpreendeu e subiu ao palco pra pegar o prêmio de Melhor Atriz. Duas maravilhosas!

Zellweger, aliás, fez um discurso poderoso ao dedicar seu prêmio à própria Judy Garland.

“No ano passado, conversando, vi que celebramos Judy Garland por gerações, através de culturas. Foi um lembrete muito legal de que nossos heróis nos unem. Quando comemoramos a existência de nossos heróis somos lembrados de quem somos, um povo unido. E, não, Judy Garland não recebeu [um Oscar] em seu tempo. [Mas] estou certa de que esse momento é uma extensão da celebração de seu legado que começou em nosso set de filmagem e também é representativa do fato de que seu legado de excepcional excepcionalismo, inclusividade e generosidade em espírito, transcende qualquer conquista artística”.

 

 

Como é de praxe, o Oscar também é uma noite musical. As apresentações começaram em ritmo de festa com uma dupla daquelas: Janelle Monáe e Billy Porter! Um featuring que a gente não sabia que queria até ver acontecer! A apresentação começou com um tributo ao longa “Um Lindo Dia na Vizinhança”, estrelado por Tom Hanks. Em tom de musical, Janelle foi construindo uma atmosfera cheia de referências cinematográficas, entre elas a “Midsommar”, “Coringa” e “Nós”, um dos grandes esnobados desta edição, até ir ao encontro de Billy. Juntos eles mandaram ver ao som de “I’m Still Standing”, de Elton John.

 

 

Por falar nele… Uma das categorias mais aguardadas da noite era a de Melhor Canção Original, que ficou com Elton John e Bernie Taupin, que juntos compuseram “(I’m Gonna) Love Me Again”, um dos temas de “Rocketman”. Sem Taron Egerton, que não esteve presente no evento, John arrasou em mais uma performance brilhante ao piano. Com seu par de óculos, seu terninho cor-de-rosa… do jeito que a gente ama!

 

 

Na sequência foi a vez de Billie Eilish que, ao lado do irmão Finneas, fez uma uma apresentação especial em homenagem àqueles que já se foram. Para a ocasião ela decidiu fazer um cover de “Yesterday”, canção clássica dos Beatles.

 

 

Cynthia Erivo, que infelizmente  e Idina Menzel também fizeram bonito. A primeira, ao protagonizar cenas poderosas de alcance vocal ao lado de um coral ao cantar a faixa “Stand Up”, tema de “Harriet”. A segunda, por trazer ao palco diversas intérpretes de “Into The Unknown”, tema de “Frozen 2”. Mostrou o impacto cultural do longa em diferentes países. Só faltou em português, mas a gente perdoa né?

 

 

 

Com tantas mulheres em cena (gostaríamos que elas estivessem indicadas também!), fique com este fato curioso: Eímear Noone, antes do anúncio dos vencedores, mostrou trechos da trilha sonora de cada um dos indicados. Pela primeira vez na história do Oscar uma mulher regeu sua orquestra.

E pra fechar, Brie Larson, Sigourney Weaver e Gal Gadot são um ótimo exemplo disso visto que foram elas as responsáveis por apresentar Melhor Canção Original. Maravilhosas!

 

 

Confira a lista completa de vencedores:

Melhor Filme

“Ford vs Ferrari”
“O irlandês”
“Jojo Rabbit”
“Coringa”
“Adoráveis mulheres”
“História de um casamento”
“1917”
“Era uma vez em… Hollywood”
“Parasita” – VENCEDOR

Melhor Ator

Antonio Banderas – “Dor e Glória”
Leonardo DiCaprio – “Era uma vez em… Hollywood”
Adam Driver – “História de um casamento”
Joaquim Phoenix – “Coringa” – VENCEDOR
Jonathan Price – “Dois papas”

Melhor atriz

Cynthia Erivo – “Harriet”
Scarlett Johansson – “História de um casamento”
Saoirse Ronan – “Adoráveis Mulheres”
Charlize Theron – “O escândalo”
Renée Zellweger – “Judy: Muito Além do Arco-Íris – VENCEDORA

Melhor diretor

Martin Scorsese – “O irlandês”
Todd Phillips – “Coringa”
Sam Mendes – “1917”
Quentin Tarantino – “Era uma vez em… Hollywood”
Bong Joon Ho – “Parasita” – VENCEDOR

Melhor atriz coadjuvante

Kathy Bates – “O caso Richard Jewell”
Laura Dern – “História de um casamento” – VENCEDORA
Scarlett Johansson – “Jojo Rabbit”
Florence Pugh – “Adoráveis mulheres”
Margot Robbie – “O escândalo”

Melhor ator coadjuvante

Tom Hanks – “Um lindo dia na vizinhança”
Anthony Hopkins – “Dois papas”
Al Pacino – “O irlandês”
Joe Pesci – “O irlandês”
Brad Pitt – “Era uma vez em… Hollywood” – VENCEDOR

Melhor roteiro adaptado

“O irlandês” – Steven Zaillian
“Jojo rabbit” – Taika Waititi – VENCEDOR
“Coringa” – Todd Phillips e Scott Silver
“Adoráveis mulheres” – Greta Gerwig
“Dois papas” – Anthony McCarten

Melhor roteiro original

“Entre facas e segredos” – Rian Johnson
“História de um casamento” – Noah Baumbach
“1917” – Sam mendes e Krysty Wilson-Cairns
“Era uma vez em… Hollywood” – Quentin Tarantino
“Parasita” – Bong jooh Ho e Han Jin Won

Melhor documentário

“Indústria americana” – VENCEDOR
“The cave”
“Democracia em vertigem”
“For Sama”
“Honeyland”

Melhor edição

“Ford vs Ferrari” – VENCEDOR
“O irlandês”
“Jojo rabbit”
“Coringa”
“Parasita”

Melhor fotografia

“O irlandês”
“Coringa”
“O farol”
“1917” – VENCEDOR
“Era uma vez em… Hollywood”

Maquiagem e cabelo

“O escândalo” – VENCEDOR
“Coringa”
“Judy: Muito além do arco-íris”
“1917”
“Malévola: Dona do mal”

Melhor mixagem de som

“Ad astra – Rumo às Estrelas”
“Ford vs Ferrari”
“Coringa”
“1917” – VENCEDOR
“Era uma vez em… Hollywood”

Melhor edição de som

“Ford vs ferrari” – VENCEDOR
“Coringa”
“1917”
“Era uma vez em… Hollywood”
“Star Wars: A ascensão Skywalker”

Melhor curta-metragem

“Brotherhood”
“Nefta football club”
“The neighbors’ window” – VENCEDOR
“Saria”
“A sister”

Melhor figurino

“O irlandês”
“Jojo rabbit”
“Coringa”
“Adoráveis Mulheres” – VENCEDOR
“Era uma vez em… Hollywood”

Melhor canção original

“I can’t let you throw yourself away” – “Toy Story 4” – Randy Newman
“(I’m gonna) love me again” – “Rocketman” – Elton John e Bernie Taupin  – VENCEDOR
“I’m standing with you” – “Breakthrough” – Diane Warren
“Into the unknown” – “Frozen 2” – Kristen Anderson-Lopez e Robert Loopez
“Stand up” – “Harriet” – Joshuan Brian Campbell e Cynthia Erivo

Trilha original

“Coringa” – Hildur Guadnotóttir – VENCEDOR
“Adoráveis mulheres” – Alexandre Desplat
“História de um casamento” – Randy Newman
“1917” – Thomas Newman
“Star Wars: A ascensão Skywalker” – John Williams

Melhor animação

“Como treinar seu dragão 3”
“Perdi meu corpo”
“Klaus”
“Link perdido”
“Toy story 4”  – VENCEDOR

Melhor curta de animação

“Dcera (daughter)”
“Hair love”  – VENCEDOR
“Kitbull”
“Memorable”
“Sister”

Melhor curta documentário

“In the absence
“Learning to skateboard in a warzone”  – VENCEDOR
“Life overtakes me”
“St Louis Superman”
“Walk run cha-cha”

Melhor filme internacional

“Corpus christi” – Polônia
“Honeyland” – Macedônia do Norte
“Os miseráveis” – França
“Dor e glória” – Espanha
“Parasita” – Coreia do Sul  – VENCEDOR

Melhor design de produção

“O irlandês”
“Jojo Rabbit”
“1917”
“Era uma vez… em Hollywood”  – VENCEDOR
“Parasita”

Melhores efeitos visuais

“Vingadores: Ultimato”
“O irlandês”
“O rei leão”
“1917”  – VENCEDOR
“Star Wars: A ascensão Skywalker”

Fonte:  Papel Pop