Para combater bullying, mãe pinta cabelo de menina de 4 anos

13/06/2018 às 09:35. Comente esta notícia!

Uma mãe norte-americana tomou uma decisão polêmica para resolver uma questão da filha, que vinha sofrendo bullying de meninas, seja na escola, seja no parquinho, por ter “cabelo de menino”. Janelle Cuilla, 31, mora na Califórnia e resolveu pintar os fios da criança de rosa.

Foto: Reprodução

No longo lamento em que explica sua atitude, ela relata cenas vividas com a menina de apenas 4 anos, que se achava feia e chorava cada vez que uma criança apontava rindo dela. E confessa que sofreu com a mesma questão na infância, já que seus cabelos demoraram a crescer e também eram ralos. Leia o depoimento a seguir.

“Quase raspei a cabeça outro dia… Faria qualquer coisa para mostrar a ela como ela é linda, mas percebi que isso a teria deixado triste, já que ela gosta de brincar com meu cabelo.

As pessoas terão opiniões negativas, mas não me importo, porque elas não conhecem a dor que minha garotinha de 4 anos sente toda vez que outra criança diz que ela parece um menino, só porque ela ainda não tem cabelo. Segurei minha doce menina em lágrimas inúmeras vezes dizendo que ela é tão bonita quanto a Rapunzel (sua princesa favorita), lembrando a ela que a beleza vem de dentro. Sei o quanto ela luta, porque eu também não tive cabelo por muito tempo, enquanto todas as minhas amigas rodopiavam com suas tranças e longas madeixas encaracoladas.

Muitas vezes prendi a respiração com as palmas das mãos suadas enquanto nos aproximávamos do playground cheio de crianças. Enquanto minha filha corre, faço um pedido desesperado de mãe. Imediatamente escaneio a cena na esperança de encontrar outra menina com quem ela possa se conectar. Outra menina que não tem cabelo, mas brilha com sua personalidade corajosa. Em certos dias, nada importa – ela é livre como um pássaro e nada vai deixá-la para baixo. Mas basta uma criança apontando e rindo, e toda a ansiedade maternal desmorona sobre mim como uma pilha de tijolos pesados.

Eu me lembro da primeira vez que isso aconteceu. Foi logo após seu primeiro dia de pré-escola. Atrasadas, seguimos para o recreio. Achei estranho que minha filha, que estava pulando sob a luz do sol, estivesse voltando para mim como se fosse seguida por uma nuvem de chuva. Ela rapidamente se aproximou e pediu que voltássemos para casa imediatamente! Aquilo não era comum; geralmente tenho que tirá-la do parquinho. Segurando a mão dela com força, voltamos para o carro em silêncio. Quando a afivelei no assento, perguntei se ela queria contar o que havia acontecido. Os soluços vieram instantaneamente quando ela me disse que suas amigas disseram que ela não podia brincar de princesa com elas porque ela parecia um menino.

No começo eu vi tudo vermelho, como qualquer mãe faria, mas depois de algumas respirações profundas percebi que não era o importante ali. Crianças serão crianças. Especialmente em uma idade tão jovem, eles não têm filtro e nem sempre sabem o peso de suas ações. Finalmente estávamos em casa. Dei-lhe um belo abraço enquanto tentava encontrar as palavras perfeitas para explicar por que ela parece diferente.

Esperando que ela me ouvisse sinceramente, coloquei meu sorriso mais caloroso e arrumei seus pequenos cachos atrás da orelha. Tentei escolher minhas palavras cuidadosamente, sabendo que o que diria em seguida poderia ficar com ela pelo resto de sua vida. Disse a ela: ‘Deus nos fez todos especiais em nosso próprio caminho. Se ele fizesse cada pessoa exatamente igual, então o mundo seria um lugar chato. Pense nas flores. Algumas flores têm pétalas grandes, algumas têm pétalas minúsculas. Algumas das nossas preferidas têm espinhos e algumas desmoronam quando são sopradas pelo vento. Mas cada vez que você se depara com uma flor, você se alegra, porque ama todas elas da mesma forma. Isso é o que você é neste mundo, uma flor pequena, preciosa e rara’.

Infelizmente, esta não foi nossa última experiência com isso. Na verdade, quanto mais ela cresce, mais parece acontecer. Quando vou para a cama à noite, tudo o que vejo são seus olhos tristes. Viro para lá e para cá com sua imagem puxando o cabelo, implorando para que ele cresça. Meu precioso bebê, tão lindo e inocente. Você tem tanta vida à sua frente para se preocupar com o que os outros pensam de você.

No processo de tintura (Foto: Reprodução)

Meu marido e eu sempre fizemos o melhor para criá-la e fazê-la se sentir especial. Temos muitos grandes ditados em nossa casa, e que dizemos com bastante frequência. Como ‘A beleza vem de dentro’ ou ‘As meninas felizes são as mais bonitas’. Essas palavras de sabedoria nos ajudam a continuar, mas no fundo da minha mente ainda há algo me corroendo. Claro, essas afirmações são absolutamente verdadeiras, mas acho desesperançoso que o mundo em que ela viva hoje não as valorize. Disse a ela: ‘O mundo vai amar você por quem você é e não pela sua aparência.’ Mas saio balançando a cabeça. Porque todos sabemos que isso simplesmente não é verdade, especialmente com a expectativa irrealista das redes sociais.

Me encolho toda vez que tento imaginar se tivesse que acompanhar o Facebook nos meus tempos de colégio. Essas pobres crianças. Quão torturante para uma mãe ter que mentir para o próprio filho sobre a vida. Parecia um prego perfurando meu peito com cada palavra. Percebi que não deveria mais pregar esse tipo de coisa para ela, na medida em que eu mesma não tinha experimentado essa aceitação. Sempre vou ensiná-la a ver o bem em tudo, mas me recuso a deixá-la decepcionada. Então, comecei a ouvir meu instinto e agora escolhemos palavras encorajadoras como: ‘Você é inteligente, brilhante e forte’.

Às vezes me pergunto se existe uma condição médica, mas é simplesmente genética. Já a levei ao dermatologista e sempre me dizem para relaxar, que é normal. Eu sei que isso é bastante comum em muitas crianças, então estou tentando ser paciente. Mas nunca é fácil quando seu filho está sofrendo. No carro de volta para casa, coloquei sua música favorita enquanto tentava engolir o nó na garganta. Conheço essa luta. Eu passei por isso. Como lidei? Quando ficou melhor? Foi realmente tão ruim assim? Eu me faço essas perguntas enquanto simultaneamente imito a visão dela franzindo a testa para si mesma no espelho naquela manhã. A pior parte é que ela nem sabia que eu estava vendo. Todos os meus instintos maternais estavam formigando e comecei a me examinar. Onde foi que eu errei? Eu não mostro auto-aceitação? Deixei as opiniões de outras pessoas sobre mim moldarem o modo como minha filha se vê? Essas são algumas perguntas realmente difíceis de responder e eu estava começando a me sentir derrotada.

Janelle e a filha antes de ter o cabelo tingido (Foto: Reprodução)

Finalmente irei a página no outro dia. Minha pequena estava olhando para uma foto tirada dela e de suas três amigas; ela tinha uma feição tão curiosa. Perguntei o que estava errado e ela me disse: ‘Mamãe, estou feia’. Meu coração afundou e eu desmoronei. Ela tem apenas 4 anos de idade. Não posso fazer o cabelo dela crescer, mas eu era cabeleireira, então deve haver algo que eu possa fazer. Posso fazê-la se sentir única, especial, vibrante e se destacar! Fomos até uma loja e eu deixei ela escolher sua cor favorita: rosa. Pintamos seu cabelo! Claro, isso é absolutamente temporário.

Quando começamos, seu rosto começou a se iluminar. Ela riu ansiosamente enquanto esperávamos pela grande revelação. Assim que terminei de secar, ela correu para o outro quarto. Fui atrás. Sabia exatamente o que ela estava fazendo. Com certeza, ela estava verificando seu novo penteado no espelho de princesa de corpo inteiro. Congelei na porta estudando sua reação. Suspirei de alívio. Nossos olhos se encontraram, e ela me olhou como se dissesse: ‘Obrigada, mamãe.’ Beijei sua cabeça e gentilmente coloquei seu novo cabelo rosa atrás das orelhas e sussurrei: ‘Agora você vê o que eu sempre vi… você é tão linda’. Nunca a vi sorrir tão grande.”