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Pais organizam festas infantis feitas para espalhar coronavírus na Austrália

16/06/2020 às 08:30.

O relato de uma médica australiana ao site Kidspot alerta para uma prática que já foi comum quando não havia vacina contra a Varicela, no Brasil também conhecida como catapora, ou entre famílias que se posicionam contra a vacina. O objetivo do “encontro” é expor crianças que ainda não tiveram a doença para “tirá-la do caminho” e promover uma imunização natural.

“Como médica, esse pensamento me faz estremecer de medo. Embora continuemos vendo na mídia que a maioria das crianças contaminadas por coronavírus sofrem de forma leve ou assintomática, não é recomendável expor intencionalmente seu filho a esse coronavírus desnecessariamente. É como jogar roleta. Ele será um dos mais leves ou assintomáticos ou mais graves? Nós não sabemos”, alerta Preeya Alexander, médica e mãe.

Pesquisas apontam que o coronavírus tem sido menos agressivo com as crianças, mas há casos graves, de óbitos inclusive entre recém-nascidos, e relatos inclusive de uma síndrome  grave ligada ao coronavírus que pode afetar crianças. A chamada síndrome inflamatória multissistêmica.

A Austrália é um dos países com o menor número de casos confirmados do coronavírus: pouco mais de 7,3 mil até esta segunda-feira (15), segundo a universidade americana Johns Hopkins. Cerca de 100 pessoas morreram vítimas da doença no país.

Apesar da situação controlada no país, a médica alerta: “crianças no exterior morreram devido à Covid-19 e suas complicações. Também vimos na literatura o surgimento de uma condição inflamatória potencialmente letal em crianças ligadas à doença”, diz a médica.

Segundo apurou a CRESCER, casos de festas como as descritas por Preeya Alexander chegaram a ser relatados nos Estados Unidos, segundo reportagens de abril e maio da Reuters e do NY Times. A iniciativa foi desincentivada por todos os infectologistas ouvidos nas reportagens. Não há relatos de festas com essa finalidade no Brasil até o momento.