País ganharia US$ 3,5 bi por ano se jovens só tivessem filhos após os 20 anos

17/10/2018 às 10:15. Comente esta notícia!

Poder escolher ter ou não filhos tem impacto positivo no desenvolvimento social e na economia dos países, mas nenhuma nação do mundo dá às mulheres garantia plena de seus direitos reprodutivos. A conclusão é de um novo relatório do Fundo de População da ONU (UNFPA), divulgado nesta quarta-feira. Segundo o documento, quando uma mulher tem informação e acesso a meios adequados para prevenir ou adiar uma gravidez, ela tem mais controle sobre sua saúde, pode progredir nos estudos, ingressar ou se manter no mercado de trabalho. Quando esses dois direitos são cerceados, um dos principais efeitos colaterais é a gravidez na adolescência. Segundo Jaime Nadal, representante do Fundo no Brasil, o país elevaria sua produtividade em mais de US$ 3,5 bilhões por ano se as jovens adiassem a gestação para depois dos 20 anos de idade.

— O mundo inteiro tem problemas, e as escolhas não são livres. Mas, nos países mais desenvolvidos, as mulheres conseguem fazer valer suas preferências reprodutivas. Não têm filhos muito cedo, a incidência de gravidez não desejada é menor e isso tem um impacto positivo na economia por conseguirem participam do mercado de trabalho de forma integral. Já mulheres dos países latino-americanos engravidam mais cedo, têm alta fecundidade não desejada e incidência de aborto devido a problemas de saúde pública — avalia a demógrafa especialista em comportamento reprodutivo da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE (Ence) e consultora do relatório elaborado pelo UNFPA, Suzana Cavenaghi.