Orkut aposta em rede sem haters nem fake news

14/09/2018 às 12:55. Comente esta notícia!

Houve uma época no Brasil em que só se falava no turco Orkut Büyükkökten. Para ser mais precisa, do seu primeiro nome. Isso porque ele o emprestou para seu próprio negócio, que chegou a conquistar 40 milhões de brasileiros, ou sete a cada dez pessoas que tinham acesso à internet: o Orkut.

Ao todo, a rede social criada em 2004 acumulou 300 milhões de usuários. Eles trocaram visualizações em perfis, depoimentos, recados (ou scraps) e conversas espalhadas por diversas comunidades, que iam de discussões sobre o universo até reclamações sobre acordar cedo e memes incipientes.

Porém, a internet é um organismo em constante evolução – e o Orkut não resistiu a novidades como a adoção crescente de smartphones. A rede social foi oficialmente terminada após dez anos, em 30 de setembro de 2014, e cedeu seu espaço a gigantes como Facebook, Instagram, Twitter e WhatsApp.

Mas quem acha que Büyükkökten sumiu do mapa está enganado. Há dois anos, o empreendedor anunciou a criação do sucessor simbólico do Orkut, chamado hello, que agrupa usuários em torno de conhecimentos. O negócio está crescendo, com 1,1 milhão de usuários em 12 países, e ganhou impulsos significativos nos últimos tempos, com a proliferação das fake news, notícias desinformadoras que inflamam o trabalho dos haters, usuários que espalham o ódio a tudo e a todos pelos confins da internet.

“As empresas de redes sociais atuais priorizam as necessidades de anunciantes, marcas e acionistas, otimizando o tempo de uso dos usuários para aumentar sua exposição a anúncios”, afirmou Büyükkökten em encontro com a EXAME. “A felicidade é que deveria ser otimizada. Não importa se você passa quatro ou quatrocentos minutos em uma rede social, e sim se aquela é ou não uma boa experiência.”

Confira, a seguir, os principais trechos da conversa com Orkut Büyükkökten, criador da hello:

EXAME — O que a hello tem de tão diferente em relação a outras redes sociais?

Orkut Büyükkökten — As redes sociais mais populares de hoje permitem que você compartilhe novidades com seguidores ou converse de um para um ou em pequenos grupos de conhecidos. Ou, ainda, possuem focos específicos: o Tinder, para encontros; o Twitch, para jogos; e o LinkedIn, para assuntos profissionais.

Mesmo com tantos empreendimentos de conexão, nós nunca nos sentimos tão solitários quanto agora. Há uma correlação forte entre os que usam redes sociais e apresentam sintomas de ansiedade, depressão e isolamento. Nós nunca fomos tão conscientes das outras pessoas: temos milhares de amigos, presenciamos seus casamentos fantásticos e suas viagens intermináveis pelo mundo e acreditamos que esses momentos de felicidade, muitos deles falsos, representam a vida. É uma cascata de informação da qual nós nunca precisamos, que geram insegurança e a sensação de que nunca alcançaremos uma felicidade como essa.

Estrategicamente, as plataformas foram desenhadas para que nós tenhamos exposição pessoal, e é assim que elas ganham dinheiro. Não há uma rede social que aproxime as pessoas simplesmente por seus interesses sociais, indo além do indivíduo. Muitos estão abandonando as redes sociais e se sentem mais felizes com isso.

Essa situação não acontecia no Orkut. Conectar-se e seguir nossas paixões são necessidades básicas do ser humano, e essa era a missão das comunidades. Era o recurso mais amado do Orkut e, agora, é a missão da hello. Desde que lançamos no Brasil, coletamos as mesmas histórias maravilhosas, de pessoas que viajaram o país para se encontrarem pessoalmente ou que descobriram o amor.

Existe algum erro que você cometeu no Orkut – e não gostaria de cometer na hello?

Houve uma mudança dramática de uso do desktop para o mobile, e o Orkut não se adaptou. Nesse novo projeto, comecei a levar mais em consideração essas mudanças e como podemos fazer uma solução mais escalável, que chegue cada vez a novos usuários.