Operação Carne Fraca: 19 dos 21 frigoríficos investigados são do Paraná

22/03/2017 às 08:19.

Ministério da Agricultura listou as irregularidades de cada unidade investigada na operação da Polícia Federal; uso de carne estragada em alimentos teria ocorrido em frigorífico de Curitiba.

O Paraná está no centro da Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal na última sexta-feira (17). Dos 21 frigoríficos investigados, 19 estão localizados no estado, incluindo algumas unidades sobre as quais recaem as acusações mais graves. É o caso da Peccin Agro Industrial, de Curitiba, que é investigada pela Polícia Federal por suspeita de usar carne estragada na produção de salsichas e linguiças, além de utilizar aditivos acima do limite permitido ou mesmo alguns que são proibidos.

Os detalhes sobre as irregularidades encontradas durante a operação foram apresentados pelo próprio Ministério de Agricultura na noite desta terça-feira (21). Dentro da lista revelada pela pasta, outros casos chamam a atenção, como a comercialização de produtos vencidos e troca de etiquetas por parte do Frigorífico Larissa, localizado na cidade de Iporã, no Noroeste do Paraná. A empresa também fazia o transporte de seus alimentos sem a temperatura adequada, o que poderia afetar sua conservação.

Foto: Jonathan Campos/ Gazeta Do Povo

Além da utilização de alimentos estragados ou vencidos, a Carne Fraca encontrou também casos de fraude em frigoríficos paranaenses. O Frigorífico Souza Ramos, de Colombo, por exemplo, utilizava carne de aves em produtos etiquetados como peru. Embora isso não represente nenhum problema sanitário, trata-se de uma alteração que afeta diretamente o bolso do consumidor, que paga mais caro por um produto que deveria ser mais barato.

Em termos sanitários, a Seara Alimentos teve problemas com a certificação. A unidade localizada na Lapa apresentou irregularidades, assim como a Madero Indústria e Comércio (Ponta Grossa), a Balsa Comércio de Alimentos (Balsa Nova) e a Indústria e Comércio de Carnes Frigosantos (Campo Magro). Já a Indústria de Laticínios S. S. P. M. A., de Sapopemba, e o Frigorífico Oregon (Apucarana) foram citados por dificultarem as ações de fiscalização.

No entanto, a maioria das acusações sobre as paranaenses é de casos de corrupção. Empresas como Frango D. M. Indústria e Comércio de Alimentos (Arapongas), Frigomax Frigorífico e Comércio de Carne (Arapongas), Frigorífico Rainha da Paz (Ibiporã), Breyer & Cia (União da Vitória), Central de Carnes Paranaense (Colombo), E. H. Constantino & Constantino (Londrina) e Transmeat Logística, Transporte e Serviços (Balsa Nova) são citadas por cometer algum tipo de corrupção no processo de fiscalização. O Ministério da Agricultura e a Polícia Federal não comentam, porém, quais ilicitudes são essas. Aparecem também na lista o Frigorífico Argus (São José dos Pinhais), no qual um funcionário usou a senha de um servidor do Ministério da Agricultura.

Via: Gazeta Do Povo