Ônibus de Curitiba levam no teto mensagem de esperança

03/12/2018 às 08:42. Comente esta notícia!

Num momento de solidão, tristeza ou desamparo basta um ouvido amigo por perto para sabermos que não estamos sozinhos. Parece algo simples, mas para muita gente isso pode significar a diferença entre a vida e a morte. Em Curitiba, 20 ônibus do transporte público circulam desde setembro com mensagens de esperança sobre o teto, divulgando também o número do Centro de Valorização da Vida (CVV): 188.

Foto: Agência 433/Divulgação

A ideia surgiu a partir de uma campanha bolada pela agência de publicidade 433, de Curitiba, que este ano escolheu o CVV e a importância da prevenção do suicídio como tema. Aí surgiu a ideia de fazer dos ônibus outdoors ambulantes, com mensagens como “você não está sozinho” ou “precisa conversar?” Segundo o Ministério da Saúde, 11 mil pessoas por ano cometem suicídio no Brasil.

Periodicamente, a agência faz campanhas de forma gratuita para ONGs e entidades filantrópicas. Eles escolheram a CVV por ser uma referência nacional em apoio emocional e pensaram nos ônibus como forma de propagar esse canal de ajuda. “Imaginamos que tem muita gente nos prédios olhando para baixo e talvez algumas delas até pensando em algo pior, como pular. Os ônibus estão em constante movimento e por isso atingem mais pessoas e em áreas de maior concentração populacional”, explica o publicitário Rafael Pavelegini.

O CVV atende cerca de 8 mil pessoas por dia em todo o Brasil – em Curitiba são 3 mil atendimentos por mês, em média – e é uma espécie de “pronto-socorro emocional” para quem precisa desabafar. De acordo com Claudiane Araújo, porta-voz do CVV em Curitiba, a organização possui 120 pontos físicos por todo o Brasil e a meta é atingir até 3 milhões de pessoas em um ano.

“O nosso objetivo é dar apoio emocional a todos, não apenas para quem está em situação de desespero. A pessoa que quiser compartilhar uma angústia ou até mesmo uma alegria pode ligar. Tem pessoas que estão realmente sozinhas”, explica Claudiane. Ela explica que a solidão é o principal motivo das ligações para o centro. São pessoas de diversas faixas etárias que se sentem desamparadas e fragilizadas emocionalmente e até fisicamente.

Segundo a Urbs, que administra o transporte público curitibano e também parceira da iniciativa, são 10 biarticulados, das linhas Santa Cândida/Praça do Japão, Cabral/Capão Raso e Santa Cândida/Capão Raso e 10 modelos híbridos nas linhas convencionais Higienópolis e Tarumã que continuam circulando pela cidade com as mensagens no teto.

Curiosamente, o serviço do CVV funciona via VoIP, ou seja, por ligação telefônica feita em banda larga de internet, e também numa espécie de rodízio, no qual o atendimento pode ser feito por qualquer um dos 120 pontos espalhados pelo Brasil que esteja disponível naquele momento. Portanto, uma ligação do interior do Paraná pode ser atendida em São Paulo ou então uma ligação do Nordeste pode ser atendida por Curitiba.

Os voluntários que atendem as ligações no CVV são maiores de 18 anos e recebem um treinamento para fazer o acolhimento das pessoas que precisam e para saber se conseguem dar conta do recado. Lembrando que o serviço telefônico é gratuito e sigiloso. Também não há limite de tempo para o atendimento.

Segundo Claudiane, o importante é que as pessoas que precisam desabafar, conversar com alguém, não se sintam sozinhas ou excluídas. “Nossa orientação é para que procurem pedir ajuda para um familiar ou um amigo, para alguém do meio religioso ou a um conselheiro, ou ainda procure uma terapia ou mesmo o CVV. Mas o importante é não se sentir excluída, independentemente da idade. Com isso, a pessoa vai perceber que ouvindo outras situações vai perceber que outros passam pelos mesmos problemas”, aconselha Claudiane.