Olhar de culpa do seu cachorro não significa que ele está arrependido

27/03/2018 às 10:21.

Enquanto você briga com ele (cachorro mal, cachorro feio!), até parece que o cão está pedindo desculpas ou se sentindo arrependido. Mas, na realidade, o que ele está experimentando no momento da bronca é bem diferente de remorso: é medo.

É isso que afirma a cientista de cognição canina Alexandra Horowitz, autora dos livros Inside of a Dog: What Dogs See, Smell and Know e Being a Dog: Following the Dog Into a World of Smell, ambos sem edições com tradução para o português.

Segundo Horowitz, nós, seres humanos, tendemos a “humanizar” as emoções dos cães, pois é uma associação que fazemos para tentar compreendê-los. O olhar de culpa é uma dessas criações.

Em 2009, a cientista realizou um estudo para identificar como humanos antropomorfizam os seus próprios cachorros. Ao analisar a reação de cães à bronca de seus donos, Horowitz percebeu que a cara de culpa dos animais estava mais associada à interpretação que seus proprietários faziam dos animais. O olhar dos cães indicava muito mais medo de sofrer represálias do que um sentimento de remorso.

Então, isso quer dizer que cachorros não sabem o que é o arrependimento? Talvez sim, talvez não. Ainda que a resposta seja “sim”, para Horowitz, é improvável pensar que eles tenham uma capacidade de cognição semelhante a nossa.

“Há algumas pesquisas que indicam que alguns animais conseguem planejar o futuro e lembrar de episódios específicos do passados”, informa a cientista ao portal Science Alert. “Com os cachorros, não há muitas evidências ainda. Isso não quer dizer que eles não são capazes, mas que é muito difícil criar experimentos para estudar o assunto”, complementa.

Fique tranquilo, é claro que seu cão tem memórias, mas é muito provável que o processo de relembrá-las seja bem diferente do nosso.

“Eles não falam sobre isso. Será que eles pensam sobre o assunto quando estão deitados no sofá esperando você chegar em casa? Nós não sabemos. Adoraríamos saber, mas não sabemos”, conta a cientista.

Esperamos ter descobertas sobre o assunto em um futuro próximo.

Via: Revista Galileu