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“O médico disse que estava ‘cansado’ do meu filho”, denuncia mãe que perdeu bebê de 1 ano e 9 meses

17/10/2019 às 09:10.

O pequeno Luiz Miguel nasceu sem nenhuma complicação. Mas, segundo a mãe, a dona de casa, Jessica Camargo, 19, aos 3 meses, por conta de uma bronquiolite, ela e o marido descobriram que o filho era portador de fibrose cística — uma doença genética, rara, crônica e que afeta, principalmente os pulmões, pâncreas e o sistema digestivo. “Em seguida, começamos um tratamento, mesmo assim, as internações eram constantes por causa de problemas respiratórios. Com 1 ano, Miguel teve a primeira crise convulsiva por causa de uma febre e, depois, elas não pararam mais, mas ele sempre melhorava”, lembra.

No dia 30 de setembro, o pequeno começou a ter febre. Chegando ao Hospital dos Fornecedores de Cana, em Piracicaba, interior de São Paulo, onde a família mora, Miguel passou a ter convulsões. Ele foi internado e, no dia seguinte, teve uma parada cardíaca. “Meu filho foi levado para a UTI e precisou ser entubado, pois estava tendo muitas crise convulsivas, mesmo com alta dosagem de remédio e sedação. Até então, ele estava sendo bem atendido. Só que, na noite de 7 de setembro, Miguel voltou a ter mais uma crise que levou a outra parada cardíaca. Nesse momento, o médico que estava de plantão foi chamado e, com todas as palavras, ele disse que estava ‘cansado do meu filho que estava dando trabalho pra ele’. Ele entrou na sala e pediu pra eu sair. Fiquei vendo pela câmera e ele fez uma massagem cardíaca de 30 segundos apenas e ficou lá dentro, olhando. Eu achei que meu filho já estava bem, porque ele não estava tentando reanimá-lo”, conta a mãe.

 Miguel tinha fibrose cística e sofria convulsões (Foto: Reprodução Facebook)

Além das palavras ofensivas e da negligência no atentimento, Jessica disse que recebeu duas informações diferentes sobre a causa da morte do menino. “Pouco tempo depois, as enfermeiras vieram falar que meu filho não tinha resistido a uma parada cardíaca. O médico não falou nada, até hoje. Ele deixou meu filho morrer? Em menos de uma hora, o corpo já tinha sido liberado e no atestado de óbito constava outra causa: ‘morte cerebral’. Como morte cerebral, se não foi aberto o protocolo de 72 horas ou sequer me deram a opção de doação de órgãos? Foi a pior notícia da minha vida! Quero justiça pela morte do meu filho. Esse médico tem que pagar pelo que fez”, completa.

Jessica, que também é mãe de uma menina de 3 anos, disse que toda a família está sofrendo. “Toda hora ela pergunta do irmão, pois eram bem grudados. Ela quer saber porque o ‘Papai do Céu’ prendeu ele lá em cima e se ele não vai acordar. Nada vai trazer meu filho de volta, mas vou lutar até o fim pelas horas que ele ficou lá sofendo”, finaliza.

O QUE DIZ O HOSPITAL?

Por meio de uma nota, a assessoria de imprensa do Hospital dos Fornecedores de Cana de Piracibaca informou que o bebê Luiz Miguel era portador de uma doença congênita grave e irreversível. Sobre as informações alegadas pela mãe, a instituição disse que elas “não condizem com o relato de testemunhas e informações constantes em prontuário médico. Inclusive, a mesma apresenta versões diferentes sobre o alegado”.

E termina afirmando que “a Associação dos Fornecedores de Cana, mantenedora do Hospital dos Fornecedores de Cana de Piracicaba, é uma entidade publicamente reconhecida por seus trabalhos, tanto na saúde privada, mas principalmente na saúde pública, através do atendimento de excelência prestado pelo SUS — Sistema Único de Saúde, motivo pelo qual presta o presente esclarecimento em respeito ao público e ao meio de publicação, porém, a assessoria jurídica já está tomando as medidas judiciais cabíveis”.

Via: Revista Crescer