O casamento faz bem para a saúde mental a longo prazo

06/12/2018 às 10:15. Comente esta notícia!

Não é raro encontrar casais de longa data suspirando ao lembrar do frio na barriga dos primeiros instantes do relacionamento. Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Berkeley, nos Estados Unidos, no entanto, trazem evidências científicas de que talvez as relações fiquem melhores com a passagem do tempo.

Em um estudo publicado na revista Emotion, eles demonstraram que, ao longo dos anos, os casais tendem a substituir as discussões pelo senso de humor e pela aceitação diante de um conflito.

Para chegarem à conclusão, os cientistas analisaram conversas gravadas em vídeo entre 87 maridos e esposas com 15 a 35 anos de relacionamento, e acompanharam suas interações emocionais ao longo de 13 anos.

Os resultados mostraram um aumento em comportamentos positivos como humor e afeto e uma diminuição em comportamentos negativos, como a crítica. Os resultados desafiam as teorias antigas de que as emoções se achatam ou se deterioram na velhice e apontam, em vez disso, para uma trajetória emocionalmente positiva para casais casados ​​em longo prazo.

“Nossas descobertas lançam luz sobre um dos grandes paradoxos do final da vida”, disse o autor sênior do estudo Robert Levenson, professor de psicologia da UC Berkeley, em comunicado. “Apesar de experimentar a perda de amigos e familiares, os idosos em casamentos estáveis ​​são relativamente felizes e experimentam baixas taxas de depressão e ansiedade. O casamento tem sido bom para a saúde mental.”

Conjunto de estudos comportamentais

Os resultados são os mais recentes de um estudo de 25 anos da Universidade de Berkeley liderado por Levenson sobre mais de 150 casamentos de longo prazo. Os participantes, agora com mais de 70 anos, são casais heterossexuais da região da Baía de São Francisco, cujas relações Levenson e colegas pesquisadores começaram a monitorar em 1989.

Na investigação, os pesquisadores observaram interações de 15 minutos periódicas entre os cônjuges em um ambiente de laboratório enquanto discutiam experiências compartilhadas e áreas de conflito, e rastrearam as mudanças emocionais ao longo do tempo.

Os comportamentos de escuta e fala dos cônjuges foram codificados e classificados de acordo com suas expressões faciais, linguagem corporal, conteúdo verbal e tom de voz. As emoções foram classificadas nas categorias de raiva, desprezo, repulsa, comportamento dominador, defensividade, medo, tensão, tristeza, lamentação, interesse, afeição, humor, entusiasmo e validação.

Os cientistas descobriram que tanto os casais de meia-idade quanto os mais velhos, independentemente de sua satisfação com o relacionamento, experimentaram aumentos nos comportamentos emocionais positivos gerais com a idade, enquanto demonstraram uma diminuição nos comportamentos emocionais negativos em geral.

“Esses resultados fornecem evidências comportamentais que são consistentes com pesquisas que sugerem que, à medida que envelhecemos, nos tornamos mais focados nos aspectos positivos em nossas vidas”, disse Verstaen.