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Número de cirurgias bariátricas cresceu 215% no SUS

30/07/2018 às 10:04.

O número de procedimentos de redução do estômago, cada vez mais populares, vem crescendo no Brasil. Segundo uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, só no Sistema Único de Saúde (SUS), a quantidade aumentou 215% entre 2008 e 2017. No ano passado, juntando-se as operações desse tipo feitas pelos sistemas público e privado, foram 105.642 mil intervenções – apenas no Distrito Federal, 2.712 mil.

São várias as explicações para o crescimento tão acentuado de procedimentos. “Já se passou da fase de aprendizado. O índice de complicações ainda é compatível com qualquer cirurgia de grande porte, mas aconteceu uma grande diminuição do número de resultados ruins”, explica Rafael Galvão, coordenador de Cirurgia Bariátrica da Secretaria de Saúde do Distrito Federal.

Foto: Pixabay

Outro fator foi a implementação da Resolução n° 2.131/15, publicada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que regularizou quais são os pacientes habilitados a fazer a cirurgia. Antes era preciso ter índice de massa corporal (IMC) acima de 40 ou acima de 35 com algumas doenças associadas à obesidade, mas faltava uma descrição mais clara e, por isso, vários convênios se negavam a pagar a operação.

“Agora, o processo é discriminado, entram depressão e incontinência urinária de esforço, por exemplo. No SUS, dificilmente se nega cirurgia com índice acima de 35”, conta o cirurgião. O Ministério da Saúde também facilitou o credenciamento de hospitais habilitados, aumentando a rede para atender a demanda.

População informada
“Eu apontaria que a população também está mais bem informada. A troca de experiências é mais instantânea com as mídias, as inseguranças são trabalhadas em fóruns no Facebook”, lembra Rafael Galvão.

Enquanto esperava pela cirurgia, a técnica em nutrição Tatiane Lins, 31 anos, entrou em vários grupos de Facebook para procurar ajuda e conhecer pessoas passando pelo mesmo processo. Na fila por três anos e nove meses, ela alerta: a batalha psicológica é complicada. “Até pensei em desistir. A gente precisa perder uma porcentagem do peso para entrar na fila de ‘prontos para a cirurgia’. Eu perdi 20 quilos, mas a operação não chegava. Fiquei ansiosa e acabava engordando de novo”, recorda.