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Nova pesquisa diz que anticorpos da Covid não desaparecem tão rápido

03/09/2020 às 08:37.
Anticorpos e covid-19 – Kateryna Kon / Science Photo Library / Getty Images

Uma pesquisa gigante, feita com mais de 30 mil pessoas na Islândia, apontou que os anticorpos da Covid-19 podem durar até quatro meses, ou seja, eles acreditam que a imunidade das pessoas recuperadas da doença não desaparece com facilidade, como mostraram pesquisas anteriores.

O estudo, feito pela biofarmacêutica islandesa deCODE genetics, saiu no prestigiado jornal científico The New England Journal of Medicine.

Ele indica uma maior duração dos anticorpos da covid-19, bastante semelhante ao dos demais casos de infecção por algum tipo de coronavírus.

A novidade pode servir de alento até que saia uma vacina, ou tratamento para a doença.

“Se uma vacina conseguir induzir a produção de anticorpos duradouros como a infecção natural faz, isso dá esperança de que a imunidade para esse vírus imprevisível e altamente contagioso pode não ser passageira”, disseram pesquisadores da Universidade de Harvard e do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, comentando o estudo islandês.

Os anticorpos tem como principal função a defesa do organismo contra infecções e doenças e atuam como neutralizadores de micro-organismos capazes de infectar o corpo humano.

Como

Para chegar a conclusão, os cientistas testaram 2.102 amostras de 1.237 indivíduos que tiveram o teste positivo para a covid-19, após quatro meses do diagnóstico inicial.

Os anticorpos de 4.222 amostras de pessoas, que foram expostas mesmo na quarentena e de outras 19 mil que não sabiam ter sido expostas ao vírus.

Outros estudos

A pesquisa islandesa confronta as e outros cientistas.

Em uma transmissão ao vivo no YouTube o professor John Bell, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, afirmou que pessoas que foram infectadas pelo vírus em março já podem estar suscetíveis a reinfecções.

Segundo Bell os anticorpos da covid-19 podem se esgotar entre 10% e 30% a cada mês e eles “desaparecem rapidamente”.

Recentemente um estudo feito pela King’s College de Londres com cerca de 90 pessoas apontou que os anticorpos desapareciam com o tempo, atingindo um ápice três semanas após os primeiros sintomas e abaixando rapidamente depois disso. Nenhum estudo teve uma base tão grande quando o da deCODE.

Outra pesquisa publicada na revista científica Cell.com apontou que, mesmo sem a produção de anticorpos contra o vírus, um indivíduo pode produzir células capazes de destruir a doença em casos de reinfecção. São os chamados linfócitos T — células reativas que ajudam o organismo na defesa de infecções.

Mais um estudo, dessa vez divulgado na revista científica Nature, aponta que foram encontradas células imune contra a doença em amostras sanguíneas de 100 voluntários, entre eles alguns que não foram sequer expostos à doença.

Cientistas da Universidade de Washington e do Instituto de Pesquisas Benaroya encontraram a presença de células B em alguns casos — linfócitos responsáveis pelo reconhecimento e luta contra o vírus, bem como os T.

Segundo eles, os indivíduos recuperados tiveram as células T e B persistentes e, em alguns casos, aumentadas em até três meses após o aparecimento dos primeiros sintomas da doença.

Os pesquisadores analisaram quadros leves, também estudados por outros cientistas, quando foi apontado que as pessoas têm uma resposta imune ao vírus apesar da gravidade do caso.

As duas pesquisas citadas acima, no entanto, não passaram pelo processo de revisão de pares e tampouco foram publicadas em revistas científicas.

Em outros casos de doenças respiratórias causadas por um coronavírus (como o SARS e a MERS) uma imunidade de cerca de dois anos foi criada. Em outras variações do vírus (como a OC43 e a HKU1), as pessoas ficaram imunes por um período determinado de tempo.

A Islândia, com uma população de 364.134 habitantes, tem 2.116 infectados e 10 mortes, segundo o monitoramento em tempo real da universidade americana Johns Hopkins.

Mesmo com o avanço das pesquisas, o tempo de duração da imunidade contra o novo coronavírus permanece um mistério e apenas mais estudos sobre o tema poderão revelar por quanto tempo o corpo humano pode ficar protegido de novas infecções.

Com informações da Exame