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Nova bariátrica não tem cortes e é indicada para quem não tem obesidade mórbida

30/07/2019 às 08:44.
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A cirurgia bariátrica há anos vem sendo usada como forma de auxiliar no emagrecimento de pessoas que têm IMC acima de 40 ou acima de 35 com complicações de saúde associadas. Nela, parte do estômago do paciente é grampeado ou retirado e, em alguns casos, desvios intestinais também são feitos.

Cirurgias de redução de estômago

Com o intuito de tornar a cirurgia menos invasiva, surgiu a bariátrica por videolaparoscopia. Nesta técnica, o médico realiza de 3 a 5 furos pequenos no abdômen do paciente e realiza o procedimento por meio deles, sem que seja necessário a realização de grandes cortes, como na cirurgia tradicional. Com isso, a cicatrização acontece de forma mais rápida e os riscos de infecção são reduzidos.

Agora, uma nova técnica, que promete tornar o procedimento ainda mais simples e rápido, já está sendo realizada em voluntários em protocolo de pesquisa pela Faculdade de Medicina do ABC e está prestes a ser disponibilizada na rede particular.

O equipamento que é utilizado no procedimento já foi aprovado pela ANVISA no fim de 2016 e o custo da cirurgia em hospitais particulares ainda não foi definido.

“Nova bariátrica”: como é feita?

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A grande diferença é que neste procedimento, que foi intitulado de gastroplastia endoscópica, não são feitos cortes grandes – apenas pequenos furos.

O endoscopista bariátrico Manoel Galvão Neto, que desenvolveu a técnica junto com médicos de outros países, explica que o estômago do paciente é reduzido por meio de um equipamento de sutura endoscópica que é inserido pela boca do paciente.

 O aparelho é inserido com uma câmera de alta resolução que permite que o médico observe com precisão onde a sutura deve ser feita a fim de reduzir o tamanho do estômago do paciente, semelhante ao que acontece na bariátrica por videolaparoscopia.

“Nesse procedimento o órgão (estômago) é preservado e tem seu volume reduzido através de sutura realizada por endoscopia”, explica ao comentar que nenhuma parte do estômago é retirada durante o procedimento.

Assim como na bariátrica, nos primeiros 40 dias o paciente deve seguir uma dieta líquida e pastosa .

Vantagens

Outras vantagens são que os riscos de sangramentos e perfurações são menores nesta técnica e a recuperação é mais rápida, podendo o paciente ter alta no mesmo dia do procedimento.

O repouso precisa ser só de 2 a 3 dias e em 15 dias a pessoa já pode voltar a praticar atividade física sem nenhuma restrição. Após o procedimento, a pessoa perde até 10% do peso corporal em apenas 1 mês.

Quem pode fazer?

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Galvão explica que a gastroplastia endoscópica é mais indicada com pacientes com IMC entre 30 e 40, ou seja, que não apresentem obesidade mórbida.

“Tecnicamente ela pode ser realizada em pacientes com IMC maiores de 40, mas seria exceção. Por definição, os pacientes com obesidade mórbida se beneficiam mais com a cirurgia bariátrica. A gastroplastia endoscópica tem seus melhores resultados em pacientes com obesidade menos severa”, afirma o especialista.

De acordo com o endoscopista e coordenador do serviço de endoscopia da faculdade de Medicina do ABC Eduardo Grecco, que realizou o procedimento em voluntários, pacientes com obesidade mórbida não se beneficiariam muito do procedimento porque ele prevê uma perda de peso de até 25% do peso corporal da pessoa.

“A perda de peso média é de 20%, então uma pessoa com 150 kg chegaria, no máximo, aos 120 kg e continuaria obesa. O procedimento é mais indicado para pessoas com obesidade graus 1 e 2 porque ela não podem fazer a bariátrica e o procedimento é capaz de fazer com que elas voltem ao peso normal”, explica Grecco.

Via: Vix