Nasce o primeiro bebê de uma mãe com útero transplantado de doadora morta

06/12/2018 às 10:04. Comente esta notícia!
Equipe de médicos segura o recém nascido. (Foto: Hospital das Clínicas)

Nasceu no Hospital das Clínicas, em São Paulo, o primeiro bebê concebido por uma mulher que havia recebido um útero transplantado de uma pessoa morta. Em casos bem sucedidos de gravidez depois de um transplante já registrados, o órgão veio de um parente compatível vivo, o que faz do acontecimento um marco para a medicina.

“Os resultados fornecem uma prova de conceito para uma nova opção de tratamento para a infertilidade absoluta do fator uterino”, escreveram os co-autores Dani Ejzenberg, do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, e Wellington Andraus, cirurgião de transplante da Escola de Medicina da USP no estudo publicado no The Lancet.

A receptora do transplante, que não teve a identidade revelada, nasceu com uma doença chamada síndrome de Hauser, uma condição genética que afeta uma em 4,5 mil mulheres e faz com que a vagina e o útero de um paciente estejam ausentes ou subdesenvolvidos, embora seus genitais externos pareçam normais e seus ovários ainda funcionem e contenham óvulos.

Alguns meses antes da cirurgia, a mulher foi submetida a uma fertilização in vitro, que foram congelados à espera do transplante, realizado em 2016, quando a paciente tinha 32 anos. A doadora tinha 45 anos e havia morrido em decorrência de um derrame. O órgão estava em bom estado e era compatível.

Ultrassonografia mostra bebê se desenvolvendo normalmente no útero transplantado. (Foto: Hospital das Clínicas)

A cirurgia de dez horas foi um sucesso e, cinco meses depois, não apresentou sinais de rejeição do útero e, pela primeira vez em sua vida, ficou menstruada. A ultrassonografia também mostrou que estava tudo bem.

Após mais sete meses, os óvulos congelados foram resgatados, e a gravidez confirmada 10 dias depois. Foram 35 semanas e três dias de uma gravidez sem grande percalços até que criança nasceu pesando quase três quilogramas. O parto foi por meio de uma técnica que remove o útero todo. Apesar de não apresentar sinais de rejeição, foi uma opção para poderem interromper a medicação imunossupressora.

Quando o estudo foi escrito, mãe e criança estavam saudáveis, com o bebê com seus sete meses e 20 dias de vida e com mais de sete quilogramas.