Musculação para adolescentes: entenda prós e contras

14/11/2018 às 09:18. Comente esta notícia!

É fato de que crianças e adolescentes tem sido envolvidos cada vez mais em esportes competitivos. Também é fato que a medicina e fisiologia do exporte tem elucidado o efeito do exercício nesta faixa etária.

Assim como nos adultos, o treinamento de força foi inserido em programas de treinamento nas mais diversas modalidades esportivas, seguindo o conceito de que o atleta deve se condicionar para praticar determinado esportes. Fortalecimento do CORE, ganho de flexibilidade e treino visando ganho de agilidade neuro-motora, ou plioméricos também foram inseridos nas planilhas de treino nos últimos 20 anos, tornando a rotina de treino muitas vezes massacrante para indivíduos neste faixa etária, mas o treino de força tem se tornado temas de debates nos últimos anos. Afinal, adolescentes podem fazer musculação?

Embora os protocolos de ganho de força de maneira segura em adolescentes ja estejam bem estabelecidos, muitos jovens atletas e pais estão buscando maneiras de atingir uma vantagem competitiva. Eles são bombardeados com informações confusas e, muitas vezes, conflitantes em relação à segurança e eficácia do treinamento de força juvenil.

É muito comum de nós, médicos do esporte, recebermos em nossos consultórios pais preocupados com o desenvolvimento muscular dos filhos, seu desempenho atlético e principalmente preocupação quanto ao crescimento e risco de lesões.

Existe um certo senso comum de que o atividades relacionadas ao treinamento de força tenham início tardio e, por isso, são geralmente adiadas ao final da fase do crescimento, acreditando-se que o treino de força possa fazer com que o adolescente cresça pouco e se torne um adulto de baixa estatura, quando comparado a sua media familiar. No entanto, parecem ter poucos níveis de evidência científica acerca disso.

É fundamental que os médicos do exporte se mantenham atualizados e possam ajudar a desmistificar algumas das confusões e controvérsias. Recomendações mais atuais não parecem ter nenhum fundamento científico contra à prática de treinamento de força por crianças e adolescentes, desde que algumas regras de segurança sejam seguidas, como liberação médica, instrução adequada de um profissional qualificado e sobrecarga progressiva.

Ao mesmo tempo, vários estudos, incluindo alguns publicados pela Academia Americana de Pediatria e Sociedade Americana de Ortopedia fornecem resultados consistentes apoiando os benefícios de esforços físicos intensos em indivíduos jovens. Alguns estudos apontam melhoras nas habilidades motoras e na composição corporal na vida adulta, redução da massa gorda e melhora na saúde óssea, especialmente se a prática esportiva começou cedo, na puberdade. Similar a outras atividades físicas, o treinamento de força tem mostrado um efeito benéfico em vários índices de saúde mensuráveis, como aptidão cardiovascular, composição corporal, densidade mineral óssea, perfis lipídicos no sangue e saúde mental. Estes estudos demonstraram inclusive, benefícios para o aumento da força, função global e bem-estar mental em crianças com paralisia cerebral.

De acordo com as orientações de 2008 da Comissão Europeia, jovens em idade escolar devem participar em atividades físicas diárias moderadas a vigorosas durante 60 minutos ou mais. Obesidade, hábitos alimentares ruins, estilo de vida sedentário e baixa capacidade cardiorrespiratória na infância e adolescência podem aumentar o risco de problemas de saúde mais tarde na vida.

Desmistificando a musculação

Para prescrever e administrar um programa de treinamento de força apropriado para adolescentes, é fundamental compreender que a natureza física e psicológica única de cada um difere tremendamente entre indivíduos neste estágio de desenvolvimento. Por isso é fundamental que eles estejam mentalmente preparados o suficiente para seguir as direções e que realmente queiram treinar e não apenas seguir o anseio dos pais de terem atletas de ponta altamente competitivos dentro de seus lares. O foco em um treinamento deve ser seguro e focado no auto-aperfeiçoamento individual, ao invés de competitivo.

A musculação para crianças na puberdade e adolescentes pode ser uma maneira segura e eficaz de melhorar a musculatura força e flexibilidade articular, enquanto potencialmente diminui a taxa de lesões relacionadas ao esporte.

A prescrição do treino do médico do esporte em conjunto ao educador físico deve obedecer sexo, biótipo e o estagio de maturação sexual. Assim como nos adultos, deve ser individualizado, assistido de perto e ter caráter lúdico.

E o crescimento?

A literatura recente indica que a musculação não terá um efeito adverso no crescimento. Pelo contrario, alguns estudos demonstraram efeitos positivos no crescimento, desde que a nutrição e diretrizes de atividade física específicas para a idade sejam atendidas.

Os pais podem ter certeza de que o treinamento de força (com moderação) não terá um efeito adverso sobre o crescimento. O treinamento pode realmente ser um estímulo para o crescimento e mineralização óssea em crianças, especialmente para aqueles em risco de osteopenia ou osteoporose.

Riscos

Como qualquer outro tipo de prática esportiva, há riscos que podem ser consideravelmente diminuídos seguindo um pequeno conjunto de sugestões: supervisão adequada de um adulto especialista, aquecimento e alongamento antes do levantamento, foco na forma adequada ao invés de carga, aumentos graduais de resistência como técnica, a força e o controle.

Estudos atuais mostram que os benefícios de treinamento de força bem direcionado em pré-adolescentes e adolescentes supera em muito os riscos potenciais e são até menos frequentes do que muitos outros esportes e atividades. A explicação se deve ao fato de que para realizar os levantamentos multi-articulares mais complexos envolvidos no levantamento de peso, há uma progressão gradual das cargas de treinamento associada ao domínio da técnica e movimento. Primeiro, o adolescente deve dominar com sucesso os exercícios introdutórios usando cargas mínimas. Os pesos são adicionados somente sob supervisão estrita e qualificada do profissional. Quando o adolescente está envolvido treinamento de força, a ênfase deve estar na técnica e não na quantidade de peso levantada.

Enfim, o treino de força quando bem prescritos e bem executados auxiliam adolescentes a ter uma melhor composição corporal, a incorporarem a atividade física em seu dia-a-dia, se alimentarem e dormirem melhor e ficarem longe dos hábitos nocivos. Em outras palavras, a musculação ajuda a construir um adulto saudável.