Miss Plus Size Nacional vai reunir representantes de 18 estados

09/11/2017 às 14:58.

Evento irá acontecer no dia 25 no Rio; mulheres têm histórias de superação

Divas. Pamella (à esquerda), Valéria, Viviane e Jéssika (sentada) disputarão o Miss Plus Size Nacional – Leo Martins / Agência O Globo

RIO — Crise de identidade, falta de aceitação e autoestima baixíssima em virtude do sobrepeso. Isso sem falar da dificuldade de encontrar roupas que sigam as tendências. Estes sentimentos e situações ajudam a contar a história da maioria das mulheres que disputarão a segunda edição do Miss Plus Size Nacional, no próximo dia 25, no Espaço Life, em Jacarepaguá.

O evento é promovido pelo produtor Eduardo Arauju, criador de cursos de modelo e manequim para idosas e mulheres plus size. Na passarela, representando 18 estados brasileiros, estarão modelos profissionais e amadoras que vestem do manequim 44 até o 62. Os números seguem o padrão estabelecido em um estudo realizado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

— Não faço apologia à gordura. Faço apologia à felicidade — conta Arauju. — Conseguimos dar um objetivo a essas meninas que antes não conseguiam enxergar seu potencial. Muitas que vieram para esse universo modificaram suas vidas. Com a melhora na autoestima, passaram a se cuidar mais e a viver melhor.

O concurso também atende à demanda de um público que não para de crescer no país. De acordo com dados do Ministério da Saúde publicados em abril, 53,8% da população brasileira estão acima do peso. No estado do Rio, o índice é ainda maior, chegando à marca de 55,8%. Segundo a Associação Brasileira do Vestuário (Abravest), o mercado plus size movimenta cerca de R$ 5 bilhões anualmente.

— Esta não é uma disputa que tem como único objetivo a competição em si. É um concurso que resgata a autoestima e traz mais vida às participantes. Não há discriminação pelo peso, pela idade ou pela condição social. As pessoas têm mania de falar “É linda, mas é gorda” quando veem nossas modelos. Tenho vontade de responder “Nossa! Sua língua é tão grande. Por que não a corta?”. Não sou louco de incentivar hábitos não saudáveis. Não é obrigação do concurso, mas todas as meninas fazem exames regulares e mantêm todas as taxas saudáveis — explica Arauju, que foi jurado do Miss Gordita Paraguay, realizado no fim de outubro.

Mulheres têm histórias de superação – Leo Martins / Agência O Globo

Pesando 130 quilos e na mesa de cirurgia para dar à luz seu terceiro filho, Pamella Felice, de 26 anos, ouviu uma conversa entre a equipe médica que a marcou para sempre. Após quase uma hora, a anestesia não estava fazendo efeito, e as enfermeiras não conseguiam encontrar sua veia para aumentar a dose da medicação.

— Foi quando ouvi uma médica dizendo: “Vocês estão usando a agulha errada! Não estão vendo que ela é gorda, praticamente uma obesa mórbida?”. Aquilo ficou na minha cabeça. Passei por um momento muito ruim, abandonei o trabalho e acabei engordando ainda mais. A reviravolta veio quando virei modelo plus size. Emagreci 30 quilos em seis meses e hoje tenho muito mais consciência do meu corpo e do que tenho que fazer para estabilizar meu peso — afirma Pamella, que veste manequim 48 e vai representar o Pará no concurso.

O sucesso da participante nascida e criada em Belém e que há seis anos mora no Rio é tanto que, desde que enveredou pelo mundo da moda, há cerca de dois anos, consegue viver apenas com o seu trabalho na frente das câmeras. A participante fluminense também já consegue uma renda extra com trabalhos como modelo. Natural de Nova Friburgo e moradora até hoje da cidade da Região Serrana do Rio, Jéssika Lima, de 26 anos, é formada em Administração.

— Desde o ano passado já queria participar do Miss Plus Size Nacional, mas fiquei sabendo do concurso muito em cima da hora, e a representante do Rio já estava escolhida. Entrei no Miss Plus Size Carioca em 2017, venci e agora vou para a disputa nacional — revela Jéssika, que veste 46, tem 1,63m de altura e 85 quilos. — Não posso dizer que não quero ganhar (risos). Mas o mais bacana de participar do concurso é mostrar que não existem padrões a serem seguidos.

As questões e dúvidas pessoais em relação ao sobrepeso acabam atrasando o ingresso dessas mulheres no universo dos concursos de beleza. Se modelos magras costumam dar seus primeiros passos aos 13 ou 14 anos, as plus size geralmente iniciam suas caminhadas depois dos 20 anos.

— Há uma demora maior para aceitação de si mesma. É um processo longo. As meninas vivem este preconceito e ficam presas a padrões por muito tempo até encontrarem alguém que as encoraje. A dificuldade de encontrar roupas que caiam bem também acaba influenciando — diz Pamella, que tem 1,67m de altura e 103 quilos.

Marinheira de primeira viagem em concursos, a capixaba Valéria Souza, de 37 anos, espera ganhar visibilidade no Miss Plus Size Nacional. Ela trabalha atualmente como recepcionista em um posto de saúde em Silva Jardim, município na Região dos Lagos, e faz curso técnico de Enfermagem.

Via: O Globo