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“Meu marido morreu meia hora depois da festa de 1 ano da nossa filha”, diz mãe

05/02/2020 às 09:48.

Abraão, 22, morreu em um acidente de trânsito logo após a comemoração. Hoje, três meses depois, a esposa, Alexandra Amorim, 24, de SP, resolveu contar sua história para ajudar outras mulheres: “Vocês são mais fortes do que pensam”

A última foto de Abraão com a mulher e a filha; meia hora antes do acidente (Foto: Thais Meirelles)

Durante um ano, a corretora e mãe, Alexandra Amorim Silva, 24 anos, de Nova Odessa, no interior de São Paulo, viveu o sonho de formar uma família. Mas há exatamente três meses, sua vida virou de cabeça para baixo. No dia da festa de 1 ano da filha, Valentina — no dia 8 de novembro de 2019 —, ela perdeu o marido, Abraão Hudorovich, 22 anos, em um acidente de trânsito. Como recordação, ficou a última foto dos três juntos, cerca de meia hora antes do episódio que tirou a vida de Abraão.

“Por circunstâncias da vida, o papai de Valentina morreu no dia do aniversário de um ano dela. Éramos casados há 3 anos. Eu estou falando isso para dizer que nada na vida é fácil. Hoje, sou viúva, minha filha não tem mais pai, mas estamos aqui, firmes e fortes, com a esperança de um amanhã melhor”, escreveu Alexandra em um post nas redes socais, que causou comoção, principalmente entre as mães.

A família celebrando o primeiro ano de Valentina (Foto: Arquivo pessoal)

Em entrevista à CRESCER, ela contou que resolveu compartilhar sua história, pois sabe que não é a única a criar um filho sozinha: “Tem pessoas que passam por problemas muito piores que o meu, mas eu quero deixar uma sementinha plantada para dizer que não é o fim do mundo se o seu marido não quer saber do teu filho, se ele te abandonou ou faleceu, assim como meu. A palavra que eu sempre uso é que a vida segue. Ele se foi, mas eu fiquei. E eu fiquei por um motivo: pela Valentina”, disse. Alexandra contou ainda, em detalhes, como foi o último dia de vida do marido, o acidente que tirou a vida dele e como está levando vida após essa perda.

C: Como era o Abraão pai?
A: O Abraão era o melhor pai do mundo. Ele tinha um cuidado tão lindo de se ver com a Valentina: dava banho, trocava fralda, dava comida, brincava, levava pra passear… Ele era maravilhoso, era presente e, no dia em que ele faleceu, na hora da festa, parecia que a Valentina estava sentindo que ia acontecer algo com ele porque o tempo todo ela só queria ele, mais ninguém.

C: O acidente aconteceu pouco depois da festa, é isso?
A: Sim, o Abraão morreu pouco tempo depois da festa. O tempo todo na festa ele estava feliz. Serviu a todos, abraçou e beijou todos. Os convidados foram recepcionados por ele. Quando terminou tudo, começamos a organizar as coisas no carro e ele quis ir embora para a nossa casa sozinho, em uma caminhonete, com todos os artigos da festa. Então, eu falei que iria com a minha sogra, pois ele tinha bebido um pouco. Imploramos para ele não dirigir, mas em um certo momento da festa, ele falou para o meu irmão que se ele morresse, ele iria sozinho, sem a mulher e sem a filha. Eu e a minha sogra saímos e, logo em seguida, ele saiu. Nós paramos em um posto de gasolina e ele ultrapassou a gente. Um pouco mais à frente, cerca de 300 metros, ele perdeu o controle, bateu em um poste e caiu no córrego. Teve traumatismo craniano, parada cardíaca e faleceu na hora.

C: Como você recebeu a notícia de que ele não resistiu?
A: Assim que minha mãe ligou avisando que ele tinha capotado, eu deixei minha sogra no posto de gasolina e sai correndo em direção ao acidente com a Valentina no meu colo. Chegando lá, entreguei a Valentina para a minha mãe e fui até o carro, chamando por ele. Abraão já estava morto, mas eu não sabia. Demorou cerca de uma hora para o resgate chegar e, quando chegou, o médico veio na minha direção e perguntou se ele estava sozinho. Nesse mometo, ele deu a notícia do falecimento. Eu fiquei sem chão. Eu desmaiei duas vezes. Eu fiquei fora de mim porque eu não queria aceitar, eu não queria entender que ele tinha morrido, que tinha acabado tudo. Foi muito difícil ter que digerir essa notícia. Eu me lembro que muitas pessoas estavam ali me ajudando, me consolando, mas eu não queria saber de nada, só queria que tudo aquilo fosse mentira.

Abraão conviveu 1 ano com a filha (Foto: Arquivo pessoal)

C: Como foram esses últimos três meses?
A: Não fácil mas, não é impossível. É algo que você vai aprendendo a cada dia. Têm momentos que eu paro e penso: “Meu Deus, é real! Não temos mais ele conosco!” Mas aí eu olho pra Valentina e crio forças pra seguir, porque é tudo pra ela. A Valentina ainda chama o papai dela, como eu disse, ela era muito apegada a ele e isso doi na minha alma. Nessas horas, eu tento chamar a atenção dela para outras coisas e minha família também tem me ajudado muito.

C: O que você diria para outras mães que estão passando por situações semelhantes?
A: Mamães do meu coração, vocês são mais fortes do que pensam. Porque ao lado de vocês, dentro de vocês, tem um serzinho que é capaz de vencer qualquer barreira, qualquer tristeza, qualquer abandono, qualquer separação, qualquer perda, então, se apegue àquilo que te leva para frente, não o que te faz retroceder. Seja forte, seja corajosa. Deus não dá um fardo se ele não tem a certeza de que você consegue carregar. Mas busque estar bem com você primeiro para, depois, ficar bem com o resto da sua vida.

Abraão com a filha, Valentina (Foto: Arquivo Pessoal)

Via: Revista Crescer