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Mesmo após dar alta, médico ainda visita pacientes em casa

19/10/2017 às 15:52.

Clínico geral Roberto Lobosco dá prioridade a pessoas com problemas financeiros ou de locomoção

Voluntário. Roberto Lobosco atende doentes em unidades públicas, em clínica particular e também em casa – Fabiano Rocha / Agência O Globo

RIO – Eles viram noites salvando vidas. Em alguns casos, chegam até a correr risco de morte para conseguir exercer a profissão. No Dia do Médico, comemorado nesta quarta-feira, a história de um jovem clínico geral de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, mostra bem o que é honrar o jaleco. Roberto Lobosco, de 35 anos, costuma usar uma parte do período de folga para visitar pacientes que precisam de ajuda mesmo após receber alta, principalmente por problemas financeiros ou de locomoção.

 Filho de um médico e de uma professora, Lobosco trabalha em um hospital particular e é diretor de uma unidade municipal de saúde, em São Gonçalo. Ele conta que, desde o período da faculdade, tenta monitorar os pacientes mais debilitados, mesmo depois que eles são liberados dos seus cuidados:

— Entendo que a medicina vai muito além das cirurgias e receituários. Nós médicos temos uma vida muito atribulada, mas o que eu faço é dar, com apoio dos meus conhecimentos, um pouco de suporte para os pacientes mais necessitados. Essa é uma coisa que me faz bem.

Nesta quarta-feira, por exemplo, Roberto aproveitou parte do seu almoço para fazer uma visita a uma antiga paciente, que ele havia cuidado em uma clínica particular. Acamada há 17 anos, a aposentada Maria Alcina chegou a ficar sob os cuidados do médico por um período de cinco meses, quando foi internada com problemas respiratórios.

— Quando demos alta, a família ficou um pouco assustada porque o plano dela não cobre o atendimento médico domiciliar. Mas eu sei da dificuldade que eles passam. Consegui cadastrá-los em um programa do município, mas mesmo assim ainda continuo fazendo as visitas por conta própria — conta.

Para as filhas e o marido da paciente, Roberto se tornou um verdadeiro amigo. Segundo eles, até mensagens pelo celular ele costuma mandar para monitorar a saúde da idosa.

— Ele é um médico especial. Liga, manda mensagem e faz essas visitas. Para nós, ele é como se fosse uma pessoa da família — diz a filha a idosa, Flávia Oliveira da Costa.

Atualmente, Roberto monitora cerca de 15 pacientes que já passaram pelo seu atendimento. A maioria, idosos.

— São pessoas que a gente sabe que têm mais dificuldade de locomoção. Não faço isso por autopromoção a história aqui é de carinho pelo ser humano — diz Roberto.

Ele também participa como voluntário do projeto “Blitz da saúde” da Secretaria municipal de Saúde de São Gonçalo, em que vai às ruas distribuir panfletos e conhecimento sobre a prevenção a doenças sexualmente transmissíveis.

Via: O Globo