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Menino de 7 anos tem AVC durante aniversário, mas mãe pensava que ele estava fazendo birra

13/11/2019 às 09:14.

O menino Max Davenport, do Reino Unido, estava se divertindo em sua festa de aniversário de sete anos, quando se agachou no chão e começou a se contorcer. A mãe, Michelle Davenport, de 37 anos, achou que era uma brincadeira boba do filho, de acordo com informações do site Mirror. Logo, ele ficou imóvel e não conseguia falar.

Foi neste momento que a mãe percebeu que não era uma simples brincadeira de mau gosto e sim um AVC (Acidente Vascular Cerebral), popularmente conhecido como derrame. O caso aconteceu em setembro de 2016, mas agora a mãe decidiu relatar sua experiência ao Mirror.

Antes do derrame, a mãe conta que o filho estava muito bem. No entanto, quando pararam para almoçar, ele reclamou de uma dor de cabeça e estava muito quieto. “Max tem TDAH (transtorno do déficit de atenção e hiperatividade) e normalmente é hiperativo. Eu dei a ele um copo de água e pensei que ele estava com calor por andar por aí”, afirma.

Michelle conta que tudo aconteceu muito rápido. Em um momento, Max estava vestido com roupas de camuflagem brincando com amigos com arminhas de brinquedo e depois estava no chão. “Olhei para o Max e ele estava completamente branco, olhando para mim. A boca dele também deformou”, disse a mãe.

A família chamou a ambulância e o levou para o hospital Royal Surrey County, em Guilford. Após os exames, os médicos constaram que era um derrame isquêmico —  que ocorre pela falta de sangue em uma área do cérebro, devido à obstrução de uma artéria.

Depois do ocorrido, a criança teve que ficar seis meses no hospital. Ele precisou fazer fisioterapia, porque perdeu a capacidade de andar e mexer o braço. Além disso, começou a passar em um terapeuta para se lembrar de tarefas diárias como se vestir e movimentar o braço.

Foram oito semanas para ele conseguir se levantar com apoio, diz a mãe. Com o tempo, o menino foi se fortalecendo e agora com 10 anos, já consegue andar, mas ainda tem dificuldades de movimentar a mão.

Michelle decidiu compartilhar a história do seu filho para conscientizar os pais que os jovens também podem sofrer derrame. “As pessoas tendem a pensar que os derrames afetam só os idosos e eu gostaria que elas soubessem que isso pode acontecer com qualquer pessoa, mesmo crianças”, diz.

AVC em crianças: sim, isso existe!

Quando se ouve falar em AVC, a abreviação para Acidente Vascular Cerebral, logo se imagina um adulto, provavelmente com características de risco: sedentário, que se alimenta mal, talvez obeso e quem sabe fumante. Mas você sabia que isso acontece também com crianças?

“A frequência é infinitamente menor do que a ocorre com os adultos. Enquanto entre os mais velhos a taxa é de 4 ou 5% da população, entre as crianças, é de 0,1% ou 0,2% da população infantil”, alerta Osmar Moraes, neurocirurgião do Hospital Santa Catarina. Para ele, como é um acontecimento raro, a dificuldade de obter um diagnóstico é maior.

Por que acontece em crianças?

As causas do AVC em crianças são diferentes das razões pelas quais ele acontece em adultos. “Em geral, o derrame está associado a alguma outra condição, que pode ser uma má formação nas artérias, anemia falciforme, hemofilia ou alguma deficiência no sistema imunológico”, explica Moraes.

Como reconhecer o AVC em crianças

Uma das melhores formas de salvar a vida de uma criança com AVC é prestar socorro rápido, procurando atendimento especializado em um pronto-socorro infantil. Mas como saber se é o caso de correr para o hospital? “Os sintomas em crianças são muito nítidos. Os pais, certamente, saberão que se trata de algo grave. O mais comum é um déficit motor, quando a criança para de mexer um lado do corpo, para de andar, enrola a língua, para de falar. E, na criança, diferente do adulto, em que tudo acontece gradativamente, tudo acontece muito rápido”, diz o neurocirurgião.

Ao desconfiar de que uma criança está sofrendo um derrame, o melhor, além de chegar a um serviço de emergência o quanto antes, é tentar verificar se as vias aéreas estão desobstruídas. A língua enrolada pode ser a causa disso, por exemplo. “Também ajuda tentar manter a cabeça da criança elevada, para facilitar a drenagem do sangue. As outras ações precisam de treinamento e devem ser feitas por uma equipe especializada”, orienta Osmar.

Fatores de risco

Se a criança possui anemia falciforme, hemofilia ou alguma má formação relacionada aos vasos sanguíneos, é bom ficar alerta. “Infelizmente, ela será uma candidata mais forte a sofrer o AVC”, diz o médico. De acordo com ele, também é recomendado manter hábitos saudáveis, como cuidar da alimentação, do peso e estimular a prática de exercícios físicos, principalmente se houver algum histórico na família.

Via: Revista Crescer