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Menino de 1 ano engole bateria e fica oito dias com o objeto no organismo

07/11/2019 às 14:57.

Quando uma criança engole um objeto, a vida dos pais se torna um “pesadelo”, já que a saúde do filho pode ficar muito comprometida. A santista Eduarda dos Santos de Souza, 29, passou por essa experiência com o pequeno Boaz, 1 ano e 6 meses. Cercado por seus brinquedos, o menino estava brincando no tapete, enquanto comia uma pera e de repente se engasgou.

A mãe conta que logo percebeu que o filho estava com ânsia e começou a vomitar. “Eu pensei que ele tinha engasgado com a fruta, que estava um pouco dura”, diz Eduarda. Sem conseguir fazer o filho melhorar, ela decidiu levá-lo a uma Unidade de Pronto Atendimento, em Guarujá (SP), cidade em que mora.

Segundo Eduarda, o médico de plantão não achou necessário fazer um raio-X e disse que a criança estava com uma inflamação na garganta, receitando um antibiótico. “Ela disse que se o meu filho não melhorasse nos primeiros dias, era normal, porque o remédio demora cinco dias para fazer efeito”, afirma a mãe.

Ao perceber que Boaz não parava de tossir, Eduarda achou melhor voltar ao hospital. Lá, recebeu um novo diagnóstico. O médico lhe disse que o menino estava com broncopneumonia e que ficaria em observação. O diagnóstico correto só veio após algumas horas.

Um novo médico examinou a criança e percebeu que havia um corpo estranho em seu organismo e pediu um raio-x, que comprovou sua suspeita. “No início, pensamos que ele tinha engolido uma moeda”, diz a mãe. Como na unidade de Guarujá não era possível fazer a endoscopia infantil, a criança foi transferida para a Santa Casa, em Santos.

De moeda à bateria

No hospital, fizeram os exames novamente, e descobriram que Boaz tinha na verdade engolido uma bateria, que ficou em seu corpo por oito dias. Após a endoscopia, os médicos conseguiram retirar o objeto. No entanto, o líquido corrosivo, que saiu da bateria, acabou abrindo uma abertura, fístula, entre o esôfago e a traqueia. Dessa forma, o filho de Eduarda não consegue ingerir nenhum tipo de alimento pela boca.

Para se alimentar, ele usa uma sonda em que só pode comer uma dieta específica. “Os médicos disseram que qualquer coisa que ele comesse pela boca iria parar em seu pulmão”, explica a mãe.

Eduarda diz que a primeira fístula já foi fechada. No entanto, como os tecidos de seu filho estão muito sensíveis, surgiu uma nova abertura. Para fechá-la, ele passou por uma cirurgia, mas já está em casa aguardando o resultado para saber se a fístula fechou.

Após seis meses de idas e vindas ao hospital, Boaz ainda terá que continuar seu tratamento. A mãe diz que ele passará em um otorrino e fonoaudiólogo para saber se terá problemas com as suas cordas vocais.

Meu filho engoliu um objeto, e agora? 

Mario Vieira, chefe do Serviço de Gastroenterologia e Endoscopia Digestiva Pediátrica do Hospital Pequeno Príncipe, diz que ao identificar que a criança engoliu um objeto é necessário levá-la urgente a um pediatra.

Segundo o especialista, os pais devem tomar cuidado, porque as crianças podem tanto aspirar quanto engolir os objetos. Se ela aspira, o item pode ir para as vias aéreas e obstruir o canal que leva o ar para o pulmão. Nesse caso, pode ocorrer asfixia e posteriormente a morte do bebê.

No caso da deglutição, há duas possibilidades. Se a o objeto é muito pequeno, ele é eliminado naturalmente. No entanto, no caso de uma bateria grande, por exemplo, ela pode parar no esôfago — órgão que leva o alimento para o estômago — e começar a perfurá-lo.

Como na situação de Boaz, o médico alerta para possível formação de uma fistula, que é uma abertura entre o esôfago e a traqueia. “Dependendo do paciente o esôfago pode ficar muito estreito e a alimentação da criança pela boca ficar comprometida por um bom tempo”, explica.

Para o especialista, é preciso focar na prevenção. “Levar objetos a boca é muito comum entre as crianças. Por isso, os pais devem ficar atentos se colocaram moedas ao alcance de seus filhos pequenos ou mesmo se os brinquedos estão regulados e se são para a idade de cada criança”, afirma.

Em nota, a unidade do PAM Guarujá fez o seguinte relato

A Secretaria de Saúde de Guarujá informa que a criança deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Doutor Matheus Santamaria, o PAM Rodoviária, no dia 2 de maio deste ano, com quadro de tosse. A mãe da criança não avisou à equipe da Unidade que o filho poderia ter ingerido algum objeto.

O médico que atendeu a criança seguiu o protocolo dando toda assistência ao paciente. Diante da negativa de qualquer relato por parte da responsável, sobre ingestão de corpo estranho, o médico realizou o exame físico, fez o diagnóstico, medicou e liberou a criança, conforme quadro de tosse. Uma semana depois, no dia 9 de maio, por volta das 21h30, a criança volta a dar entrada no PAM Rodoviária. Desta vez, a mãe relata um quadro de tosse acompanhado de vômitos, ainda sem qualquer informação

A partir daí, o médico fez um novo procedimento e pediu raio-x, identificando então, um corpo estranho. Imediatamente (dia 9), o médico solicita vaga zero (prioridade), ao Estado, por meio da Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (CROSS), cuja vaga foi liberada no dia seguinte (10), e a criança, encaminhada à Santa Casa de Santas para os devidos procedimentos.

Portanto, a Secretaria de Saúde de Guarujá destaca que todas as informações constam em relatório e que a criança recebeu todo o atendimento e assistência, necessárias, diante do quadro de saúde apresentado, através de uma equipe multidisciplinar capacitada e que seguiu a risca todo o protocolo.

Via: Revista Crescer