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Menino com doença rara consegue R$ 120 mil para realizar tratamento

13/12/2017 às 08:03.

Mãe comemora sucesso de campanha para tratar filho com doença rara: ‘Muito lindo tudo isso’

Com 100%, campanha ‘Avante Leãozinho’ juntou os R$ 120 mil necessários para tratar o menino João Vicente, de 5 anos.

João, o Leãozinho, entre a mãe e a avó: meta da campanha foi alcançada antes do prazo final (Foto: Arquivo pessoal)

João, o Leãozinho, entre a mãe e a avó: meta da campanha foi alcançada antes do prazo final (Foto: Arquivo pessoal)

Em menos de dois meses, a campanha “Avante Leãozinho”, criada para arrecadar recursos e pagar o tratamento de saúde de um menino de Porto Alegre, alcançou a meta, antes do prazo final, que era sexta-feira (15). E até ultrapassou o objetivo!

João Vicente, hoje com 5 anos, diagnosticado com a Síndrome Hemolítica Urêmica atípica (SHUa) ainda bebê, lida com as consequências da doença e as sequelas de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). A mãe comemora o sucesso da ação virtual, que dá esperança de uma vida melhor ao filho.

“Eu dizia que acreditava, mas era mais para me encorajar que daria certo, sabe? Realmente achei que dessa vez não ia dar, porque não é a primeira campanha, afinal de contas. Mas deu. É muito lindo tudo isso”, emociona-se Laura Patrón, de 28 anos.

João é chamado Leãozinho desde bebê, e o apelido batizou também a campanha. Após a confirmação da doença e o AVC sofrido, em 2013, o menino não tinha mais forças para caminhar e mal falava. Perdeu habilidades básicas da vida.

No ano passado, um tratamento chileno conhecido como Cuevas Medek, realizado em Curitiba (PR), também foi pago através de doações. Desde então, mês a mês, menino foi submetido a uma série de sessões intensivas de fisioterapia. Foi o tratamento que possibilitou que ele conseguisse sentar sozinho pela primeira vez na vida.

Agora, com orientação dos médicos que acompanham a rotina de João, ele passa por um procedimento chamado Terapia Magnética Transcraniana (TMS), em que se usa ondas eletromagnéticas para estimular determinadas partes do cérebro. A vaquinha online arrecadou os R$ 120 mil necessários para custeá-lo – até ultrapassou os 100%, já que está pendente o valor de alguns boletos já gerados.

“O resultado me dá a sensação de que estamos no caminho certo. Mas nada disso teria acontecido se a gente não tivesse colocado a cara na rua, pedido ajuda. E hoje vejo que as pessoas têm muito amor pelo João. A quantidade de amor que ele recebe me impressiona muito”, comenta Laura.

No pacote, foi incluído um ano de tratamento em São Paulo e ainda manter as idas a Curitiba. Ao todo, são 24 viagens de avião para as duas capitais, uma vez ao mês. O valor prevê ainda dois procedimentos de aplicação de botox em áreas específicas do corpo de João.

Além do dinheiro arrecadado, Laura e João têm mais motivos pra comemorar: o menino vai para a primeira série no ano que vem.

“A gente nunca esperou que ele seria capaz de fazer isso em tempo regular. É uma grande vitória”, afirma a mãe. Avante!

Menino tem doença rara e mãe busca tratamento para estimular o cerébro da criança (Foto: Giselle Sauer/Divulgação)

Menino tem doença rara e mãe busca tratamento para estimular o cerébro da criança (Foto: Giselle Sauer/Divulgação)

A história de João, o Leãozinho

João nasceu em fevereiro de 2012. Tudo seguiu normalmente até outubro do ano seguinte. Uma diarreia ininterrupta acendeu o sinal de alerta para a família. João não estava com gastroenterite, como o médico da emergência havia, erroneamente, constatado.

O menino ficou internado no hospital por 71 dias, parte deles na UTI. O diagnóstico confirmou: era Síndrome Hemolítica Urêmica atípica (SHUa).

A doença, de causa genética, é provocada por uma deficiência do sistema de defesas do organismo, que provoca a destruição dos glóbulos vermelhos do sangue. O resultado é uma hemorragia.

O entupimento das veias e vasos sanguíneos fez parar o rim de João. Em seguida, provocou problemas no coração e no pulmão da criança. Logo, João teve um AVC.

Desde então, o menino encara uma rotina frequente que inclui sessões de fisioterapia, fonoaudiologia, hidroterapia, equoterapia, musicoterapia e terapia ocupacional.

No ano passado, ele iniciou o tratamento com o método chileno Cuevas Medek, que é pouco comum no Brasil, que prevê baterias intensivas de fisioterapia, e pretende continuar com ele junto a Terapia Magnética Transcraniana (TMS), técnica que já foi testada em pacientes com depressão.

“As respostas dele [ao tratamento] já me assombraram. Percebo que o João já consegue ficar de pé com flexibilidade. Ele responde mais rápido aos estímulos. Antes, alguém dava ‘oi’ e ele tinha um delay, sabe? Agora não, isso já está mudando”, conta a mãe.

Via: G1