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Medo do coronavírus: família é expulsa de voo por tosse de bebê

02/03/2020 às 09:00.

Caso aconteceu em um voo da Air Transat (Foto: PA)

 

Uma família foi convidada a se retirar de um avião pouco antes da decolagem porque seu bebê começou a tossir. O canadense Emmanuel Faug e sua esposa Clémentine Ferraton, chegaram a embarcar com os três filhos em um vôo da cidade de Quebec, no Canadá, para Paris, na França, no último domingo (23). No entanto, outros passageiros teriam questionado à tripulação da Air Transat sobre a tosse da caçula de 21 meses. Segundo a Ouest-France, outras pessoas a bordo começaram a levantar a hipótese de que a garotinha poderia estar infectada com o coronavírus.

Um membro da equipe, então, aproximou-se da família e perguntou se a mãe poderia fornecer um documento médico comprovando que a filha não tinha uma doença contagiosa. Ela conta que garantiu à tripulação que não havia riscos para viajar e disse que o pediatra afirmou, mais cedo, que a menina estava apenas resfriada. Um comissário de bordo também teria solicitado a um médico que estava no avião para examinar a menina e ele teria confirmado que ela estava bem para voar. No entanto, o capitão não ficou satisfeito com o diagnóstico e entrou em contato com a Medlink, uma empresa especializada em questões médicas na aviação. Mas ele foi orientado a retirar a família do voo.

Um porta-voz da Air Transat disse: “Depois de analisar a situação, o MedLink determinou que a condição médica do passageiro representava um risco potencial significativo para os passageiros e a tripulação durante o voo. Eles [MedLink] seguem as recomendações da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) e da Organização Internacional de Aviação Civil (ICAO) sobre doenças contagiosas”. “O único caso em que um passageiro, mostrando sinais óbvios de uma doença contagiosa, poderia ser aceito a bordo, seria quando este fornecer a documentação apropriada, preenchida por um médico qualificado”, afirmou a Air Transat. A companhia aérea revelou que já entrou em contato com a família e reembolsará suas passagens.

“Fomos expulsos de um avião e as opiniões de dois médicos, um pessoalmente, não foram levadas em consideração. Não acho isso normal. Em nenhum momento eu pensei que estava colocando as pessoas em perigo ao levar minha filha para um avião. Acho que isso é um exagero. Por que eles não confiam nos dois médicos que viram minha filha pessoalmente e consideraram sua condição boa? Por que eles estão questionando nossa capacidade como pais de avaliar o estado de nosso filho?”, questionou a mãe, inconformada. O pai disse à TVA Nouvelles que o capitão mencionou várias vezes que as preocupações estavam relacionadas ao “contexto atual”. Portanto, ele acredita que estava se referindo ao surto de COVID-19. “Acho que vem daí o medo. Eu posso entender isso de certa forma, mas achei um pouco excessivo”, disse.

Via: Revista Crescer