Maternidades restringem visitas aos recém-nascidos em meio à pandemia de coronavírus

19/03/2020 às 09:46.

Mãe com recém-nascido no colo (Foto: Getty Images)

Como os casos de coronavírus aumentando em todo o país, os hospitais estão restringindo visitas para proteger a saúde das mães e do bebê, além das próprias pessoas que vão visitá-los. Uma avó que vai a ala da maternidade ver o neto, por exemplo, pode se colocar em risco, além de colocar em risco outras pessoas.

Em São Paulo, que já tem transmissão comunitária do vírus, ou seja, não se sabe mais quem está contaminando quem, dois hospitais já fizeram o bloqueio de visitas na maternidade. O Hospital Albert Einsten, que inclusive foi o primeiro a registrar o primeiro paciente com coronavírus, restringiu a visita apenas para um acompanhante. Em comunicado, eles disseram: “O Einstein recomenda a permanência do bebê no quarto com a mãe e visitação ou acompanhamento exclusivo do/da cônjuge.”

Lá, os bebês da UTI Neonatal poderão receber visitas exclusivamente dos pais. “Pacientes da UTI Neonatal poderão receber visitas exclusivamente dos pais. Demais pacientes pediátricos, UTI Pediátrica e Pediatria, será permitida a permanência de um dos responsáveis e a visita não simultânea do outro responsável”, diz comunicado.

Os acompanhantes também deverão ultizar máscara, avental e luvas, conforme oritentação da equipe e aderir integralmente à rotina de higienização das mãos. Segundo eles, a rotatividade de acompanhantes é totalmente indesejada, sendo recomendada a permanência do parceiro em períodos de ao menos 12 horas.

O Hospital Amparo Maternal (HAM), também na capital paulista, informou que desde o dia 14 de março, conforme recomendação de distanciamento social proposta pela Organização Mundial da Saúde como forma de prevenção ao Covid-19, suspendeu a visitação em todas as dependências da maternidade. Quanto ao acompanhante às gestantes e parturientes, são permitidas apenas parceiros ou acompanhante sem qualquer sintoma como tosse, coriza ou febre.

O HAM adotou, ainda, um termo de responsabilidade que as gestantes e seus acompanhantes devem assinar no momento da internação, dizendo que foram informados e se comprometem a seguir essas medidas, que valem por tempo indeterminado. “A nossa prioridade nesse momento é preservar a saúde e a segurança dos pacientes, seus familiares e toda a comunidade”, diz o comunicado.

Maternidade no mundo

Alguns maternidades no mundo também limitaram as visitas. O Royal Australian e o Colégio de Obstetras e Ginecologistas da Nova Zelândia (RANZCOG) emitiu uma diretriz devido à pandemia do coronavírus.

Além de reduzir, adiar ou aumentar o intervalo entre as visitas pré-natais e limitar as visitas pré-natais de rotina a menos de 15 minutos, a RANZCOG também recomendou o fechamento do acesso às unidades hospitalares e maternidades aos visitantes (excluindo os parceiros).

Em um post no Instagram, o Hospital Particular Mater, no norte de Sydney, disse aos pacientes que, embora os parceiros sejam bem-vindos, outros membros da família e amigos não podem visitar. Os tours de pessoas para conhecerem a maternidade também foram cancelados.

Enquanto isso, o Royal Women’s Hospital, em Melbourne, aconselhou as pacientes a “reduzirem ao máximo o número de visitantes”. “Lembramos que eles também não devem visitar, caso não estejam bem”, observam.

Embora a maioria dos pais e futuros pais apoiem a mudança, alguns disseram sentir-se “de coração partido” e preocupados com a logística de visitas. “Entendo completamente isso, realmente entendo”, escreveu uma mãe no Instagram. “No entanto, meu filho deve chegar em oito semanas de cesariana e, portanto, terei que ficar por quatro noites no hospital. Será angustiante não poder ver meu filho mais velho por esse período. Isso também fará com que meu marido não consiga passar muito tempo comigo no hospital porque vai precisar cuidar dele em casa”, disse outra mãe.

E as doulas?

Com a restrição das maternidades, estas profissionais que geralmente auxiliam às famílias podem ter dificuldades de entrar nos hospitais. O Einsten disse que só parceiro está liberado para entrar na sala de parto. “A restrição vale tanto para o trabalho de parto, como após o nascimento do bebê”, segundo o comunicado.

Ja o HAM disse que caso a paciente tenha planejado o acompanhamento do parto por uma doula particular, sua liberação será analisada individualmente. “O Bazar do Amparo Maternal, o curso para casais grávidos e o serviço de doulas voluntárias também estão suspensos.”

O Einsten disse que está encorajado as pacientes a manterem contato de formas virtuais, por Skype, WhatsApp, link ou outras modalidades.

Via: Revista Crescer