Marília Mendonça brinca com apelido e fala sobre preconceito: ‘Sofri muito’

08/02/2018 às 08:23.

Rainha da Sofrência conversou com a equipe do G1 antes de show em Praia Grande, no litoral de SP.

Show de Marília Mendonça em Praia Grande (Foto: Divulgação/Prefeitura de Paia Grande)

Show de Marília Mendonça em Praia Grande (Foto: Divulgação/Prefeitura de Paia Grande)

Conhecida como ‘Rainha da Sofrência’, Marília Mendonça é uma das responsáveis pela mudança do ‘status’ da mulher dentro da música sertaneja. Com apenas 22 anos, ela mostrou maturidade ao conversar com o G1 em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Simpática e dona de uma personalidade forte, ela falou que é e sempre foi alvo de diversos tipos de preconceito. Marília também contou o que mudou em sua vida com a fama, as parcerias no mundo da música e admitiu que adora ser chamada de ‘Rainha da Sofrência’.

A carreira de Marilia começou aos 12 anos, como compositora. Suas músicas fizeram sucesso na voz de outros artistas, como Henrique & Juliano (‘Cuida Bem Dela’ e ‘Até Você Voltar’) e Cristiano Araújo (‘É com ela que eu estou’). Em 2015, ela se lançou como cantora e estourou nacionalmente com os hits ‘Sentimento Louco’ e ‘Infiel’.

Com um ano de carreira, ela conquistou o posto de uma das artistas brasileiras mais ouvidas no Youtube. Ao lado das irmãs Maiara e Maraisa, ela se tornou uma das pioneiras do feminejo, que marcou a volta das mulheres ao topo das paradas sertanejas.

Marília Mendonça falou com o G1 durante antes de um show em Praia Grande (Foto: João Amaro/G1)

Marília Mendonça falou com o G1 durante antes de um show em Praia Grande (Foto: João Amaro/G1)

Confira a entrevista completa:

G1 – Você começou como compositora. Agora, de uns anos para cá, conseguiu atingir o sucesso como cantora também. O que mudou na sua vida?
Marilia Mendonça: É completamente diferente. Tem os prós e os contras também. Os prós é que é muito legal você poder interpretar uma música que você fez, que você conhece a história, que você já viu acontecer. Ninguém interpreta melhor sua música que o próprio compositor, a pessoa que escreveu a música. Tem também aquela coisa da liberdade, que a gente não tem mais. Eu sempre fui uma pessoa muito expressiva, não deixei de ser assim. Só tem algumas coisas que a gente tem que ter mais cuidado para falar. É muito legal isso, saber que uma coisa que eu amo tanto, que é a composição, me trouxe para esse lugar. Eu agradeço demais, 90% à composição, que ela me deu a base que eu tenho para ser a cantora Marília Mendonça que eu sou hoje.

G1 – Como essa ascensão, sofreu algum tipo de preconceito?
Marília Mendonça: Todo mundo sabe que eu sofri bastante e preconceito por várias coisas. Nessa nova geração, fui uma das primeiras mulheres a apresentar um trabalho bastante polêmico, que fala bastante verdade, que fala assuntos que a galera tem medo de falar, tem medo de ouvir, como a música ‘Sentimento Louco’, que fala de uma mulher que se envolveu com um homem casado. A música Infiel também. É um tabu que estamos quebrando, falar de traição, que é uma coisa muito difícil, ainda mais vindo de uma mulher.

Sobre padrões, sofri muito preconceito, muito, de verdade. Sobre o meu jeito de ser, meu jeito de conversar, meu jeito de me comportar. Mas, isso nunca me abalou. O tanto de gente que praticou esse preconceito, tanto de gente que me odeia não é proporcional ao tanto de gente que me ama, porque é muito maior o número. Eu sigo pensando e focando sempre nas pessoas que amam o meu trabalho, fazendo por eles.

Marilia Mendonça durante entrevista para o G1, em Praia Grande (Foto: João Amaro/G1)

Marilia Mendonça durante entrevista para o G1, em Praia Grande (Foto: João Amaro/G1)

G1 – Você faz parcerias com cantores que você é fã também. Quais as mais especiais?
Marília Mendonça: Uma das mais especiais é a que eu gravei agora com Bruno e Marrone, que é ‘Transplante’. Um trabalho meu, uma música que eu escolhi. Eu mandei para eles, eles me acolheram de forma maravilhosa. A parceria com o Trio Parada Dura foi maravilhosa também. Com Zézé di Camargo e Luciano, que era um sonho, foi o sonho da minha vida realizado. É a dupla que eu sou mais fã. No dia que eu fui gravar com ele, eu chorei, dei trabalho para gravar, tive que ficar voltando o tempo inteiro. Sou muito fã de verdade de toda a trajetória que eles tem. Eu sou uma pessoa que sou fã de todas as pessoas que eu faço parceria. Se a gente não for fã da pessoa, fica uma coisa muito vazia, sem sentido, não representa a verdade que eu quero representar para todos até o fim da minha carreira.

G1: Você é considerada a Rainha da Sofrência. Gosta desse rótulo?
Marilia Mendonça: Eu acho legal, desde que saiu esse termo, há um tempo, assim que eu comecei a cantar. Eu falo para todo mundo que sofrência para mim é sinônimo de verdade. A gente sofre muito, a maioria do brasileiro já passou por um momento de sofrência, às vezes, não demonstra, tampa os olhos, não quer ver que não está dando certo aquele relacionamento. Na vida da gente, nem tudo são flores. Se fosse, era bom demais. A gente cantava musiquinha feliz, animada, de relacionamento que deu certo. Eu canto a verdade para a galera.

G1 – E quando você faz shows no litoral, como em Praia Grande, por exemplo. É um show diferente? Como se prepara?
Marília Mendonça: Nosso show é completamente diferente do que as pessoas assistem no DVD. É um show bastante pra cima. Mesmo tendo músicas românticas, a gente tem música animada também, música para quem está solteiro, tem funk, tem um monte de coisa. É bem mesclado mesmo. É aquela coisa de, agora quero chorar, agora quero pular, tem para todo mundo.

Marília Mendonça fez show em Praia Grande (Foto: Divulgação/Prefeitura de Praia Grande)

Marília Mendonça fez show em Praia Grande (Foto: Divulgação/Prefeitura de Praia Grande)

Via: G1