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Mães solo: Com rotina marcada por preconceito, mulheres driblam dificuldades para cuidar dos filhos e cuidar da casa

13/05/2019 às 08:16.
Giliane Vidal é mãe de Sophia Vidal Lima, 1 ano e 9 meses. — Foto: Arquivo Pessoal

Giliane Vidal é mãe de Sophia Vidal Lima, 1 ano e 9 meses. — Foto: Arquivo Pessoal

Ao chegar em casa, várias mulheres têm a missão de deixar do lado de fora alguns obstáculos diários para encararem sozinhas outra parte da rotina: a administração do lar e a educação dos filhos. Nessa semana do Dia das Mães, o G1 entrevistou três baianas que dividiram em forma de depoimento a experiência marcada por preconceitos e desafios.

Além de morarem em Salvador, Elaine Góes, 31 anos, Giliane Vidal dos Santos, 29 anos, e Marcela Guanais, 37 anos, guardam em comum o perfil de serem “mães solo”. Elas contam que no começo da jornada foi muito complicado.

“É muito difícil. Saí da casa de meus pais, onde meu pai era o chefe. Morei com meu antigo companheiro, onde ele era o chefe da casa . Você se pega sozinha para ter essas responsabilidades e ainda mais com uma bebê”, disse Giliane, mãe de Sophia Vidal Lima, 1 ano e 9 meses.

Na Bahia, várias mulheres vivem nessa situação. Conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 29,1% dos lares são chefiados por uma mulher. É o caso de Elaine, que passou a vivenciar essa realidade depois que separou do ex-companheiro.

“Depois que meu filho nasceu, eu ainda permaneci no relacionamento, com o pensamento que não queria deixar meu filho longe do pai. Mas, finalmente tomei coragem e me separei. [Fui morar sozinha]”, contou a mulher, mãe de Lucas Góes, 5 anos.

Preconceito

Marcella Falcão Guanais é mãe de Maria Clara Falcão, de 5 anos. — Foto: Arquivo Pessoal

Marcella Falcão Guanais é mãe de Maria Clara Falcão, de 5 anos. — Foto: Arquivo Pessoal

“É uma pressão surreal ser mãe solo”. Essa afirmação é de Marcela, mãe de Maria Clara Falcão, 5 anos. De acordo com ela, além das dificuldades naturais de criar uma criança sozinha e conciliar isso com o trabalho, diversas mães sofrem várias formas de preconceito todos os dias.

“Sempre que acontece algo, as pessoas comentam que é porque a criança não tem pai presente. Você precisa ver a cara de algumas pessoas quando digo que troco botijão de água, lâmpadas. Às vezes tenho medo de que minha filha sofra algum tipo de preconceito por ser filha de mãe solo”, relatou.

Algumas encaram isso bem de perto, na própria família.

“Minha família tem vergonha disso, minha mãe não fala sobre isso com as amigas pois sente vergonha em dizer que a filha cria o neto sozinha, eu sempre digo a ela que isso não é vergonha e sim motivo de orgulho”, contou Elaine.

Giliane conta que é comum as pessoas questionarem sobre a qualidade da educação que ela oferece à filha.

“A sociedade é muito padronizada e metódica. Tem preconceito quando se tem uma mãe solteira. Muitos comentários tipo: ‘Como você faz a segurança de sua casa? ‘ Como vai conseguir educar sua filha?’”, disse Giliane.

Rotina

Conforme um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base nos dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, as mulheres trabalham, em média, 7,5 horas a mais que os homens por semana.

“Normalmente passamos muito tempo no trabalho, mais do que ao lado do nosso filho. Ainda mais quando não se tem a ajuda de um companheiro”, disse Giliane.

Mesmo com a agenda corrida, elas contam que tiram um tempinho para ter qualidade na relação com os filhos.

“De manhã faço questão de dar café e levar Clarinha para a escola. Depois, me divido no trabalho e, sempre que posso, vou almoçar com a minha filha na escola. [Quando saio do trabalho] vou na escola buscar ela. Quando chego é hora de brincar um pouco, assistir algo, dar o café e depois colocar para dormir”, afirmou.

Vida pessoal

No começo da jornada como mãe solo, Giliane conta que já se acostumou em estar só, mas confessa que sente falta de um tempo para cuidar de si mesma.

“Após a experiência de ser mãe solo, ter a companhia de alguém na minha vida mudaria pouca coisa, pois aprendi a me virar só. A única coisa que mudaria era voltar a me olhar mais e me permitir ser amada porque depois de ter filho a gente se esquece”, disse.

Por outro lado, Marcela conta que é fundamental o cuidado diário e que, apesar do sofrimento de ter que deixar a filha com alguém ou com a família, vem cuidando de si.

“Antes eu não tinha vida social. Me sentia culpada em sair e deixar ela em casa. Mas hoje consigo administrar melhor isso. Entendo que é importante eu ter uma vida também, para minha diversão, mesmo com dor no coração. Saio ao menos uma vez na semana. Minha rotina é intensa, fico cansada, mas às vezes me obrigo a ter um prazer. Entendi que preciso disso”, afirmou Marcela.

Recompensa

Elaine Góes tenho 31 anos e é mãe de Lucas Góes, de 5 anos. — Foto: Arquivo Pessoal

Elaine Góes tenho 31 anos e é mãe de Lucas Góes, de 5 anos. — Foto: Arquivo Pessoal

No meio de tantas dificuldades, de uma rotina marcada por preconceitos, Elaine conta que é motivo de orgulho vivenciar a vida que tem. A educação dos filhos se torna especial a cada retorno deles.

Via: G1