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Mãe relata racismo contra filha em hotel de luxo em SP

27/09/2018 às 12:54.

Ava, 4 anos, filha da empresária e pedagoga Maria Klien Machado, 40 anos, foi vítima de racismo no Hotel Fasano Boa Vista (SP), no domingo dia 23 de setembro. Ela foi adotada no Malawi por Maria e seu marido, o empresário e educador Arthur Pinheiro Machado, 42 anos, em fevereiro deste ano.

A mãe contou, em entrevista, que a menina passava um final de semana no hotel com a babá e amiga, Luzinete Leandro, 41 anos, também negra, mãe de Sara, 9 anos. Luzinete estava com Ava na piscina quando percebeu que ela estava sendo rejeitada por algumas crianças brancas.

A família completa: Maria com o marido e as filhas (Foto: Reprodução Instagram)

Uma delas disse: “Você não está vendo que eu estou aqui?”, e se afastou. Luzinete na hora detectou que a menina estava sendo vítima de racismo e pediu para que a menina se retirasse da piscina em voz alta para que os pais das crianças ouvissem. Mas, em vez de repreenderem o comportamento das crianças, os pais passaram a insinuar que Ava tinha “micose” ou alguma outra “doença contagiosa” e se referiram a ela como “esse tipo de gente”.

 

Ava com Titi, filha de Giovanna Ewbank, e um amigo (Foto: Reprodução Instagram)

Transtornada, Luzinete pegou a menina no colo, beijou e a abraçou e continuou lá na piscina. Pouco tempo depois, as mulheres retiraram seus filhos do local e saíram de perto.

Na hora Luzinete nem lembrou de fazer boletim de ocorrência, mas contou para a mãe da menina o ocorrido. Maria usou as redes sociais em resposta ao racismo sofrido pela sua filha. Leia o texto na íntegra:

Minha indignação não se resume a uma violência, a uma maldade, a uma perversidade direcionada a minha filha e a minha família. É uma maldade, crueldade direcionada a minha Ava e minha amiga Luzinete, mãe da linda Sara. Isso mostra a humilhação, da mensagem tácita e explícita que diz que há lugares reservados para uns e não para outros, mesmo que simbólicos, que uns são saudaveis outros degenerados, uns podem bater outros tem direito a apanhar, que somos todos iguais mas bem diferentes. Que mazelas a cor pode nos passar? Que mazelas tem uma cor para que saiam correndo com medo de ser contaminados? Tinham medo de que? De se contaminar de amor? De se contaminar de alegria? De paz? O que incomoda tanto? E que sociedade que vivemos que além de pensar, que além de sentir, permite, sem vergonha alguma, como se legítimo fosse, expressar a
Exclusão, o rótulo, a Eugénia, a crueldade….

Tenho vergonha e tristeza do que construímos, de termos pessoas capazes de atacar não somente uma simples criança mas também uma outra cidadã brasileira,
Como se dela esperasse silencio obrigatório, como se ela também pouco existisse, e pior,
Tão cruel é nossa sociedade que ela se acostumou, acha que tem de viver com isso, não só com a maldade e com a humilhação mas também com seus efeitos pois nossa sociedade é incapaz de defendê-la e reconhecê-la como cidadã. Me sinto culpado por não estar lá para defender a Ava, e também por não defender a LU. Me sinto culpado por Expo -las a esse tipo de gente….

Racismo não é clichê, não é pauta para política, não é conceito abstrato. É uma dor real e concreta que vivemos no dia a dia. Vamos lutar contra isso, todo dia, toda hora, pela Ava, pela Lu e por todos que sentem essa humilhação diariamente. Compartilhem para que possamos ver a gravidade do racismo.”

Ava, 4 anos (Foto: Reprodução Instagram)