Mãe recebe bilhete em restaurante: “Você é uma péssima mãe”

04/06/2018 às 09:07. Comente esta notícia!

Fernanda Monteiro é advogada e estudante de psicologia, mãe de Dhiogo, 14 anos, e Enrico, 6, mora em São Paulo, no bairro da Vila Leopoldina, e passou por uma experiência desagradável. Ela estava em um restaurante com seu marido, Caio, e seu filho mais novo, que estava dormindo nas cadeiras, enquanto o casal jantava e conversava. No meio disso, uma mulher deixou um bilhete em sua mesa com a mensagem “Você é uma péssima mãe”.

Foto: Reprodução/Facebook

Fernanda conta que tudo aconteceu muito rápido “Quando me dei conta, tinha um bilhete em minha frente e a mulher saiu rapidamente do local”. Sem entender, a advogada ficou nervosa. “Na verdade não sei o que pegou para ela e o que a motivou para escrever isso. Não sei se foi o tablet ou a questão do meu filho não ter jantado, já que ele tinha comido em casa, ou se foi porque ele estava dormindo nas cadeiras.”, diz a mãe

 De acordo com seu relato o que mais impactou Fernanda não foi o sentimento de culpa que a mulher tentou estimular nela, mas, sim, o julgamento do papel de mãe. “Achei péssimo não apenas pelo bilhete, mas por que veio direcionado somente para mim? Por que eu sou a péssima? Os dois (pai e mãe) têm a função de criar, certo?”. E ainda diz mais, “Meu marido concorda comigo e na hora tentou me acalmar. Mas isso estragou o meu jantar, fiquei nervosa. Não tem como fingir que não é com você. Com certeza isso não irá refletir no processo para eu me sentir culpada”, explica.

Veja o desabafo na íntegra publicado em sua rede social:

“Hoje saí pra jantar com meu marido e meu filho caçula. Restaurante do lado de casa, fomos a pé. Eram 20:00 quando meu marido chegou do trabalho, momento em que meu filho estaria se preparando pra dormir, pois já tinha brincado, jantado, tomado banho…enfim, só que eu tive a “ousadia” de sair pra jantar com meu marido e uma criança com sono. Levamos um tablet, que não surtiu muito efeito pois meu filho logo dormiu em 3 cadeiras que ajeitei ao meu lado pra ele. Uma senhora loira, que jantava sozinha, ao sair, me deixou esse recadinho agressivo que vocês leem na imagem: “Você é uma péssima mãe”. Graças aos céus a vítima dela fui eu, porque ela mal me conhece, então não sabe de todo o sacrifício que fiz durante minha vida para ser a tal “boa mãe”, quantos sonhos não abdiquei pra ser a “boa mãe”. Culpa não é meu problema. Sabe o que pegou? Ela escreveu que eu sou uma péssima mãe…e meu marido? Ele não tem nada a ver com isso? Não estou aqui pra defender posturas feministas. Mas não é estranho que não esteja escrito: “Vocês são péssimos pais”? Porque cargas d’água só eu sou a responsável por deixar uma pobre criança indefesa, feita de porcelana, dormir na cadeira do restaurante? Que “mãe” é essa que a sociedade espera das mulheres? Talvez seja a mesma mãe que faz duplas e triplas jornadas e ainda assim nunca está bom…a mãe que abdica da carreira profissional, a mãe que não tem tempo hábil pra incrementar sua renda, a mãe que apanha calada dentro de casa…a mãe, a virgem, a pura, a santa. Pessoal, são por esses atos que mantemos um modo de ser que tá enlouquecendo homens e mulheres. Estamos esgotados, cansados, deprimidos. É muita maldade julgar a vida alheia. É muita maldade menosprezar os homens enquanto pais – acredito que meu marido e tantos outros são tão responsáveis quanto eu na criação dos nossos filhos – e se orgulham disso. É muita maldade idealizar a maternidade baseada em matérias de Facebook, matérias baseadas em ideais de vida incompatíveis com a de seres humanos comuns como eu e vocês que estão lendo este post. Desabafei…não costumo fazer isso, aliás mal visito o Facebook, mas senti que precisava compartilhar essa ignorância, essa violência que sofri, porque não estou sozinha – somos inúmeras as mulheres vítimas de outras mulheres que nos puxam de volta à um passado de submissão.”