Mãe iemenita recebe autorização para visitar filho que está morrendo nos EUA

20/12/2018 às 08:34.

A iemenita Shaima Swileh pode ter a chance de dar um último beijo em seu filho antes que ele morra. Ela venceu uma disputa judicial contra um veto do governo Trump e obteve autorização para voar até a Califórnia, onde o menino de 2 anos está ligado a uma máquina que o mantém vivo.

Foto: Council on American-Islamic Relations via AP

O Departamento de Estado dos EUA concedeu a Swileh a autorização na terça-feira (18), depois que advogados do Conselho de Relações Americano-Islâmicas entraram com um processo nesta semana, encerrando uma batalha de um ano da família. Swileh planeja voar para San Francisco ainda nesta quarta-feira para ver Abdullah no Hospital Infantil UCSF Benioff, em Oakland.

“Isso nos permitirá viver o luto com dignidade”, disse o pai do menino, Ali Hassan, em uma declaração fornecida pela seção de Sacramento do Conselho de Relações Americano-Islâmicas.

Hassan, que é cidadão dos EUA e vive em Stockton, trouxe Abdullah para a Califórnia no outono para receber tratamento para um distúrbio genético cerebral.

“Minha mulher está me ligando todos os dias, querendo beijar e abraçar o filho pela última vez”, disse Hassan, com a voz embargada ao fazer um apelo público em uma entrevista coletiva na segunda-feira, um dia antes de o governo conceder o visto.

O casal se mudou para o Egito depois de se casar no Iêmen em 2016 e estava tentando obter um visto para Swileh desde 2017, para que todos pudessem se mudar para a Califórnia. Cidadãos do Iêmen e de outros quatro países majoritariamente muçulmanos, junto com a Coreia do Norte e a Venezuela, estão impedidos de ir aos Estados Unidos sob uma proibição de viagens promulgada pelo presidente Donald Trump.

Quando a saúde do menino piorou, o pai decidiu ir para a Califórnia em outubro para buscar ajuda.

Foto recente, mas não datada, mostra Ali Hassan ao lado do filho, Abdullah, em hospital em Sacramento, na Califórnia — Foto: Council on American-Islamic Relations via AP

Foto recente, mas não datada, mostra Ali Hassan ao lado do filho, Abdullah, em hospital em Sacramento, na Califórnia — Foto: Council on American-Islamic Relations via AP

Enquanto Swileh e seu marido lutavam por uma autorização, os médicos colocaram Abdullah em suporte vital.

“Estou enviando e-mails para eles, chorando e dizendo que meu filho está morrendo”, disse Hassan em entrevista ao jornal “The Sacramento Bee”.

Depois de obter respostas eletrônicas, Hassan começou a perder a esperança e estava pensando em tirar seu filho do suporte vital para acabar com seu sofrimento. Mas um assistente social do hospital entrou em contato com o conselho, que deu entrada no processo na segunda-feira, disse Basim Elkarra, do Conselho de Relações Americano-Islâmicas em Sacramento.

Swileh perdeu meses com seu filho por causa de atrasos desnecessários e burocracia, disse Elkarra.

O porta-voz do Departamento de Estado, Robert Palladino, disse que se trata de “um caso muito triste, e nossos pensamentos vão para essa família neste momento difícil”.

Ele disse que não poderia comentar sobre a situação da família, mas que, em geral, os casos são tratados individualmente, e as autoridades dos EUA tentam facilitar viagens legítimas para os Estados Unidos, protegendo a segurança nacional.

“Essas não são questões fáceis”, disse. “Temos muitos agentes destacados em todo o mundo que tomam essas decisões diariamente e estão tentando arduamente fazer a coisa certa o tempo todo.”

Os advogados de imigração estimam que dezenas de milhares de pessoas foram afetadas pelo que eles chamam de negativas gerais de visto causadas pela proibição de viagem de Trump, que a Suprema Corte dos EUA confirmou por 5 votos a 4 em junho.

A cláusula de renúncia permite uma isenção caso a caso para pessoas que possam comprovar que sua entrada nos EUA é de interesse nacional, necessária para evitar dificuldades indevidas e não representa um risco de segurança.

Mas um processo aberto em São Francisco diz que a administração não está honrando a cláusula de renúncia. Os 36 demandantes incluem pessoas que tiveram pedidos de renúncia negados ou paralisados apesar de condições médicas crônicas, separação familiar prolongada ou interesses comerciais significativos.

“Esperamos que este caso faça com que a administração perceba que o processo de renúncia não está funcionando”, disse Elkarra. “Milhares de famílias foram separadas, incluindo famílias que têm entes queridos doentes e que não conseguem vê-los nas horas finais. Tenho certeza de que há mais casos como esse. ”

Além da renúncia, o governo deu a Swileh um visto que lhe permitirá permanecer nos Estados Unidos com o marido e iniciar um caminho para a cidadania americana, disse Elkarra.