Mãe descobre gaze esquecida dentro dela depois do parto, confira tudo sobre o caso

31/08/2018 às 12:32. Comente esta notícia!

No começo deste mês de agosto, Sabrina Gonçalves teve a vida transformada pela chegada conturbada de sua primeira filha, Maitê. Ela optou, a princípio, pelo parto normal, mas teria sido abandonada pelo obstetra de plantão no Hospital Austa, em São José do Rio Preto (SP), e acabou tendo a filha em meio ao setor de emergência. A denúncia de violência obstétrica foi feita pela irmã, Gabriela Gonçalves, no Facebook.

Na postagem, ela afirma que, quando chegou ao hospital, já em trabalho de parto avançado, Sabrina teria sido isolada em uma sala sem acompanhante por três horas, até a chegada do ginecologista-obstetra de plantão. Quando o profissional finalmente entrou, ele teria perguntado qual seria o “tipo” de parto. “Minha irmã lhe disse que era um sonho o parto normal, mas que as dores estavam muito fortes e perguntou se poderia mudar de ideia caso não aguentasse… Ele respondeu que se optasse pela cesárea, a cirurgia aconteceria imediatamente e disse também que, caso contrário, aguardaria no carro. Se ela precisasse, era para solicitar que o chamasse”, escreveu.

Vinte e cinco minutos após essa conversa, Sabrina teria mudado de ideia e pedido para chamá-lo. Diante de sua dor, os enfermeiros avisaram que não havia o que fazer, só esperar. “Ela andava de um lado para o outro sozinha, sangrando, perdendo líquido e nada do médico  aparecer. Passou uma hora nesta situação até que deixassem seu marido entrar. Ele pedia ajuda e todos se negavam. Diziam  que era normal e que o médico estava chegando”, conta Gabriela.

Quem descobriu que a bebê já estava nascendo foi a própria Gabriela, que ao espiar o que estava acontecendo, viu que a cabecinha da sobrinha já estava para fora. Maitê nasceu ali mesmo, na sala de emergência, sem nenhuma higienização, pelas mãos da pediatra de plantão. Quando o obstetra finalmente chegou, mais de duas horas depois de ter sido solicitado, Maitê já repousava em cima da mãe. “Sem luvas e desesperado, começou a mexer nela para finalizar o atendimento, do parto que já tinha acontecido. Mais uma vez deixou ela ali para conversar com uma paciente de consultório, até voltar para realizar a sutura. Com má vontade, anestesiou um pouco”, afirma Gabriela na publicação.

Mãe e filha ainda tiveram que passar uma semana no hospital. Enquanto Maitê contraiu uma grave infecção, Sabrina ainda relatava fortes dores após o parto. Em entrevista, Gabriela revelou que uma compressa de gaze havia sido esquecida dentro da irmã na hora de dar os pontos. “Ela podia ter pego uma infecção generalizada. Por sorte, saiu sozinho no absorvente e a dor cessou. Até então, imaginávamos que eram os pontos inflamados”, conta.

Assim que deixou o hospital, Sabrina fez um boletim de ocorrência e a família já procurou um advogado, enquanto aguarda o contato da delegacia. “Ela ficou bastante abalada no começo. Não conseguia dormir, sonhava muito com isso, sentia muitas dores. Ela diz que deveria ter pago pelo parto, mas discordo. Se todo mundo pensar desse jeito, não funciona. Qualquer médico é capaz de fazer um parto. Não é incompetência; é má vontade”, defende Gabriela.

Em nota o Hospital Austa, em São José do Rio Preto (SP) apresentou um posicionamento sobre o caso:
“Em relação às manifestações da paciente Sabrina Henrique Gonçalves sobre o atendimento prestado pelo AUSTA hospital, a instituição afirma que todos os procedimentos das equipes médica e multiprofissional foram corretos, seguindo estritamente os protocolos preconizados pelas sociedades de especialidades. Sobre o atendimento, ressalte-se que:
– a paciente deu entrada no hospital 13 horas depois de a bolsa ter se rompido (“bolsa rota”) e, segundo relato dela mesma, após ter recebido atendimento na cidade em que reside;
– ao dar entrada no hospital, a paciente relatou apresentar uma patologia, sendo então lhe ministrado imediatamente antibiótico como profilaxia, conforme preconizam protocolos médicos;
– também, ao dar entrada no hospital, a paciente manifestou que gostaria de ter o filho por parto normal;
– o médico obstetra ginecologista constatou que a dilatação era de 3 centímetros, o que prenuncia o nascimento para ocorrer em torno de 7 horas, considerando o atingimento de dilatação esperada de 10 cm (1 cm por hora);
– diante do aumento das dores, a paciente decidiu pelo parto cesárea, o que fez com que o hospital mobilizasse as equipes médica e multiprofissional para realizar esta cirurgia;
– houve, no entanto, evolução rápida do trabalho de parto, o que fez com que a equipe médica de plantão realizasse o parto normal, sem nenhuma intercorrência;
– após o parto, ao diagnosticar a necessidade de pequena intervenção cirúrgica, comum pós-parto tipo normal, o médico obstetra ginecologista realizou, em centro cirúrgico, o procedimento, conforme preconizam os protocolos obstétricos;
– neste procedimento cirúrgico, NÃO SE UTILIZA GAZE INTERNA;
– ao contrário do que alega a paciente, o bebê NÃO contraiu infecção ou qualquer doença durante sua internação hospitalar;
– conforme preconizam protocolos da Sociedade Brasileira de Pediatria, foram ministrados antibióticos para a criança como profilaxia (ação preventiva) para evitar contrair infecções e outras doenças, por dois motivos:
1) pelo parto ter ocorrido 18 horas depois de a bolsa ter se rompido;
2) porque a mãe relatou condição de saúde específica dela que justificou ser imprescindível ao médico ministrar os medicamentos ao bebê. Neste caso específico, o recém-nascido deve ficar internado, independentemente do tipo de parto (normal ou cesárea).
O AUSTA hospital ressalta, por fim, que o atendimento à paciente mãe e ao bebê foi realizado segundo protocolos médicos e as normas de segurança do paciente, não havendo intercorrências durante a permanência na instituição.”