Kombi arrasta legião de fãs pelas ruas de Curitiba

04/09/2017 às 08:13.

Aos 60 anos, veterano utilitário ainda mostra que tem fôlego mesmo sendo descontinuado pela Volks em 2013

Foto: Aniele Nascimento

Mesmo há quatro anos fora do mercado brasileiro, ela ainda é uma das mais queridas entre os apaixonados por carros no país. A Kombi, que completou, neste sábado (2), 60 anos da primeira unidade no Brasil, se tornou não só sinônimo de saudosismo, mas também de união com um megaencontro numa festa que atraiu milhares de pessoas, neste domingo (3), no Pinheirinho.

No evento havia muita diversão, comida boa e música. Por falar em música, até mesmo os integrantes da banda “Sangue de Limão”, que animaram o público, tinham uma Kombi pra lá de bem decorada e, claro, amada.

O guitarrista da banda conta que a paixão começou há 10 anos. Com ela, veio a primeira tatuagem, que só poderia ser uma Kombi.

“Ela faz parte da nossa banda também, nós brincamos que somos cinco integrantes. Eu comprei ela azul clara e comecei a decorar ela de acordo com o nosso estilo. Forrei ela com tapete e ainda acrescentei algumas ‘caveirinhas’ no teto. Não troco ela, não! Tenho até uma tatuagem que eu fiz pra representar esse amor. Foi a minha primeira tatuagem.”, contou José de Araújo, 49 anos.

Além de fazer parte das famílias em várias gerações, a Kombi em Curitiba também registrou recorde nacional: uma fila gigantesca das vans como algo nunca visto antes nas Américas. A previsão era de uma fila com mais de 800 metros de extensão, mas foram registrados 1200 metros que tomaram conta da Linha Verde. O feito foi acompanhado pelo Rank Brasil, uma espécie de ‘Guiness brasileiro’.

Na Faculdade Sociesc – Tupy Curitiba, depois do desfile e do recorde registrado, os veículos foram alinhados lado a lado, seguindo o ano de fabricação: de 1959 a 2014. Os três pátios da faculdade foram ocupados pelos amantes da van.

Osvaldo Sagüés, 57 anos, é um deles. Ele é venezuelano e decidiu viajar a América Latina acompanhado da sua van e sua cadela. Já foram quase 20 mil quilômetros percorridos.

“Esse era um sonho de criança que eu tinha. Resolvi que a Kombi seria o carro mais apropriado para essa viagem, já que eu durmo aqui também. Agora estou passando pelo Brasil e estou amando, aqui todo mundo é “gente boa” e hospitaleiro. Estou muito feliz com esse encontro”, relatou emocionado.

Outra história parecida é a do Hugo Maori, 41 anos, e da Thalita Gomes, 32 anos, eles resolveram vender tudo que tinham para começar, em breve, uma viagem parecida com a do nosso amigo Osvaldo. Eles planejam ir para o deserto de Atacama, e subir toda a costa do Oceano Pacífico, rumo ao Alaska.

“Em 2015 fizemos uma viagem pra argentina, onde ficamos 40 dias. A partir daí, percebemos que uma Kombi seria o ideal. Compramos a ‘Katrina’ e a ideia é passar pelo menos dois anos na estrada, sem pressa e viajar com liberdade, para poder conhecer o lugar”

Em números

Mesmo fora do mercado de zero quilômetros, por causa das exigências de obrigatoriedade de airbags e ABS nos carros, a Kombi continua sendo muito negociada no Brasil. A van é tão bem quista pelos brasileiros, que pode ser considerada entre os veículos mais vendidos por aqui.

A primeira produzida por aqui foi em 1957 e a última em 2013. Depois da parada na produção, pelo menos 70 mil unidades são negociadas ao ano, uma média de mais ou menos 6 mil veículos ao mês. Alguns veículos, mais históricos, chegam a custar até R$ 200 mil.